Drave

Drave, Arouca. Por João Nuno Brochado

De acordo com os últimos Censos, realizados em 2011, existem 9492 lugares com 50 ou menos habitantes. Só aldeias e lugares em zonas de montanha – 700 metros ou mais de altitude – são 677 com 50 ou menos habitantes e que, por isso, correm o risco de desaparecer.

O despovoamento afeta sobretudo o interior de Portugal e ocorre devido à migração – especialmente para a sede de concelho, para cidades maiores e para o estrangeiro – ou com a morte dos poucos mais velhos que se mantêm.

Com a estagnação demográfica, o envelhecimento da população e a forte emigração, a desertificação de lugares de menor dimensão tem acelerado e é provável que nos próximos Censos, em 2021, existam ainda mais aldeias abandonadas.

Apesar de atualmente estarem à mercê da natureza, muitas destas aldeias mantêm os seus encantos e guardam inúmeras histórias para contar. Descubra 10 aldeias abandonadas que vale a pena visitar.

1. Colcurinho, Oliveira do Hospital

Fonte: colcurinho.chaosobral.org

Desabitada desde a década de 50 do século passado, a aldeia de Colcurinho fica na serra do Açor, a 500 metros da aldeia do Chão Sobral. Hoje em dia, apenas restam as paredes das casas feitas de xisto e a capela de Santo Antão, construída no século XVI, o único edifício que não está em ruínas.

Todos os anos, no domingo imediatamente a seguir a 17 de Janeiro, o povo regressa à aldeia para pedirem a proteção de Santo Antão, o padroeiro local. Existe ainda na aldeia de Colcurinho uma ponte, construída em xisto, e um moinho de água, junto à capela.

2. Barbelote, Monchique

Fonte: webapp.algarvefantastic.com

Escondida na serra de Monchique, a aldeia do Barbelote tem cerca de uma dezena de casas abandonadas e em ruínas. A aldeia fica situada numa encosta muito inclinada, escondida num vale profundo.

O ex-libris do lugar é mesmo a cascata do Barbelote, uma das mais bonitas quedas de água do concelho. A água despenha-se entre arbustos, numa falha da rocha e provoca um pequeno espelho de água. Na serra de Monchique há ainda mais duas cascatas: a cascata do Penedo do Buraco e a cascata do Chilrão.

3. Adagoi, Valpaços

Por ManuelBarreira

Até ao início dos anos 80 do século passado, viviam em Adagoi, no concelho de Valpaços, 11 famílias e cerca de 50 pessoas. Hoje em dia, já não vive ninguém na aldeia com um peculiar nome de origem germânica, Adeguaoy, que significa veiga ou pequeno vale, o que comprova a passagem de povos suevos e visigodos por este local.

Adagoi fica entre as ribeiras de Adagoi e Alhariz o que faz que seja envolvida pelas mais belas paisagens de todo o concelho de Valpaços.

4. Rocha Amarela, Loulé

Por Museu Municipal de Loulé

A aldeia Rocha Amarela, situada na freguesia de Alte, no concelho de Loulé, está completamente deserta desde a década de 70. Atualmente, o que se pode encontrar aí é um pequeno número de construções, que se dividem entre casas de habitação, anexos agrícolas e armazéns, todas elas em ruínas.

5. Broas, Mafra

Por Reino Baptista

A aldeia de Broas, em Mafra, está abandonada há cerca de 40 anos. É uma aldeia medieval com pouco mais de uma dezena de habitações, currais e pequenas instalações que serviam de armazéns agrícolas. Hoje, muitas casas já não têm telhados e a vegetação abundante vai tomando conta da encosta.

O nome de Broas deve-se à morfologia do terreno nesta zona onde há elevações com formato de cone ou “broas”.

6. Safira, Montemor-o-Novo

Por Carlos Farrica

Não se sabe ao certo quando é que foi fundada a aldeia medieval de Safira, na região do Alentejo, mas sabe-se que a sua igreja foi mandada construir no século XV. Atualmente, esta igreja encontra-se parcialmente em ruínas e a aldeia está desabitada desde meados de 1930.

Em tempos de glória, a aldeia de Safira chegou mesmo a ser freguesia do concelho de Montemor-o-Novo. Existia na zona uma fábrica de cal e duas minas, uma de arsénio e outra de cobre. Em termos de agricultura, predominava o cultivo da cevada.

7. Drave, Arouca

Drave

Por João Nuno Brochado

Situada entre as serras da Freita, de São Macário e da Arada, a cerca de 600 metros de altitude, Drave é uma aldeia desabitada, integrada no Geoparque de Arouca. É uma aldeia típica em que as casas são feitas de pedra, denominada pedra lousinha, sendo a sua cobertura de xisto. Os arruamentos são irregulares.

A aldeia é muito isolada e não é acessível de carro. Não tem electricidade, água canalizada, saneamento, gás, correio, telefone e a rede de telemóvel é escassa. Contudo, vale a pena visitar este lugar mágico para apreciar a paisagem única do vale cercado por altas montanhas.

8. Levadas, Castro Daire

Fonte: Canal M87

Em plena serra de Montemuro, situa-se a aldeia de Levadas, que pertence à freguesia de Cabril. É inteiramente constituída por casas de arquitetura tradicional, com paredes em granito e telhados em xisto. Contudo, o último habitante deixou a aldeia no início dos anos 2000, transformando Levadas numa aldeia fantasma.

A cerca de dois quilómetros desta aldeia existe a aldeia de Moimenta que tinha uma mina de volfrâmio. Muitas pessoas começaram a deixar Levadas e a ir viver para Moimenta, construindo casas modernas. Com o encerramento da mina, as pessoas foram mesmo obrigadas a migrar para arranjar trabalho noutros locais.

9. Antas de Mazes, Lamego

Fonte: portoenorte.pt

A aldeia de Anta ou Anta de Mazes, que pertence à freguesia de Lazarim, em Lamego, encontra-se hoje em dia totalmente desabitada, embora muitas casas se mantenham em bom estado de conservação. A maior parte das habitações, com características muito rústicas, são construídas em pedra (granito) e possuem telhados de colmo. No interior ainda podem ver-se lareiras e fornos.

Os anteriores habitantes limitam-se agora a cultivar as terras e a levar o gado a pastar à antiga aldeia.

10. Vale de Poldros, Monção

Vale de Poldros

Por Fernando Gonçalves

Vale de Poldros é conhecida como a aldeia dos Hobbits, pela semelhança com os cenários verdejantes da saga “O Senhor dos Anéis”, mas também como terra de um homem só, porque aqui só vive em permanência Fernando Gonçalves.

A Branda de Santo António de Vale de Poldros é uma das cerca de 10 brandas existentes no Alto Minho e a mais bem preservada. Uma branda é um conjunto de cardenhas que são os pequenos abrigos de pedra que ainda podem ser encontrados em Vale de Poldros.

Localizada a meio da encosta, a cerca de 1200 metros de altitude, esta branda ergue-se sobranceira ao rio Vez, proporcionando fantásticas vistas sobre toda a região.

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