Pastéis de Belém. Por pfongabe33

Independentemente da ocasião, há algo que não pode faltar à mesa dos portugueses: os doces. Quer seja a típica doçaria da avó que foi passando de geração em geração ou os doces inventados por freiras residentes em conventos que se mantiveram até aos nossos dias, há doces para todos os gostos.

Neste tipo de doçaria as gemas de ovos e o açúcar são presença obrigatória. Diz-se até que, na época, as freiras usavam as claras dos ovos para engomar os seus hábitos e, por isso, resolveram misturar as gemas que sobravam com açúcar.

História real ou mito, o certo é que Portugal é um país com uma grande variedade de pastelaria tradicional e que varia de região para região. Damos-lhe a conhecer uma seleção de doces tradicionais portugueses de fazer crescer água na boca.

1. Pastel de Belém

Por viennetta14

É o mais famoso doce português que é consumido tanto em Portugal como no Brasil ou até na China. No entanto, o pastel de Belém original apenas se pode encontrar na pastelaria ao lado do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, que os fabrica desde 1837 e onde irá certamente encontrar uma fila enorme de turistas.

Conta a história que depois da revolução liberal de 1820 foram encerrados todos os conventos e mosteiros de Portugal. Numa tentativa de subsistência, os clérigos do mosteiro colocaram à venda uns pastéis. A receita foi depois vendida ao empresário português vindo do Brasil Domingos Rafael Alves e continua até hoje um segredo bem guardado que está na posse dos seus descendentes.

Onde: “Fábrica dos Pastéis de Belém”, Rua de Belém, nº 84 a 92, Lisboa

2. Pastel de Tentúgal

Por 69joehawkins

É impossível pensar na vila de Tentúgal, no concelho de Montemor-o-Velho, sem associar imediatamente aos conhecidos pastéis de Tentúgal. A história da própria vila confunde-se com a história da doçaria conventual.

A origem do doce remete para o Convento Nossa Senhora da Natividade, onde a Ordem das Carmelitas de Portugal vivia na época. Os pastéis de Tentúgal terão nascido da bondade de uma freira carmelita que oferecia aos meninos da terra iguarias. Um dia a freira resolveu experimentar rechear a massa muito fina com doce de ovos e assim nasceram os pastéis. Os doces passaram também a ser distribuídos entre os membros da alta sociedade portuguesa, tornando-se populares até hoje.

Onde: Pastelaria Conventual – Maria Helena Soares, Rua da Areeira, nº 21, Tentúgal

3. Queijadas de Sintra

Por raquel

As primeiras referências às queijadas datam do século XIII. Na altura, eram usadas como pagamento de foros. A receita terá sido inventada no Convento da Penha Longa, em Linhó, no entanto, é um pouco diferente da que hoje se utiliza, porque naquela época ainda não se conhecia a canela e o açúcar.

As queijadas de Sintra que poderá comer hoje são compostas por um recheio à base de queijo fresco, açúcar, ovos, farinha e canela, envolvido numa massa crocante e estaladiça. A vila de Sintra era o lugar ideal para a industrialização deste doce devido à abundante criação de gado e consequente excesso de queijo fresco.

Onde: Pastelaria Gregório, Av. Dom Francisco de Almeida, nº 35, Sintra

4. Tortas de Azeitão

Por Sharon Hahn Darlin

Na pequena freguesia de Azeitão, no concelho de Setúbal, não falta o queijo, o vinho, o azeite e, claro, as tortas. No entanto, acredita-se que a origem deste doce esteja ligado à vila de Fronteira, no Alentejo, e que a receita tenha sido levada para Azeitão por um familiar do dono da pastelaria “O Cego”, no início do século XX.

Manuel Rodrigues, o dono da pastelaria e conhecido como “o cego”, juntamente com a sua mulher e filha, foram os responsáveis pela criação e fabrico da torta, que inicialmente era vendida em fatias. Só mais tarde é que se fixou o fabrico da torta de Azeitão como um bolo individual.

Onde: Pastelaria Regional Cego, Rua José Augusto Coelho, nº 150, Vila Nogueira De Azeitão, Setúbal

5. Pudim Abade de Priscos

Por No Ponto

Na origem deste pudim está o Abade de Priscos, pároco desta freguesia do concelho de Braga, que é considerado por muitos um dos maiores cozinheiros portugueses do século XIX, chegando mesmo a cozinhar para o rei. A receita do pudim é uma das poucas que Manuel Rebelo – assim era o seu nome verdadeiro – transmitiu para o público.

O toucinho dá a este pudim a sua consistência e aspecto característicos, sendo também evidente o sabor que lhe confere o vinho do Porto e a canela. É considerado uma iguaria fina e poderá encontrá-lo na ementa de doces de várias confeitarias, restaurantes e casas de pasto, sobretudo em Braga.

Onde: Doçaria Cruz de Pedra, Rua Beato Miguel de Carvalho, nº 156, Braga

6. Brisa do Lis

Por Sandra Costa

Numa homenagem ao rio que banha Leiria, as brisas do Lis parecem ter tido origem no século XVII no Convento de Santa Ana. Conta-se que depois de fechado o convento, a receita foi parar às mãos de uma devota, ligada ao Café Colonial, estabelecimento que esteve em funcionamento até ao final de 2013.

Com o tempo, o segredo da confeção das brisas do Lis espalhou-se e hoje são encontradas em diversas confeitarias da cidade e muito procuradas tanto pelos leirienses como pelos turistas que visitam a cidade. As receitas multiplicaram-se, porque a receita original permanece um segredo bem guardado, mas a base é sempre a mesma: gemas, açúcar e amêndoa.

Onde: Pastelaria LuziClara, Rua Barão de Viamonte, nº 49, Leiria

7. Toucinho do Céu

O toucinho do céu é mais uma das sobremesas tradicionais de Portugal feita à base de ovos e açúcar que teve origem num convento. Apesar que existirem diversas receitas de toucinho do céu em várias regiões do país, acredita-se que a receita original foi criada pelas freiras do mosteiro da vila de Murça, em Vila Real.

Às gemas de ovos e ao açúcar acrescenta-se amêndoas moídas ou doce de gila, mas a versão original tinha também banha de porco, e acredita-se que o nome deste doce venha desse ingrediente. Os lugares mais populares para provar a conhecida iguaria são na região de Trás-os-Montes e no Alentejo, que se destaca por utilizar também especiarias.

Onde: Casa das Queijadas e do Toucinho do Céu, Largo 31 de Janeiro 13, Murça

8. Ovos moles de Aveiro

Por 69joehawkins

Não poderá visitar Aveiro sem provar os tradicionais ovos moles que só se fabricam nesta cidade da região centro do país. Conta-se que o doce foi produzido pela primeira vez em 1462, no Convento de Jesus, pelas freiras que aí viviam.

Extintos os conventos, o fabrico dos ovos moles manteve-se, graças a senhoras educadas pelas referidas freiras que mantiveram a receita original. Com formato de conchas, búzios e peixes, os ovos moles são feitos com gema de ovo, açúcar e água e cobertos por hóstias.

Onde: Confeitaria Peixinho, Rua de Coimbra, nº 9, Aveiro

9. Dom Rodrigo

Por Mauro Rodrigues

O Dom Rodrigo é um doce tradicional da cidade de Lagos e um dos doces mais conhecidos da região do Algarve. Este doce é um bom exemplo da culinária com produtos endógenos da região, especialmente a amêndoa, da qual usa o miolo. Os outros ingredientes são fios de ovos, ovos-moles, água, açúcar e canela.

A origem do doce Dom Rodrigo remete-nos para o Convento de Nossa Senhora do Carmo e conta o povo que terá sido produzido para agradar o governador e capitão general do Algarve, D. Rodrigo de Menezes.

Em termos de apresentação, os Dom Rodrigo foram servidos de três maneiras, ao longo da sua história: em forma de rebuçados, em taças de porcelana ou de vidro, e embrulhados em papel metalizado, esta última a mais conhecida.

Onde: Casa De Doces Regionais, Rua Portas de Portugal, nº 27/31, Lagos

10. Travesseiro de Sintra

Por Rui Ornelas

Outro doce que não pode deixar de provar se for a Sintra é o travesseiro, que é feito com uma massa folhada coberta com açúcar e recheada com creme de ovos e amêndoa. Apesar da sua recente história comparado com outras iguarias da pastelaria portuguesa, o travesseiro de Sintra já se tornou um clássico que atrai muitos turistas à Casa Piriquita.

É impossível dissociar o travesseiro de Sintra desta pastelaria no centro histórico da Vila. A Casa das Queijadas da Piriquita, fundada em 1862, deve o seu nome ao apelido que o rei D. Carlos I deu à fundadora da pastelaria, Constância Gomes, devido à sua baixa estatura. Foi aí que, em meados de 1940, Constança Cunha, neta da fundadora, criou o travesseiro.

Onde: Casa Piriquita, Rua das Padarias, nº 1/18, Sintra

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