Grutas Mira de Aire. Por Can

O dicionário explica-nos que uma gruta é uma escavação subterrânea natural ou artificial. Com certeza que é isso, mas é muito mais. Cada gruta é também um vestígio arqueológico dos nossos antepassados que as utilizavam como refúgio, guardando por isso a memória da História. Mas são, sobretudo, magníficas obras de artes esculpidas durante anos pela natureza à espera de serem exploradas.

Em Portugal, existe uma concentração de grutas essencialmente na região dos Açores e nas Serras de Aire e Candeeiros. Fizemos uma seleção de grutas para descobrir em Portugal, do centro ao sul do país, passando também pelas ilhas.

Algar de Benagil, Lagoa

Por Nido Huebl

O facto de o Algar de Benagil ser de difícil acesso, torna este lugar ainda mais especial e mágico. A cavidade rochosa cuja forma foi moldada pela ação da natureza ao longo dos tempos situa-se perto da praia que lhe dá o nome. A abertura circular no topo permite à luz do sol entrar e criar um jogo de cores impressionante.

Depois de a revista de viagens Condé Nast Traveller ter colocado, em 2017, o Algar de Benagil na lista das grutas mais bonitas do mundo, o lugar passou a atrair cada vez mais turistas curiosos. Com acesso apenas pelo mar, a melhor forma de aceder à gruta é através de um caiaque ou outra embarcação de pequena dimensão.

Algar do Carvão, Terceira

Por btvarusko

Localizado no interior da caldeira do Guilherme Moniz, na ilha Terceira, nos Açores, o Algar do Carvão permite que os visitantes desçam até 100 metros de profundidade e observem estalactites únicas no mundo e uma lagoa subterrânea de águas cristalinas.

Em janeiro de 1893 ocorreu a primeira descida ao Algar do Carvão, mas foi apenas em 1963 que aconteceu a primeira visita organizada. Atualmente, poderá visitar este vulcão adormecido que recebe cerca de 20 mil pessoas todos os anos.

Gruta das Torres, Pico

Por José Luís Ávila Silveira/Pedro Noronha e Costa

Também nos Açores, mas desta vez na ilha do Pico, fica a Gruta das Torres que se encontra inserida no complexo vulcânico da montanha do Pico. Com uma extensão de 5150 metros, esta gruta é o maior tubo lávico conhecido em Portugal e acredita-se que se tenha formado há cerca de 1500 anos durante uma erupção no Cabeço Bravo.

Atualmente, a visita ao local acontece em jeito de expedição, onde os visitantes percorrem 450 metros da gruta durante uma hora com todo o equipamento necessário. Apesar de ter mais de um ponto de entrada, a abertura principal é feita pelo Algar da Ponte, por onde é possível entrar num ambiente de caverna e observar a transição da vegetação da floresta da superfície para outro tipo de vegetação como os fetos, os musgos e os líquenes, que se encontram no chão e nas paredes junto das aberturas.

Grutas da Moeda, São Mamede

Por Andrei Nekrassov

Foi em 1971 que uma raposa em fuga levou a que dois caçadores descobrissem as Grutas da Moeda. Situadas em São Mamede, no concelho da Batalha, estas são grutas calcárias com uma extensão visitável de 350 metros e uma profundidade de 45 metros abaixo da cota de entrada.

A visita guiada percorre as várias galerias naturais que foram batizadas de acordo com as imagens que sugerem: Lago da Felicidade, Sala do Presépio, Algar d’Água, Pastor, Cascata, Cúpula Vermelha, Marítima, Capela Imperfeita, Abóbada Vermelha e a Fonte das Lágrimas.

Para além da estrutura natural da gruta, pode também visitar o Centro de interpretação Científico-ambiental, onde poderá descobrir como se forma uma gruta e como esta interage com a biodiversidade local, entender qual a importância do calcário na região e como influencia o modo de vida das pessoas.

Furna do Enxofre, Graciosa

Por Unukorno

Situada no interior da Caldeira da Graciosa, no sul da ilha Graciosa, nos Açores, fica a Furna do Enxofre, uma gruta com 194 metros de comprimento. O acesso à gruta é feito através de uma torre com 37 metros de altura e de uma escadaria em caracol com 183 degraus.

Com cerca de 50 metros de altura de teto na parte central, a gruta caracteriza-se por ter um teto em forma de abóbada perfeita, a maior abóbada vulcânica da Europa. No interior há um lago com cerca de 130 metros de diâmetro. Poderá ainda visitar o Centro de Visitantes da Furna do Enxofre para compreender melhor os processos vulcânicos que deram origem à ilha e, em particular, à Furna do Enxofre e à Caldeira.

Grutas de São Vicente, Madeira

Por BBjoern78

Formaram-se há 890 mil anos a partir de uma erupção vulcânica e foram as primeiras grutas de origem vulcânica a abrirem ao público em Portugal, em 1996. As Grutas de São Vicente situam-se na ilha da Madeira.

No interior, poderá visitar pequenos lagos de água transparente e amplas câmaras, sempre com música ambiente e uma iluminação pensada para dar um ar mais místico ao percurso de mais de mil metros de comprimento.

Grutas de Mira de Aire, Porto de Mós

Por Lara Maia

Consideradas uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, as Grutas de Mira de Aire localizam-se na freguesia com o mesmo nome, no concelho de Porto de Mós. As grutas têm 11 km de extensão mas apenas 600 metros do percurso está aberto ao público.

As grutas foram descobertas em 1947, mas apenas em 1974 abriram para visitantes. O percurso inicia-se com um desnível de 110 metros a partir da entrada, onde a descida é feita através das escadas, mas na subida já poderá usar o elevador.

Gruta do Escoural, Montemor-o-Novo

Por José Miguel Soares

A Gruta do Escoural, localizada no município alentejano de Montemor-o-Novo, é uma cavidade natural conhecida pela arte rupestre paleolítica. Parcialmente obstruída por estalagmites, a gruta é composta por várias salas e galerias.

A primeira ocupação da gruta remonta ao Paleolítico Médio, quando grupos de caçadores-coletores neandertais a usaram como abrigo na prática da caça. Mais tarde, durante o período Paleolítico Superior, os residentes deixaram importantes vestígios na caverna. A sua influência é evidenciada por uma rocha-santuário com pinturas de animais do período Paleolítico Superior. Posteriormente, durante o Neolítico, as comunidades de agricultores e pastores aproveitaram esta gruta para sepultar os seus mortos.

Grutas de Santo António, Alvados

Por Alexey Komarov

Conta a história que as Grutas de Santo António foram descobertas em 1955 por uma criança que perseguia uma gralha. O nome do menino não ficou na História, mas hoje em dia as grutas atraem 30 mil visitantes todos os anos.

Em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, as Grutas de Santo António abriram ao público em 1971 e no início as visitas eram feitas através de uma escadaria de madeira. Atualmente, já há um sistema de passadeiras que garante um percurso mais agradável e seguro.

Grutas de Alvados, Alvados

Por Filipemigu

Também no concelho de Porto de Mós e muito perto das Grutas de Santo António ficam as Grutas de Alvados. Estão divididas em duas partes: a gruta velha, que foi descoberta há cerca de 400 anos e era frequentemente utilizada pelos pastores da região quando precisavam de se abrigar, e a gruta nova, que apenas foi descoberta em 1964 por um grupo de trabalhadores das pedreiras da Serra dos Candeeiros.

Inauguradas em 1973, as Grutas de Alvados destacam-se pelos corredores contínuos, que vão dar a lagos naturais e a salas desniveladas. O percurso dentro da gruta tem iluminação indireta, realçando as cores naturais e as transparências das suas formações calcárias.

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