Magazine Cultura 10 lugares para recordar Luís de Camões

10 lugares para recordar Luís de Camões

0 Shares

O dia 10 de junho tem um grande significado para o nosso país, uma vez que se celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Neste dia comemora-se os grandes feitos de ilustres portugueses que marcaram a História de Portugal ao longo de séculos, em especial, uma das maiores figuras da literatura lusófona e um dos grandes poetas da tradição ocidental: Luís Vaz de Camões.

Camões

Apesar da sua enorme importância na história e cultura portuguesas, há poucas certezas sobre os factos da sua vida. Tal como a sua maior obra – Os Lusíadas -, também a sua vida está envolta num grande mistério e misticismo. Como os documentos são escassos e os registos quase inexistentes, não se sabe ao certo quando e onde nasceu Camões, mas acredita-se que terá falecido a 10 de junho de 1580, em Lisboa.

Cinco séculos depois da sua morte, revisitamos alguns dos lugares por onde Luís de Camões terá passado e muitos outros que prestam homenagem àquele que para muitos é considerado o maior poeta português de todos os tempos.

1. Casa na Calçada de Sant’Ana, Lisboa

Casa de Camões
Por Paulo Mendes

Filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo, alguns autores acreditam que Luís Vaz de Camões terá nascido em 1524, em Lisboa, e era provavelmente neto do trovador galego Vasco Pires de Camões.

Contudo, existem outras cidades que afirmam que Camões poderá ter nascido aí. É o caso de Coimbra, Santarém, Chaves e Alenquer. No entanto, os registos das Listas da Casa da Índia, mais tarde consultados por Manuel de Faria e Sousa, parecem estabelecer que Camões nasceu efetivamente em Lisboa, em 1524. 

Apesar de não haver muito consenso quanto à data e local do seu nascimento, relativamente à sua morte, acredita-se que Luís Camões terá vivido os seus últimos anos numa casa na Calçada de Santa’Ana, próxima da Igreja de Santa’Ana, em Lisboa. Na fachada do prédio existe uma lápide a indicar que Camões morou aí.

2. Universidade de Coimbra, Coimbra

Universidade de Coimbra
Por François Philipp

Acredita-se que, quando tinha apenas três anos, a família de Camões ter-se-á mudado para Coimbra para fugir da peste que assolava o país. Mas a sua infância permanece uma incógnita, à semelhança de grande parte da sua vida. 

Aos 12 ou 13 anos teria sido protegido e educado pelo seu tio Bento que o encaminhou para Coimbra para estudar. Conta-se que foi um estudante indisciplinado, mas interessado em aprender, principalmente disciplinas como História, Cosmografia e Literatura clássica e moderna. Contudo, o seu nome não consta dos registos da Universidade de Coimbra. Mas a julgar pelo seu elaborado estilo e profusão de citações eruditas que aparecem nas suas obras, é muito provável que tenha, de alguma forma, recebido uma sólida educação. 

É possível que o próprio tio o tenha instruído, sendo nessa altura chanceler da Universidade e prior do Mosteiro de Santa Cruz, ou tenha estudado no colégio do mosteiro. Com cerca de 20 anos ter-se-ia transferido para Lisboa, antes de concluir os estudos.

3. Jardim Horto de Camões, Constância

Jardim Horto de Camões
Fonte: Câmara Municipal de Constância

Desenhado pelo arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Teles, este jardim-horto convida a conhecer 52 espécies botânicas referidas por Camões na sua lírica e n’Os Lusíadas. De uma obra que conjugou a poesia com a flora nasceu assim um jardim em que cada planta possui uma placa explicativa que a identifica, ensinando o seu nome vulgar e científico. A indicação mostra também a transcrição do verso onde o poeta a menciona.

Inaugurado em 1990, o jardim sugere ainda um percurso onde se destacam alguns pontos de maior interesse para o visitante, incluindo o jardim de Macau, marca da presença portuguesa na China; um pequeno auditório com uma reprodução do planetário de Ptolomeu; um poço de traça árabe e uma âncora do século XVII arrancada ao Tejo.

Existe também um painel de azulejos que apresenta as partes do mundo que Camões percorreu, de Lisboa a Macau, passando por África e pela Índia. A maior esfera armilar de Portugal assinala os 500 anos dos Descobrimentos Portugueses.

4. Casa-Memória Camões, Constância

Casa-Memória Camões
Fonte: Câmara Municipal de Constância

Reza a lenda que Camões terá vivido em Constância, entre 1548 e 1550, durante o cumprimento de uma pena a que fora condenado. O poeta terá habitado na Casa dos Arcos, um edifício onde durante os séculos XVIII e XIX funcionaram os serviços da Câmara e Vereação.

Essa lenda ganhou expressão nacional graças ao empenho do Dr. Adriano Burguete, médico constanciense que, nos meados do século passado, se esforçou por demonstrar a veracidade da tradição popular, e ao trabalho e persistência de Manuela de Azevedo, jornalista, que tem dedicado a maior parte da sua vida a esta causa.

As ruínas da casa quinhentista foram classificadas como imóvel de interesse público em 1983. Sobre elas, depois de consolidadas, foi erguida a Casa-Memória de Camões, segundo projeto da Faculdade de Arquitetura de Lisboa. Para além de preservar, valorizar e divulgar a relação de Camões com Constância, a casa acolherá um Centro Internacional de Estudos Camonianos.

5. Monumento a Camões, Constância

Monumento a Camões
Por CCDRC

Ainda na vila de Constância, no distrito de Santarém, a população presta homenagem a Luís de Camões com uma estátua do escritor sentado à entrada do pequeno parque, com um olhar pensativo a observar o rio Zêzere.

A estátua é da autoria do mestre Lagoa Henriques e representa o poeta jovem e ainda com os dois olhos, porque, se realmente esteve em Constância, foi antes de partir para Ceuta, onde perdeu um dos olhos.

6. Pátio do Tronco, Lisboa

Pátio do Tronco
Por Dan Diffendale

Onde é atualmente o Pátio do Tronco, em Lisboa, existiu no século XVI a Cadeia Municipal do Tronco. Conta a lenda que, com 28 anos de idade, a 15 de junho de 1552, Luís de Camões passeava entre o Rossio e as Portas de Santo Antão, quando se apercebeu de uma briga e reconheceu que nela estavam dois amigos seus. Camões não hesitou em envolver-se na desordem, ferindo com um golpe de espada na nuca um criado do Paço, Gonçalo Borges.

Camões foi preso e levado para a Cadeia do Tronco de Lisboa, onde permaneceu largos meses. Foi libertado a 24 de março de 1553 por carta régia onde se podia ler: «Mancebo pobre que me vai este ano servir à Índia».

Em 1992, no túnel que dá acesso ao Pátio do Tronco foi colocado um painel de azulejos de Leonel Moura, para assinalar a passagem do poeta por essa prisão.

7. Túmulo de Camões, Lisboa

Túmulo de Camões
Por Sailko

Depois da derrota portuguesa na Batalha de Alcácer-Quibir, onde D. Sebastião desapareceu, levando Portugal a perder sua independência para Espanha, Luís de Camões adoeceu, provavelmente, de peste. Foi transportado para o hospital e morreu a 10 de junho de 1580. 

O poeta terá sido enterrado na Igreja de Santa’Ana. A igreja já não existe e no seu local foi erguido o edifício do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana. 

Depois do terramoto de 1755, que destruiu a maior parte de Lisboa, foram feitas tentativas para se reencontrar os despojos de Camões, mas existem dúvidas se alguma vez foram encontrados. As ossadas que foram depositadas em 1880 numa tumba no Mosteiro dos Jerónimos são, provavelmente, de outra pessoa. 

O seu túmulo é da autoria do escultor Costa Mota Pinto, todo em mármore, com uma decoração minuciosa e de estilo Manuelino.

8. Padrão dos Descobrimentos, Lisboa

Padrão dos Descobrimentos
Por FlyingCrimsonPig

O Padrão dos Descobrimentos celebra a época dos descobrimentos portugueses descrita n’Os Lusíadas e localiza-se na margem norte do rio Tejo, de onde partiram os navios para explorar e comercializar com a Índia e o Oriente. 

O monumento foi concebido em 1939 pelo arquiteto Cottinelli Telmo e pelo escultor Leopoldo de Almeida. Camões aparece em destaque no perfil oeste do monumento, uma vez que a sua grande epopeia sobre os descobrimentos é quase tão importante como as viagens originais.

9. Jardim Luís de Camões, Leiria

Jardim Luís de Camões
Por Carlos Luis M C da Cruz

O maior espaço verde da cidade de Leiria conta com uma escultura alusiva a Luís de Camões, remontando a sua construção ao século XIX. Constituída por uma estátua de pé com o braço direito e o rosto erguido como se estivesse a declamar, é uma obra de Fernando Marques.

O jardim estende-se ao longo das margens do rio Lis, que atravessa a cidade, existindo diversas pontes pedonais. Local de lazer, não faltam bancos e esplanadas, convidando a uma pausa à sombra das árvores seculares.

10. Praça Luís de Camões, Lisboa

Praça Luís de Camões
Por Leandro Neumann Ciuffo

A Praça Luís de Camões, também conhecida como Largo de Camões, fica no Chiado, uma das zonas mais movimentadas e turísticas de Lisboa, e deve o seu nome ao facto de acolher a estátua do poeta. 

A obra, do escultor Vítor Bastos, foi inaugurada a 9 de outubro de 1867 e representa Camões com uma coroa de louros na cabeça e a espada na mão esquerda, enquanto com a direita aperta contra o peito o poema épico Os Lusíadas, a sua maior obra.

10 lugares que marcaram a História de Portugal

Portugal é um dos países mais antigos da Europa, com uma longa história que atravessa gerações, povos e lugares. A fundação do Reino de Portugal remonta ao ano de 1139, a partir do Condado Portucalense, nascido entre os rios Minho e Douro. Em 1297, a estabilização das suas fronteiras fez com que Portugal se tornasse no país europeu com as fronteiras mais antigas.

Read more

0 Shares

Artigos relacionados

Faça um comentário

Ao clicar em ENVIAR aceita a privacidade

Copy link
Powered by Social Snap