Castelo de Guimarães

Castelo de Guimarães. Por Luís Costa 2014

Portugal é um dos países mais antigos da Europa, com uma longa história que atravessa gerações, povos e lugares. A fundação do Reino de Portugal remonta ao ano de 1139, a partir do Condado Portucalense, nascido entre os rios Minho e Douro. Em 1297, a estabilização das suas fronteiras fez com que Portugal se tornasse no país europeu com as fronteiras mais antigas.

Ao longo destes séculos de História, houve vários lugares com uma enorme importância e que deram o seu contributo para a formação da nação portuguesa. Porto e Lisboa são sem dúvida cidades com um grande peso na História do país. Mas queremos destacar outros lugares que também inscreveram para sempre o seu nome nos livros da História de Portugal.

1. Chaves, cidade defensiva

Chaves

Por aro94

Durante a invasão romana na Península Ibérica, os romanos instalaram-se no vale do rio Tâmega, onde hoje se ergue a cidade de Chaves, e construíram fortificações pela periferia, aproveitando alguns dos castros existentes. Chaves foi um importante centro romano e para defesa da população foram erguidas muralhas e a ponte de Trajano para a travessia do rio. Os romanos fomentaram o uso das águas quentes mínero-medicinais, implantando balneários termais, exploraram minérios e outros recursos naturais.

Para além dos romanos, por Chaves passaram ainda suevos, visigodos e alanos, provenientes do leste europeu e que puseram termo à colonização romana, e ainda os mouros, oriundos do norte de África. Foi apenas por volta de 1160 que Chaves passou a integrar o país, que já era Portugal.

Por ser uma cidade fronteiriça, Chaves era vulnerável ao ataque de invasores e, como medida de proteção, D. Dinis mandou levantar o castelo e as muralhas que ainda hoje dominam grande parte da cidade e a sua periferia. Foi também em Chaves, a 6 de julho de 1912, que se travou um combate entre as forças monárquicas de Paiva Couceiro e as do governo republicano, do qual resultou o fim da segunda incursão monárquica.

Acredita-se que tenha sido em Chaves, em 1488, impresso o primeiro livro em língua portuguesa, uma versão portuguesa do Sacramental de Clemente Sánchez de Vercial. E em 1489 e na mesma cidade, foi impresso o Tratado de Confissom, um manual instrutório do clero.

2. Braga, a cidade dos Arcebispos

Braga

Por Jack78

O território que hoje conhecemos como Braga já existia como cidade antes mesmo dos romanos terem invadido a Península Ibérica. Aqui vivia a tribo dos brácaros quando o imperador César Augusto decidiu rebatizar a região como Bracara Augusta. Após a conquista do Império Romano, Bracara Augusta tornou-se na capital política e intelectual do Reino Suevo, que abarcava a Galiza e se prolongava até ao rio Tejo. Posteriormente, foi dominada pelos godos, durante mais de três séculos.

Em 715, foi a vez dos mouros conquistarem a cidade, mas por pouco tempo. Obrigados a renderem-se ao rei de Leão, D. Afonso III, Braga foi nessa altura oferecida como dote, por Afonso VI de Castela, à sua filha D. Teresa, no seu casamento com D. Henrique de Borgonha, Conde de Portugal.

Sendo uma das mais antigas cidades europeias convertidas ao cristianismo, a história de Braga está intimamente ligada à história do cristianismo em Portugal. Era a partir da também conhecida como cidade dos Arcebispos, que o clero controlava grande parte das suas atividades em todo o país.

Como terceira maior cidade portuguesa, Braga contribuiu decisivamente para o crescimento económico do país, concentrando à sua volta grande parte da indústria exportadora de Portugal.

3. Guimarães, o berço da nação

Castelo de Guimarães

Por Luís Costa 2014

Não podemos falar da formação da nacionalidade portuguesa sem falar da cidade onde tudo começou. Em Guimarães tiveram lugar, em 1128, os principais acontecimentos políticos e militares, que levariam à independência e ao nascimento de uma nova nação. Por esta razão, está inscrito numa das torres da antiga muralha da cidade “Aqui nasceu Portugal”, para lembrar a todos que por ali passem a importância deste lugar.

Foi a partir de Guimarães que D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, planeou a conquista de todo o território nacional a sul do rio Douro. Mais tarde, por motivos estratégicos, a capital do reino foi mudada para Coimbra e, posteriormente, para Lisboa. No entanto, Guimarães continuou a desempenhar um papel crucial na História de Portugal.

Hoje em dia, Guimarães continua a ser uma das mais importantes cidades históricas do país, sendo o seu centro histórico considerado Património Mundial pela UNESCO, tornando-a definitivamente um dos maiores centros turísticos da região. As suas ruas e monumentos respiram história e encantam quem a visita.

4. Viseu, terra de Viriato

Viseu

Por Andreas Trepte

Não há certezas de que Viriato, o conhecido herói lusitano, que apelou à união dos povos ibéricos contra os romanos que tentavam anexar a Península Ibérica ao seu império, tenha realmente nascido em Viseu. No entanto, a cidade presta homenagem ao líder dos lusitanos com uma estátua em sua memória.

Apesar de ter vencido inúmeros exércitos romanos, Viriato não conseguiu evitar a ocupação romana na península. Já sob domínio visigótico, no século VI, a cidade foi elevada a diocese. No século VIII, foi ocupada pelos muçulmanos, como a maioria das povoações ibéricas e, durante a reconquista da península, foi alvo de ataques e contra-ataques alternados entre cristãos e muçulmanos.

Mesmo antes da formação do Condado Portucalense, Viseu foi várias vezes residência dos condes D. Teresa e D. Henrique que, em 1123 lhe concederam um foral. De acordo com o historiador Almeida Fernandes, D. Afonso Henriques terá nascido em Viseu a 5 de agosto de 1109. Contudo, não há consenso sobre a data e o local onde terá nascido o primeiro rei de Portugal.

5. Covilhã, terra de exploradores

Covilhã

Por Feliciano Guimarães

A história da Covilhã remonta aos tempos da romanização da Península Ibérica, quando foi abrigo de pastores lusitanos e fortaleza romana. Quem mandou erguer as muralhas do seu primitivo castelo foi D. Sancho I que, em 1186, concedeu foral de vila à Covilhã. E, mais tarde, foi D. Dinis que mandou construir as muralhas do admirável bairro medieval das Portas do Sol.

Era já na Idade Média uma das principais vilas do reino, uma vez que grandes figuras naturais da cidade ou dos arredores tiveram um papel determinante em todos os grandes descobrimentos dos séculos XV e XVI. Várias personalidades da Covilhã participaram em viagens de exploração no oceano Atlântico, na viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia, na chegada à América e ao Brasil, e na primeira viagem de circum-navegação da Terra.

A Covilhã foi, finalmente, elevada à condição de cidade a 20 de outubro de 1870 pelo rei D. Luís I, por ser “uma das villas mais importantes do reino pela sua população e riqueza”. Em plena expansão populacional, o setor económico tinha particular relevo na agricultura, pastorícia, fruticultura e floresta. Há 800 anos que a Covilhã é um dos principais centros de lanifícios da Europa.

6. Coimbra, a cidade dos estudantes

Coimbra

Por Falco

A importância de Coimbra na História do país é inegável. A cidade de ruas estreitas, pátios, escadinhas e arcos medievais viu nascer seis reis de Portugal assim como a primeira universidade do país e uma das mais antigas da Europa.

Ainda na altura do Condado Portucalense, o conde D. Henrique e D. Teresa fizeram de Coimbra a sua residência. Em 1129, D. Afonso Henriques torna-a capital do reino, substituindo Guimarães. No século XII, Coimbra apresentava já uma estrutura urbana, dividida entre a cidade alta, onde viviam os aristocratas, os clérigos e, mais tarde, os estudantes, e a baixa, do comércio, do artesanato e dos bairros ribeirinhos populares.

Desde meados do século XVI que a história da cidade passa a girar à volta da Universidade de Coimbra, onde surgem movimentos estudantis de cariz político, cultural e social.

A primeira metade do século XIX trouxe tempos difíceis para Coimbra, com a ocupação da cidade pelas tropas de Junot e Massena, durante as invasões francesas e, posteriormente, a extinção das ordens religiosas.

Da universidade surgiram e resistem ainda hoje em plena atividade o Orfeon Académico de Coimbra, em 1880, o mais antigo coro do país, a própria Associação Académica de Coimbra, em 1887, a Tuna Académica da Universidade de Coimbra, em 1888. Na área do teatro universitário, o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) é o grupo de teatro universitário mais antigo da Europa em atividade contínua, fundado em 1938.

7. Tomar, sede dos Templários

Castelo de Tomar

Por felinda

Depois da conquista da região aos mouros por D. Afonso Henriques, Tomar foi doada como feudo à Ordem dos Templários. O Grão-Mestre desta Ordem, D. Gualdim Pais, iniciou em 1160 a construção do castelo e convento que viriam a ser a sede dos Templários em Portugal. A partir de Tomar, os Templários governavam vastas possessões do centro do Reino de Portugal, que estavam obrigados a defender dos ataques vindos dos mouros a sul.

Mais tarde, o Infante D. Henrique foi designado como Governador da Ordem e acredita-se que os recursos e conhecimentos desta lhe foram cruciais para o sucesso das suas expedições em África e no Atlântico. A Cruz da Ordem de Cristo era pintada nas velas das caravelas que partiam, enquanto todas as missões e igrejas cristãs além-mar permaneceram sob jurisdição do Prior de Tomar até 1514.

A ainda existente Igreja de Santa Maria do Olival, com os seus símbolos místicos Templários foi construída como igreja-mãe de todas as novas igrejas construídas nos Açores, Madeira, Brasil, Índia e outros lugares em África e na Ásia.

8. Santarém, terra de personalidades ilustres

Santarém

Por SandmanT

Santarém foi um local de encontro e uma incubadora de ideias de grandes vultos da ciência náutica, das artes e das letras. No século XV, relacionaram-se por ali Pedro Álvares Cabral, o primeiro navegador português a chegar ao Brasil, Luís Vaz de Camões, poeta lírico, Fernão Lopes Castanheda, historiador dos descobrimentos, e Martim Afonso de Melo, o primeiro europeu a chegar à China por mar.

Durante o século XIX, a cidade de Santarém voltou a estar ligada a alguns dos principais acontecimentos da História do nosso país. Para além de servir de palco à Guerra Peninsular, durante as Guerras Napoleónicas, e sitiada pelo Duque de Wellington em 1810, Santarém foi uma das cidades na linha da frente nas lutas liberais.

É de destacar ainda o papel de Santarém no forte apoio ao movimento libertador do 25 de Abril de 1974, liderado pelas tropas do Capitão Salgueiro Maia.

9. Elvas, cidade-fortaleza

pillory at Largo de Santa Clara, Elvas, Alentejo, Portugal

Os godos e os celtas terão sido os primeiros povoadores desta cidade, que hoje se estende para além das suas muralhas em forma de estrela. Em 714, os árabes conquistaram Elvas, deixando na cidade marcas da sua presença que perduram até aos nossos dias.

No reinado de D. Afonso Henriques, mais precisamente em 1166, Elvas foi conquistada aos mouros pela primeira vez. Posteriormente foi reconquistada pelos muçulmanos e reconquistada de novo pela cristandade, sendo integrada definitivamente em território português por D. Sancho II, em 1229.

A 14 de janeiro de 1659, as suas linhas de muralhas e o forte de Santa Luzia tiveram um papel defensivo importante no desfecho da Guerra da Restauração, na Batalha das Linhas de Elvas. Durante cerca de um mês as forças castelhanas cercaram Elvas na esperança de a tomar, mas um exército de socorro surpreendeu-os e os espanhóis foram obrigadas a retirar.

10. Angra do Heroísmo, capital do movimento liberal

Angra do Heroísmo

Por Franzfoto

Angra do Heroísmo foi a primeira povoação do arquipélago dos Açores a ser elevada à condição de cidade, em 1534. As razões para esse vigoroso progresso deveram-se à importância do seu porto como escala da chamada Carreira da Índia, centrado na prestação de serviços de reabastecimento e reaparelhamento das embarcações carregadas de mercadorias e de valores.

A cidade teve um papel ativo durante a crise de sucessão de 1580, resistindo ao domínio castelhano e apoiando D. António, Prior do Crato, que aqui estabeleceu o seu governo, de agosto de 1580 a agosto de 1582.

Já no século XIX, Angra do Heroísmo tornou-se no centro e alma do movimento liberal em Portugal. Tendo abraçado a causa constitucional, aqui se estabeleceu em 1828 a Junta Provisória, em nome de D. Maria II de Portugal. Foi inclusive nomeada capital do reino. Em Angra encontraram refúgio Almeida Garrett, durante a Guerra Peninsular, e a rainha D. Maria II entre 1830 e 1833, durante a Guerra Civil Portuguesa.

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