Forte de São João Baptista

Forte de São João Baptista. Por Silas Szwarcberg Cunha

Muito se fala das atribuladas viagens de barco para chegar ao arquipélago das Berlengas, a 15 quilómetros da costa oeste do cabo Carvoeiro, em Peniche, mas irá com certeza esquecer os enjoos e a agitação marítima quando pisar o pé neste paraíso selvagem no meio do oceano Atlântico.

Apesar de ser um recanto ainda desconhecido para muita gente, a ocupação humana da Berlenga Grande, a maior ilha do arquipélago e a única habitável, remonta à antiguidade. Foi inclusive chamada de ilha de Saturno pelos geógrafos romanos. Posteriormente, foi visitada por navegadores muçulmanos, víquingues, corsários franceses e ingleses.

Para além da Berlenga Grande, o arquipélago é formado ainda pelos ilhéus Estelas e Farilhões. O arquipélago das Berlengas foi a primeira área protegida do país quando, em 1465, o rei Afonso V de Portugal proibiu a prática de caça na ilha principal.

Em 1513, com o apoio da rainha D. Leonor, monges da Ordem de São Jerónimo estabeleceram-se aí com o propósito de oferecer auxílio à navegação e às vítimas dos frequentes naufrágios naquela costa atlântica, assolada por corsários, fundando o Mosteiro da Misericórdia da Berlenga. Entretanto, a escassez de alimentos, as doenças e os constantes assaltos de piratas e corsários, tornaram impossível a vida de retiro dos frades, muitas vezes incomunicáveis durante dias. Hoje restam apenas algumas pedras soltas e muros do edifício original que deu lugar a um restaurante.

A Reserva Natural das Berlengas é considerada Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO desde junho de 2011. Poderá visitar o arquipélago entre março e outubro, havendo um limite máximo de 550 visitantes por dia. Nos restantes meses do ano, a ilha da Berlenga é apenas habitada pelos faroleiros e pelos vigilantes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNB).

1. Farol Duque de Bragança

Farol da Berlenga

Por dynamosquito

O Farol Duque de Bragança também conhecido como Farol da Berlenga localiza-se no ponto mais elevado da Berlenga Grande. Construído em 1841 e com 29 metros de altura, o farol utiliza a energia acumulada durante o dia através de vários painéis solares. A sua luz é visível até cerca de 50 quilómetros de distância.

2. Forte de São João Baptista das Berlengas

Forte de São João Baptista

Por Vitor Oliveira

A construção mais notável da ilha é o Forte São João Baptista das Berlengas, que parece estender-se desde as rochas até ao oceano. Não se sabe ao certo quando terá sido construído, no entanto, há testemunhos que indicam ter ali existido uma fortificação desde o século XVI. A sua atual configuração datará de 1651, quando D. João IV ordenou a construção (ou reconstrução) da fortaleza para fazer frente às frequentes incursões de piratas e corsários e à possibilidade de um ataque espanhol durante a Guerra da Restauração, o que veio mesmo a suceder.

Em 1914 deixou de ser usado para fins militares e com a partida dos últimos elementos da guarnição foi deixado ao abandono. Na década de 30 efectuaram-se algumas obras de manutenção e nos anos 50 foi totalmente recuperado, tendo sido transformado em pousada.

3. Bairro dos Pescadores

Bairro dos Pescadores

Por Vitor Oliveira

O Bairro dos Pescadores, localiza-se na encosta sul da chamada Ilha Velha, junto ao ancoradouro, no local onde outrora existiu o Mosteiro da Misericórdia. Formalmente chamado Bairro Comandante Andrade Silva, foi criado nos anos 40 do século passado, quando aquele oficial da marinha se apaixonou pelas Berlengas.

O objetivo principal era oferecer uma habitação condigna aos pescadores que até então viviam em buracos em grutas espalhadas pelas rochas. O casario é composto por três fileiras de imóveis, todos construídos segundo o mesmo plano de um só piso. Este é o único núcleo habitacional do arquipélago das Berlengas.

4. Praias

Praia da Berlengas

Por Hugo Cadavez

Situada junto ao Bairro dos Pescadores, a Praia da Berlenga Grande é a mais famosa do arquipélago. Existem ainda outras praias nas Berlengas, como a Praia do Carreiro do Mosteiro, próxima do ancoradouro e com excelentes condições para usufruir do mar imenso. Com cerca de 40 metros de extensão, é feita de bonita areia dourada e não está dotada de quaisquer infra-estruturas balneares.

Poderá ainda experimentar as praias mais pequenas, como a Praia do Forte, situada junto à ponte de alvenaria que liga o forte à Berlenga, ou a Praia Cova do Sonho, com um areal reduzido que quase desaparece na maré alta.

5. Grutas

Gruta nas Berlengas

Por Silas Szwarcberg Cunha

Uma das atividades mais populares das Berlengas é a exploração das grutas que existem por todo o arquipélago. A mais famosa e mais impressionante é a do Furado Grande que atravessa praticamente toda a ilha numa espécie de túnel natural de 70 metros de comprimento por mais de 20 de altura. Destacam-se também a Cova do Sonho e o Furado Pequeno, onde só se chega de barco e apenas se pode visitar quando a maré está baixa. São dezenas de grutas para explorar em toda a ilha, muitas delas submersas, só acessíveis por mergulho.

6. Fauna

Berlengas

Por Iolanda Veiros

A confluência dos climas mediterrânico e atlântico criou um ecossistema único no mundo com um património biológico de elevado interesse de conservação. Relativamente à fauna, destacam-se a lagartixa-de-bocage e o sardão, esta última espécie ameaçada pelas populações de gaivota, coelho-bravo e rato-preto. Existem várias espécies de aves, marinhas e não-marinhas, que nidificam neste ponto isolado do litoral, como o airo, ave símbolo da Reserva Natural das Berlengas.

O mar das Berlengas alberga também uma fauna marinha riquíssima, ímpar na costa portuguesa. É considerado um dos melhores locais da costa portuguesa para a prática de atividades subaquáticas.

7. Flora

A flora das Berlengas é constituída sobretudo por arbustos, pois a falta de solo e os ventos carregados de sal não são ideais para a plantação de árvores. Há várias plantas rasteiras endémicas na ilha, sendo o sub-arbusto armeria berlengesis a mais característica.

8. Atividades aquáticas

Berlengas

Por Nicotappero

A Reserva Natural das Berlengas é um dos melhores sítios para mergulho em Portugal. É uma das atividades mais procuradas pelos turistas e é também uma das melhores formas de explorar a imensa biodiversidade do arquipélago das Berlengas. Através do mergulho poderá observar os cardumes de peixes, percorrer todas as grutas e até os recantos mais secretos do arquipélago.

Cardumes de sargos, peixes-lua, salemas cor de prata e riscas amarelas, safias, polvos, estrelas-do-mar são algumas das espécies que se encontram numa visita submarina a mais de 20 metros de profundidade. Para além da vida marinha, há vários navios naufragados nos arredores da ilha, que garantem um cenário incrível para a prática.

É também possível fazer snorkeling e a Praia do Carreiro do Mosteiro é um bom ponto para experimentar, sendo provável que se observem logo ali algumas espécies de peixes, como o sargo e o peixe-porco. O paddling é também praticado nas Berlengas, sendo, assim como o caiaque, uma boa forma de visitar as grutas de forma mais independente.

As águas que envolvem as Berlengas são adequadas para a observação de cetáceos em liberdade. Os golfinhos são os mais frequentemente avistados, mas também existem outras espécies, como o roaz ou a baleia-piloto, que podem ser vistos nestas águas.

9. Birdwatching

Airo. Por Anne Morkill

As Berlengas são um santuário para as aves marinhas que habitam o Atlântico e a costa portuguesa. Como já mencionámos, o airo é o símbolo da ilha e pode ser avistado entre janeiro e julho quando nidifica. Outras aves como a gaivota-de-patas-amarelas ou o corvo-marinho-de-crista também podem ser avistados, fazendo das Berlengas um destino perfeito para os amantes de birdwatching.

Com uma fauna tão rica, há aves que nidificam unicamente nas Berlengas. É ainda comum observar pelo arquipélago o falcão-peregrino, o andorinhão-pálido, o rabirruivo, o peneireiro, a cagarra (estas aves só vêm a terra à noite pelo que não é fácil avistá-las), a galheta, a gaivota-d’asa-escura e a gaivota-argêntea.

Alguns dos melhores locais para a observação de aves são o planalto do farol, as arribas que se encontrem protegidas dos ventos e a figueira – única árvore das Berlengas – que se encontra junto à Praia do Carreiro do Mosteiro.

10. Percursos pedestres

Trilho das Berlengas

Por Silas Szwarcberg Cunha

Há dois percursos pedestres que pode seguir para explorar a ilha. O primeiro é o trilho da Berlenga, que segue desde o Bairro dos Pescadores até ao forte e passa pelo farol. Trata-se de um trilho linear de 3 quilómetros com descidas e subidas bastante acentuadas, que o levará até à extremidade sudoeste da ilha e que lhe permitirá ter uma perspetiva de toda a paisagem deslumbrante das Berlengas. Seguindo o trilho da Berlenga chegará a um ponto de observação de onde se tem uma das melhores vistas sobre o Forte São João Baptista.

O segundo é um trilho circular de 1,5 quilómetros mais fácil de completar, o trilho da Ilha Velha, e vai levá-lo diretamente ao habitat das gaivotas. Do topo das falésias poderá avistar alguns dos ilhéus que rodeiam as Berlengas, como as Estelas ou os Farilhões, vendo-se claramente, em dias de visibilidade normal, o cabo Carvoeiro e Peniche.

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