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6 minas que se podem visitar em Portugal

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Mina de São Domingos
Mina de São Domingos. Por Paulo Juntas

Talvez nunca tenha pensado em fazer turismo mineiro. Talvez a ideia de visitar uma mina e explorar lugares e pontos de interesse mineiro e geológico nunca lhe tenha passado pela cabeça, mas saiba que este tipo de turismo está em crescimento em Portugal e tem cada vez mais adeptos e entusiastas.

As minas (algumas delas, hoje desativadas) são locais de uma riqueza geológica única que evidenciam a natureza morfológica da nossa paisagem. Estes lugares, aliados aos vários museus dedicados à atividade mineira e à geologia, são muito relevantes tanto para os jovens estudantes que os visitam com as suas escolas, como para famílias que procuram uma atividade de fim de semana ou de férias diferente, sem esquecer, claro, os técnicos, cientistas e outros interessados na área da geologia e da atividade mineira.

Por isso, reunimos 6 minas em Portugal que poderá visitar e descobrir mais sobre o património geológico português e também sobre a importância que estes locais tiveram e ainda têm nas regiões onde estão inseridos.

1. Mina de São Domingos (Mértola)

Minas de São Domingos
Mina de São Domingos. Por Vitor Oliveira

A Mina de São Domingos, atualmente desativada, é a principal mina da região do Alentejo. A mina e a respetiva aldeia das Minas de São Domingos correspondem a um antigo couto mineiro, que tinha ligação ao porto flúvio-marítimo do Pomarão, no rio Guadiana, por meio de um caminho-de-ferro com cerca de 15 quilómetros de extensão, a Linha São Domingos – Pomarão.

A ligação ao porto mineiro do Pomarão era a grande vantagem competitiva da Mina de São Domingos, uma vez que facilitava o rápido escoamento do minério, por via marítima, até Inglaterra.

A tradição mineira na zona de São Domingos remonta aos Fenícios e Cartagineses e, depois destes aos Romanos, cujo labor mineiro se estendeu desde o início do século I até aos finais do século lV, sendo o seu principal objetivo a extração de cobre, ouro e prata.

Já em 1858, teve início a modernização da exploração da mina. Os trabalhos prolongaram-se até 1965, ano de esgotamento do minério e de encerramento da mina. Neste período, a lavra foi feita a céu aberto até aos 120 metros de profundidade, tendo os trabalhos continuado por meio de poços e galerias até aos 400 metros. Com o fim da lavra, a aldeia mineira, que foi a primeira do país a ter luz elétrica, entrou em decadência.

Pela sua importância económica para a região, o complexo mineiro está incluído na Zona de Proteção Especial do Vale do Guadiana (Rede Natura 2000) e está classificado como Conjunto de Interesse Público desde 2013.

Mina de S. Domingos: à descoberta de uma mina perdida a céu aberto

Em pleno coração do Baixo Alentejo, entre montes e vales a perder de vista, uma mina abandonada faz-nos fazer uma viagem no tempo e recuar mais de 50 anos. É a Mina de S. Domingos, localizada no concelho de Mértola.

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2. Complexo Mineiro Romano de Tresminas (Vila Pouca de Aguiar)

Complexo Mineiro Romano de Tresminas
Complexo Mineiro Romano de Tresminas. Por Pedro

Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real, tem um passado ligado à exploração de minas. Uma das mais conhecidas é o Complexo Mineiro Romano de Tresminas, no extremo sudoeste da Serra da Padrela, que representa uma das mais importantes explorações de ouro do Império Romano.

Os séculos I e II d.C. foram de intensa atividade mineira, principalmente para exploração de ouro, mas também de outros minérios, como prata e chumbo. Destes trabalhos resultou um conjunto monumental formado pelas cortas – fendas abertas nas montanhas – de exploração a céu aberto e por um interessante complexo de poços e galerias subterrâneas.

Durante cerca de 18 séculos, este património mineiro permaneceu bem preservado, o que motivou a sua classificação como Imóvel de Interesse Público (1997) e, mais recentemente, a classificação de alguns componentes do sistema de abastecimento de água a esta zona mineira como Monumento de Interesse Público (2012).

Atualmente, os trilhos sinalizados possibilitam a visita interpretada a esta mina pública romana, desde a perspetiva global a partir dos miradouros sobre as cortas até à incursão nas galerias subterrâneas, que só poderá ser feito na companhia de um guia (com marcação antecipada). Para ter um melhor entendimento da história da exploração mineira na região, aconselhamos a que comece a visita pelo Centro Interpretativo de Tresminas, que fica no centro da aldeia de Tresminas.

3. Minas da Recheira (Covilhã)

Minas da Recheira
Minas da Recheira. Por Mina da Recheira

O complexo mineiro Quinta das Minas da Recheira, também conhecido como “Minas do Alemão”, situa-se na freguesia de Barco, no concelho da Covilhã. Este complexo mineiro, abandonado há mais de 50 anos, ganhou uma nova vida em 2020.

Depois de ter sido um importante local de extração de estanho e volfrâmio, a Quinta das Minas da Recheira é agora um produto turístico único, diferenciador e inovador no país. Aqui, poderá visitar galerias mineiras, rodeadas de mistérios e surpresas, e observar os seus filões de quartzo mineralizados e a grandiosidade dos buracos mineiros.

Uma visita à Quinta das Minas da Recheira é uma autêntica viagem mineira no tempo, que inclui uma vertente lúdica, didática, educativa, pedagógica e científica. Os visitantes poderão descobrir as três Galerias Mineiras e o Salão Mineiro de eventos dentro da galeria e dos seus filões.

4. Mina da Nogueirinha (Montemor-o-Novo)

Mina da Nogueirinha
Interior da Corta Grande, Mina da Nogueirinha. Por CorreiaPM

Localizada na vertente sul da Serra de Monfurado, na freguesia de Santiago do Escoural, no concelho de Montemor-o-Novo, a Mina da Nogueirinha é uma antiga mina de ferro, que data de 1873 e continuou durante as três primeiras décadas do século XX.

Os trabalhos de lavra eram realizados a céu aberto, por meio de cortas, algumas com extensões de várias dezenas de metros e profundidades que chegavam aos 30 metros, e por galerias e poços.

A mina era servida por uma linha de caminho-de-ferro que ligava à atual linha do Alentejo, na estação de Casa Branca. No cais terminal era feito o depósito e embarque do minério da Mina da Nogueirinha e de outras concessões vizinhas. O minério era transportado para o cais do Barreiro, de onde era exportado por barco com destino à indústria siderúrgica de países como o Reino Unido ou Estados Unidos.

Com o fim da exploração da mina, a linha foi retirada e, atualmente, apenas restam uns poucos carris no troço inicial e final, travessas e antigos pontões encobertos pela densa vegetação. São ainda visíveis, junto da mina, as ruínas das edificações do cais de embarque do minério.

5. Mina de Sal-Gema de Loulé (Loulé)

Mina de sal-gema de Loulé
Interior da mina de sal-gema de Loulé. Fonte: Tech Salt

Foi na década de 50 que a população de Loulé descobriu por acaso esta mina de sal-gema. Devido à seca extrema que assolou a região na altura, os habitantes viram-se forçados a afundar os poços que já existiam à procura de água. Mas descobriram que, em vez de água, havia ali sal.

Com a ajuda de geólogos, foi possível chegar até aos 230 metros de profundidade e perceber que não era apenas uma fina camada de sal, mas sim um depósito maior do que se pensava na altura. A mina, atualmente explorada pela Tech Salt, começou a ser construída em 1964. 

O sal que podemos encontrar na mina tem cerca de 230 milhões de anos, porque a sua origem está relacionada com o mar de Tétis, que ficava exatamente onde agora existe a mina. Portanto, todo o sal que hoje em dia encontramos apenas a partir dos 100 metros de profundidade costumava estar na superfície.

Desde outubro de 2019 que quem quiser pode descer até 230 metros de profundidade e visitar esta mina que é considerada o local turístico mais profundo de Portugal. Num percurso de cerca de 1.3 quilómetros, os visitantes conseguem perceber o que é que a mina já foi em tempos e como é que tudo funciona agora.

Da tragédia da seca descobriu-se a mina de sal-gema de Loulé

Diz a sabedoria popular que depois da tempestade vem a bonança. Foi mais ou menos isso que aconteceu nos anos 50 na então pequena vila de Loulé, no sul de Portugal. Na década de 50, a região foi assolada por uma seca extrema que obrigou os habitantes, cujo principal sustento era a agricultura e a criação de gado, a afundar os poços que já tinham em busca de água.

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6. Mina da Panasqueira (Fundão e Covilhã)

Minas da Panasqueira
Mina da Panasqueira. Por Jose Afonso Furtado

Situadas entre o Cabeço do Pião, no concelho da Covilhã, e a aldeia da Panasqueira, no concelho do Fundão, a Mina da Panasqueira funciona há 120 anos de maneira praticamente ininterrupta, com forte impacto na identidade, história e sociedade atual da Beira Interior. 

Esta mina é também uma referência no setor do volfrâmio à escala mundial, não só pela qualidade e volume de produção, duração e capacidade de adaptação da exploração, mas também pela maturidade das soluções técnicas tanto a nível da mina como a nível de processamento do minério. Além do volfrâmio, também se extrai o cobre.

A Mina da Panasqueira é uma referência também para o colecionismo de que são notáveis pelo seu tamanho, excelente cristalização e variedade. Nos filões da mina encontram-se quase todos os silicatos identificados até hoje e dois minerais que até à data atual foram apenas identificados nesta mina portuguesa: a Panasqueiraite e a Thadeuite. Quase todas as melhores coleções de minerais a nível mundial incluem minerais da Panasqueira, onde se destacam as volframites, na variedade de ferberite e as fluorapatite.

Por iniciativa da Junta de Freguesia da Aldeia de São Francisco de Assis e com a colaboração da empresa que explora a mina, é possível visitar vários espaços da mina, onde se podem observar fotos e objetos relacionados com a mina ao longo da sua história. Um desses espaços que se pode visitar é o antigo depósito de gasóleo, que foi transformado num edifício de três andares em forma de gasómetro e que contém variados espaços de exposição.

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