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6 razões para visitar Braga

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Santuário do Bom Jesus
Santuário do Bom Jesus. Por Tomasz Warszewski

Braga fica a pouco mais de 50 quilómetros do Porto, distância suficiente para que ainda não esteja massificada pelo turismo. Quando se chega a Braga, é difícil reconhecer que tem mais de dois mil anos, porque a Bracara Augusta envelheceu, como um Benjamin Button, rejuvenescendo. 

O ambiente da Rua Dom Diogo de Sousa, ao lado do icónico Arco da Porta Nova, é de uma cidade moderna, embora, de vez em quando, se oiçam ao fundo os sinos que parecem remontar a séculos passados. Por outro lado, nada de estranho se tivermos em conta que é a capital religiosa de Portugal.

Há que prestar atenção, porque passear pelas ruas de Braga revelar-se-á uma viagem no tempo que nos leva do mais remoto ao mais contemporâneo, passo a passo.

Uma escadaria que é Património da Humanidade

Santuário do Bom Jesus
Santuário do Bom Jesus. Por solkafa

O Santuário do Bom Jesus do Monte, ícone de Braga, foi por fim reconhecido como Património da Humanidade, em 2019, pela sua beleza barroca. A sua escadaria é de tirar o fôlego a qualquer um. E não porque a subida da Via Sacra seja cansativa, uma vez que se pode chegar ao topo confortavelmente no funicular – o mais antigo em serviço no mundo a utilizar o sistema de contrapeso de água – e deixar os 5070 degraus para uma descida tranquila.

O santuário, construído a cerca de cinco quilómetros de Braga, estende-se pelas encostas do monte Espinho, capelas, fontes, jardins clássicos e estátuas como se fosse um labirinto em forma de escada. Uma vez no topo, pode desfrutar das vistas da cidade e um pouco mais além, inclusive do rio Minho.

Duas jóias secretas da arquitetura moderna

Capela Árvore da Vida
Capela Árvore da Vida. Por Joseolgon

Braga pode ser o centro religioso de Portugal, mas esta cidade oferece surpresas muito mais contemporâneas. Uma delas é a Capela Árvore da Vida, do Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo, junto ao Largo de Santiago. Passa despercebida pela grande maioria dos turistas, mas não pelos viajantes mais entusiastas da arquitetura.

Esta capela que exala um curioso ar nórdico foi a vencedora do prémio ArchDaily 2011 para edifício religioso com melhor arquitetura. Assinada pelos Cerejeira Fontes Arquitetos, com a colaboração do escultor Asbjörn Andresen, o projeto procurou representar a liturgia religiosa em forma de floresta. Claro que, como todos os tesouros, é difícil encontrá-la (só pode ser visitada às sextas-feiras das 17h às 18h). 

Se a sua visita a Braga não coincidir com o dia de abertura da capela, tem o consolo de visitar a capela minimalista da Igreja da Imaculada Conceição de Braga, também do atelier de arquitetura Cerejeira Fontes.

Mais velho que a Sé de Braga

Sé de Braga
Sé de Braga. Por curto

Assim diz o ditado popular. É que a Sé de Braga é a mais antiga do país. Fundada no século XII pelos pais do primeiro rei de Portugal, D. Henrique e D. Teresa, acrescentou ao longo do tempo diferentes estilos arquitetónicos como se fosse um puzzle arquitetónico: românico na sua estrutura, manuelino no seu revestimento e barroco na profusão de ornamentos.

Além de ser um símbolo da cidade, o seu interior surpreende: os tetos, o altar, as capelas e, sem dúvida, os dois espetaculares órgãos barrocos.

Um segredo ofuscado

Capela de São Frutuoso
Capela de São Frutuoso. Por Joseolgon

A noroeste da cidade, suficientemente afastada do centro para ser descartada por muitos dos que visitam Braga, encontra-se a Capela de São Frutuoso, uma joia visigótica que permite levar a máquina do tempo de volta aos séculos V e VI, até ao tempo da antiga Hispânia visigótica. 

A sua arquitetura de linhas contidas transmite uma sensação de nobreza e beleza. Dir-se-ia ao vê-la que não há outro estilo mais distante da superlativa escadaria do Santuário do Bom Jesus do Monte. 

Vale a pena deslocar-se até esta parte de Braga só para ver esta capela que resistiu aos estragos da história e parece um destroço de tempos passados.

Também há uma Brasileira

Braga Café A Brasileira
Café A Brasileira, Braga. Por Gerd Eichmann

Não, não está apenas em Lisboa. A Brasileira da capital portuguesa tem Fernando Pessoa à porta, mas a de Braga – no Largo do Barão de São Martinho, 17- tem o seu interior tal como era no dia da sua inauguração, em 1907. Para ser justo, além das duas de Lisboa (Chiado e Rossio) e de Braga, existem no Porto, Aveiro, Coimbra e Sevilha. 

Se parar para fazer uma pausa na sua visita à cidade, a especialidade é o café moído. E o grão, claro, do Brasil e bem torrado. Sentar-se numa das suas cadeiras de madeira e deixar a chávena sobre a mesa de mármore é, por si só, mais do que um simples gesto, uma viagem no tempo.

E a derradeira viagem no tempo

Museu dos Biscainhos
Museu dos Biscainhos. Por dimamoroz

O Museu dos Biscainhos é a melhor experiência imersiva na vida aristocrática dos séculos XVII e XVIII. O antigo palácio é um belo exemplar da arquitetura civil barroca, muito interessante para conhecer bem a história de Braga. 

A sua coleção de artes decorativas inclui peças de mobiliário antigas, cerâmicas, trajes, pinturas, instrumentos musicais, esculturas e, claro, azulejos. E, além disso, a apenas cinco minutos, está o Jardim de Santa Bárbara, um belo parque onde o tempo pode parar um pouco e descansar antes de prosseguir com a viagem no tempo em Braga.

Santuários que tocam o céu e têm as melhores vistas

Será que quanto mais elevado esteja construído o santuário mais perto se está de Deus? Não sabemos responder com certeza a essa questão. Mas podemos afirmar com toda a certeza que as vistas que tem de alguns desses templos sagrados são magníficas e valem a pena, independentemente de ser religioso ou não. Deixamos-lhe uma lista de 9 santuários onde quase pode tocar o céu e descobrir as melhores paisagens.

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