Vilarinho da Furna

Vilarinho da Furna. Por Benkeboy

Há aldeias em Portugal que foram completamente varridas do mapa devido à construção de barragens. Essas aldeias foram morada de centenas de pessoas e a saída das populações nem sempre foi fácil e pacífica. Hoje em dia, a história de cada um desses lugares jaz no leito de vários rios e albufeiras. Reunimos 7 aldeias portuguesas que já só poderá visitar nas memórias guardadas de quem lá viveu ou então através de fotografias. Se passar por lá quando o nível da água for baixo, poderá até ter a sorte de ver as ruínas de algumas aldeias que ficaram submersas.

1. Vilar da Amoreira

Vilar da Amoreira

Por pampilhosaemimagens.com

Vilar da Amoreira era uma localidade que pertencia à freguesia de Portela do Fojo, no concelho de Pampilhosa da Serra. Em fevereiro de 1954, com o encerramento das comportas da barragem do Cabril, no rio Zêzere, ditava-se o futuro de uma das aldeias mais pitorescas da zona. Esta é uma das maiores barragens portuguesas e dá origem a uma das maiores reservas de água doce do país.

Com o desaparecimento da aldeia, restaram as memórias dos que lá nasceram e o cenário bucólico que podemos apreciar praticamente todos os verões, quando o nível da água desce. Recordar Vilar da Amoreira será para muitos um exercício que mistura saudade, dor e muita nostalgia.

2. Barca do Bispo

Barca do Bispo

Por monumentosdesaparecidos.blogspot.com

Pouco se sabe sobre a aldeia de Barca do Bispo que ficou debaixo de água devido à construção da barragem da Bouçã, em 1955. As memórias de hoje conduzem-nos até à freguesia do Castelo, no concelho da Sertã, e a uma aldeia que as águas do rio Zêzere trataram de submergir.

Os poucos dados que existem sobre este pequeno lugar podem ser encontrados na monografia “Castelo – A Terra e suas Gentes”, de José Gaspar Domingues. O autor conta-nos que Barca do Bispo era um “aldeamento situado na margem esquerda do rio Zêzere, numa zona de extenso areal, onde grande parte da população do concelho da Sertã ia a banhos, tanto mais que um enorme açude fora construído no leito do rio. Na margem existia um moinho e uma casa pertença do prelado, assim como uma enorme embarcação que transportava pessoas e animais para a outra margem”.

3. Faia

A aldeia da Faia foi varrida na década de 1960 pelas águas do rio Távora. Quando a barragem do Vilar foi construída, a população teve que se deslocar das margens para o monte e procurar novas parcelas para cultivar e construir, mais longe do leito do rio, nascendo assim uma aldeia nova.

Em 2013, foi construído um Centro Interpretativo para perpetuar as memórias da antiga povoação e as suas vivências. O espaço museológico mostra a aldeia da Faia antes e depois da construção da barragem do Vilar e pretende ser um espaço de encontro com a memória e a história da aldeia submersa.

4. Vilarinho da Furna

Vilarinho da Furna

Por Benkeboy

Situada no sopé da Serra Amarela, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, o que resta de Vilarinho da Furna está agora escondido sob as águas do rio Homem, que engoliu a aldeia em 1971, na sequência da construção da barragem. Os cerca de 300 habitantes da aldeia viram-se obrigados a mudar-se para a localidade vizinha de São João do Campo e outras aldeias do concelho de Terras de Bouro. Esta comunidade vivia essencialmente da agricultura e pecuária e, como grande parte das aldeias serranas do norte de Portugal, caracterizava-se por um aglomerado de casas graníticas, de construção modesta.

Hoje, sempre que as águas baixam, há quem vá matar saudades das paredes que ainda estão de pé e dos caminhos por onde antes circulavam. No leito do rio repousam mais de 1000 anos de História, à superfície permanecem as memórias daqueles que a habitaram. Para que o rio e o tempo não apaguem por completo esta história, os antigos habitantes formaram a Associação AFURNA, tendo como missão a defesa do património etnográfico, cultural e ambiental desta zona.

Em 1989, foi inaugurado o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, edificado com pedras de casas da aldeia. Atualmente, além da visita ao museu e do percurso junto ao rio, é também possível conhecer o que resta da aldeia através de mergulho, em passeios exploratórios organizados por entidades especializadas.

5. Foz do Dão

Foz do Dão

Por monumentosdesaparecidos.blogspot.com

Foz do Dão era uma antiga aldeia da freguesia de Óvoa, em Santa Comba Dão, que desapareceu do mapa quando se construiu a barragem da Aguieira que entrou em funcionamento em 1981. Após a submersão da aldeia, os seus habitantes foram realojados na aldeia de Nova Foz do Dão. Esta aldeia era a única na freguesia de Óvoa que tinha igreja e cemitério, daí a sua importância para a população. De entre o antigo património, destacava-se também a Ponte Salazar, em arco, inaugurada na década de 1930, atravessada pela Estrada Nacional 2.

Existe ainda uma pequena ilha com vegetação junto ao local onde se situava a aldeia a que se dá o nome de Foz do Dão. Quando o nível de água da albufeira está baixo, as ruínas de um jazigo do cemitério novo, que ficava num plano mais elevado, são os únicos vestígios visíveis.

6. Breda

Barragem da Aguieira

Albufeira da Aguieira. Por Vitor Oliveira

Foi também por culpa da barragem da Aguieira que a aldeia de Breda, na freguesia de Sobral, em Mortágua, desapareceu. A aldeia foi abandonada em finais da década de 1970 e submersa em 1980. Antes da aldeia desaparecer, a maior parte das casas e estruturas foi demolida. Quando foi abandonada, Breda tinha 19 casas e 66 habitantes. Atualmente, apenas existem restos de paredes e muros, que podem ser observados quando a água da albufeira desce para níveis mais baixos.

Desde 1987 que os antigos habitantes realizam um convívio anual em agosto junto ao local onde a aldeia se erguia. Em 2015, a Câmara Municipal de Mortágua organizou uma exposição fotográfica sobre a aldeia de Breda.

7. Aldeia da Luz

Albufeira do Alqueva

Albufeira do Alqueva. Por Vitor Oliveira

O dia 16 de novembro de 2002 mudou, para sempre, a vida dos habitantes da Aldeia da Luz, no concelho de Mourão, no Alentejo. Ao mesmo tempo que as águas do rio Guadiana iam submergindo o velho povoado, a três quilómetros de distância era inaugurada a nova aldeia. Grande parte do território desta freguesia jaz sob as águas da albufeira da barragem do Alqueva.

Em 2002 foram transferidos para as novas casas 423 habitantes. A velha Aldeia da Luz era um lugar pouco povoado e com características rurais. Esta ruralidade era marcada pela predominância da prática agrícola, por um lado, mas também, e dado o envelhecimento da população, por uma dependência de reformas e pensões. Com uma história tão recente e tantas polémicas à mistura, não é de estranhar que o povo da Aldeia da Luz continue a suspirar pelas suas antigas casas.

Extra: Aceredo (Espanha)

Aceredo

Por monumentosdesaparecidos.blogspot.com

Não é uma aldeia portuguesa, mas ficou submersa devido à construção da barragem do Alto-Lindoso, em Ponte da Barca. Em 1992, os habitantes da aldeia de Aceredo, na Galiza, tiveram de despedir-se das suas casas. Aceredo era uma pequena aldeia, com cerca de 40 casas e uma centena de habitantes. Em pleno vale do rio Lima e regada ainda pelo rio Calvo, vivia da agricultura, sobretudo das férteis vinhas que se erguiam encosta acima. Desde então os habitantes de Aceredo têm a possibilidade de voltar a ver a sua antiga aldeia sempre que a seca no Minho se faz sentir de forma mais acentuada.

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