Por Das grote

Os lugares abandonados têm um encanto especial e atraem cada vez mais turistas fascinados pela aura quase mística destes edifícios. Cada uma dessas construções enigmáticas e abandonadas no tempo carregam uma história própria e surpreendente. Apesar de vandalizados e engolidos pela natureza, eles continuam deslumbrantes.

Cada um deles com uma beleza especial e muito própria, são inúmeros os locais abandonados em Portugal. Selecionámos oito lugares abandonados no nosso país que o irão levar por uma viagem ao passado.

1. Monte Palace, São Miguel

Por Ajay Suresh

O luxuoso Hotel Monte Palace, nos Açores, abriu as portas a 15 de abril de 1989. Em 1990, pouco mais de um ano depois da inauguração, a unidade hoteleira arrecadou o prémio de Hotel do Ano. Nesse mesmo dia, declarou falência. Com magníficas vistas para a Lagoa das Sete Cidades, o Hotel Monte Palace, no Miradouro Vista do Rei, foi um dos primeiros hotéis de cinco estrelas da ilha e chegou a empregar cerca de 100 pessoas.

Hoje em dia restam apenas as ruínas de um imponente hotel, com 88 quartos, dois restaurantes, três salas de conferência, um cabeleireiro, uma tabacaria, um banco. Tinha também uma discoteca, um café, um bar e até um corredor com vitrines cheias de souvenirs. Os turistas sobem ao miradouro para apreciar a vista e não ficam indiferentes ao majestoso edifício abandonado e saqueado.

Depois de ter sido vendido a um grupo de investidores asiáticos no final de 2017, parece que o projeto de um novo hotel vai mesmo avançar. Por isso, apresse-se a visitar um dos edifícios abandonados mais conhecidos de Portugal antes que renasça das cinzas.

2. Castelo da Dona Chica, Palmeira

Por José Goncalves

O Castelo da Dona Chica, também conhecido como Castelo de Palmeira, Casa da Chica ou Palácio da Dona Chica, localiza-se na freguesia de Palmeira, em Braga. O edifício apalaçado, em estilo predominantemente romântico, foi projetado pelo arquiteto suíço Ernesto Korrodi.

O castelo foi mandado construir por Francisca Peixoto de Sousa, em 1915, mas as obras foram interrompidas em 1919 quando a benemérita brasileira se separou do marido. Ao longo da sua história mudou várias vezes de proprietário, arrastando-se as obras por décadas, só sendo concluídas em 1991 quando foi adaptado a restaurante e bar.

Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1985. Mas atualmente o imóvel encontra-se num estado de abandono e degradação, depois de passar por uma disputa judicial quanto à sua posse, envolvendo várias entidades.

3. Hotel Serra da Pena, Sortelha

Por Francisco Branquinho

O impressionante edifício em ruínas semelhante a um castelo não passa despercebido a quem passa pela estrada que une Caria à aldeia de Sortelha, no distrito da Guarda. São as ruínas do Hotel Serra da Pena e das Termas Águas de Radium, que outrora foi um local importante no país.

Terá sido na década de 10, numa altura em que a exploração das minas de urânio era popular e que se utilizava uma substância altamente radioativa chamada rádio no fabrico de sais de banho, cosméticos e até chocolates, que um conde espanhol veio para esta zona com a filha, que sofria de uma grave doença, e que alegadamente as águas a curaram. Decidiu então construir um hotel termal.

Não se sabe o ano exato em que abriu o Hotel Serra da Pena. Sabe-se apenas que em 1922 foi obtido o alvará para a exploração de três nascentes junto às minas, com elementos radioativos, alegadamente com poderes curativos. Nos anos 30, as termas foram vendidas a ingleses. A partir de 1936 deixou de haver publicidade nos jornais às Águas de Radium e, com a chegada da Segunda Guerra Mundial, percebeu-se finalmente os efeitos perigosos dos materiais radioativos. Em 1945, encerram definitivamente.

Depois de uns anos fechado, reabriu em 1951, pelas mãos da Companhia Portuguesa de Radium, também com capitais ingleses. Três ou quatro anos depois, abriu falência. Atualmente está completamente abandonado.

4. Mosteiro de Santa Maria de Seiça, Paião

Por Keuk

Fundado por D. Afonso Henriques por volta de 1162, este mosteiro albergou inicialmente monges beneditinos, tendo passado posteriormente para a Ordem de Cister. A igreja medieval acabaria por ser demolida durante o período de expansão, em 1672, sendo substituída pela atual igreja. Devido à sua proximidade ao Colégio de Santa Cruz de Coimbra, o Mosteiro de Seiça passou a funcionar por essa altura como centro de estudos filosóficos da ordem.

Com a extinção das Ordens Religiosas, em 1834, o conjunto arquitetónico foi apropriado pelo Estado. Em 1895 a Paróquia vendeu o Mosteiro a particulares e em 1911 foi vendido novamente. Os novos proprietários transformaram a igreja numa unidade industrial de descasque de arroz até por volta de 1976. O Mosteiro de Santa Maria de Seiça foi novamente entregue à Paróquia de Nossa Senhora do Ó do Paião.

Atualmente, o convento encontra-se num estado bastante degradado, tendo como maior atração o corpo da igreja, considerada a peça mais interessante do edifício.

5. Sanatório Jerónimo Lacerda, Caramulo

Por Hugo Gamelas

O Sanatório Jerónimo Lacerda é apenas um dos 19 edifícios que fazia parte da estância de tratamento de doenças pulmonares da vila do Caramulo, que na sua fase de apogeu orgulhava-se de ser a maior estância da Península Ibérica e a segunda maior da Europa. Foi em 1922 que Jerónimo de Lacerda abriu o Grande Hotel destinado a receber hóspedes convalescentes devido às virtudes do clima da serra.

Depois do hotel, foram construídos mais 18 edifícios, entre eles sanatórios, enfermarias, casas de saúde e um pavilhão de cirurgia. Havia ainda restaurantes, cafés, cinema e até uma estação de rádio. Com os avanços da medicina, o local viria a tornar-se obsoleto e desde os anos 60 que parece ter sido votado ao abandono. O último sanatório fechou definitivamente em 1986.

Alguns edifícios foram recuperados, como é o caso do Sanatório Salazar que se transformou no Hotel do Caramulo ou de outros sanatórios que se utilizaram para prédios de habitação e lares de terceira idade. Outros edifícios não tiveram a mesma sorte e foram demolidos, mas há seis que permanecem totalmente abandonados, incluindo o edifício principal onde tudo começou.

6. Palácio do Rei do Lixo, Coina

Por Rodolfo Lino

Este palácio com uma estranha torre que se avista a quilómetros de distância tem uma história curiosa. Foi mandado construir por Manuel Martins Manuel Martins Gomes Júnior, também conhecido como o Rei do Lixo, um comerciante que fez fortuna a comprar e vender lixo. Foi no século XIX que a propriedade foi adquirida por Manuel Gomes com o objetivo de mostrar a sua grandiosidade. Há até quem diga que ele construiu o palácio para que conseguisse avistar a propriedade que possuía em Alcácer do Sal.

Apesar de Manuel Gomes e da sua família nunca ter habitado na Quinta da Torre, ou Quinta do Inferno como a batizou o Rei do Lixo, uma vez que as obras da casa nunca foram finalizadas, trata-se de um local misterioso e cheio de histórias perpetuadas no tempo.

7. Casa do Professor, Oliveira de Azeméis

Por Canal M87

Também conhecida como Quinta do Parreira, esta é mais uma bonita casa em estilo romântico que atualmente se encontra num estado de ruína. Por fora é imponente, assemelhando-se a um palacete, mas é por dentro que revela a sua beleza arquitetónica, especialmente nos relevos dos tetos.

O seu primeiro proprietário terá sido um médico rico da região. No primeiro quartel do século XX, a propriedade terá sido vendida a Domingos Parreira, passando posteriormente para a posse de um sobrinho. Depois de ter passado por vários proprietários ao longo dos anos e de ter sido testemunha de um estatuto social elevado, a casa encontra-se agora ao abandono.

8. Convento de São Francisco do Monte, Santa Maria Maior

Por Das grote

Este convento foi um dos três primeiros conventos da Ordem dos Frades Menores a ser erguido no país, no final do século XIV. No decorrer da sua existência foi sofrendo várias ampliações, tendo-se tornado num oratório quando os frades foram transferidos para o Convento de Santo António dos Capuchos. Contudo, acabou por ser abandonado, talvez por causa da sua localização de difícil acesso na altura.

Desde 2001, o convento pertence ao Instituto Politécnico de Viana do Castelo mas continua em ruínas. Não é fácil encontrar o convento mas o acesso para visitar as ruínas é simples. A paisagem envolvente é incrível e é impressionante ver o poder da natureza sobre um edifício esquecido no tempo.

2 Comentários publicados

  1. Hugo Lopes
    Publicado 13 Dezembro 2019 em 14:57

    Olá Ângela,

    Desde já parabéns pelo artigo, está excelente.

    São realmente sítio incríveis que fazem parte do nosso Portugal fantástico.

    Recentemente comecei uma “saga” de conhecer melhor estes lugares e para já tem sido uma jornada cheia de surpresas.

    Mas apenas o faço do ponto visto aéreo (drone) sem entrar nas propriedades. Sempre do ponto de vista privado e lúdico e sempre que possível com autorização da AAN.

    O meu ultimo vídeo foi sobre o Mosteiro de Santa Maria de Seiça:

    https://www.youtube.com/watch?v=1hPDwWrTVDI

    Nesta lista estão outros locais que gostaria de explorar e conhecer a sua história, por isso…

    Obrigado.

  2. Ângela Coelho url url'>Ângela Coelho
    Publicado 16 Dezembro 2019 em 9:19

    Olá Hugo. Muito obrigada pela partilha do vídeo.

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