Castelo do Almourol

Castelo do Almourol. Por Freesurf

As aventuras dos cavaleiros Templários e os seus segredos inspiraram uma grande quantidade de filmes e romances. E, por que não, também muitas viagens. Como esta, que lhes segue as pegadas por Portugal. Castelos, fortalezas, tesouros e símbolos templários espalham-se ao longo do território. Deixamo-nos guiar por eles atrás de um imaginário Santo Graal?

Rota por Portugal depois dos templários

Templário

Templário. Por Luis Louro

Com a extinção da Ordem dos Templários em 1312, causada pela bula do Papa Clemente V, alguns dos templários perseguidos encontraram refúgio em Portugal sob o nome da Ordem dos Cavaleiros de Cristo.

Uma vez sob a proteção do rei luso Dom Dinis, ajudaram na Reconquista. Em troca, receberam posses que lhes permitiram estabelecer-se. Foi assim que deixaram uma boa amostra dos seus conhecimentos na construção de castelos e fortalezas.

As construções e a organização do grupo em Portugal ficaram a cargo do mestre dos templários Gualdim Pais. Com ele, vamos encontrar ao longo de um caminho que nos leva primeiro a Monsanto, junto à fronteira com Espanha.

Monsanto

Monsanto. Por leoks

Monsanto

Monsanto. Por Rolf E. Staerk

Monsanto é uma das povoações mais representativas de Portugal. É uma aldeia muito singular construída no alto de um promontório granítico e com vista para o pasto que se estende à sua volta.

O mais curioso do lugar é que está salpicado de peixes domos de granitos aos quais a povoação se foi adaptando com imaginação. A povoação milenar, considerada “a mais portuguesa de todas as aldeias”, foi testemunha da passagem dos templários, e antes, dos romanos, que a chamaram Egitânia.

Lá em cima, a uma meia hora a pé por um trilho arborizado, está o castelo de Monsanto para nos indicar a presença dos cavaleiros templários. As suas grossas paredes apenas se distinguem do granito natural do monte.

Reza a lenda que quem conquistar Monsanto conquistará o mundo. Pois bem, a sua fortaleza foi inexpugnável. Fora da muralha, encontra-se a capela templária de São Pedro de Vira-Corça, a segunda mais antiga de Portugal, rodeada de misteriosos túmulos rendidos ao granito.

Convento de Cristo do Tomar

Convento de Cristo do Tomar. Por pigprox.

Porém, a cidade onde mais se destaca a presença dos templários é Tomar, cujo fundador foi Gualdim Pais, para a posteridade, senhor da zona de Monsanto.

Mas antes, pelo caminho, tem que se parar no Castelo de Almourol, na povoação de Vila Nova da Barquinha. Este castelo, situado num ilhéu do rio Tejo, foi construído em 1171, claro, pelo Grão-Mestre dos Templários, no mesmo lugar onde antes já houve uma fortaleza romana.

Convento de Cristo do Tomar

Convento de Cristo do Tomar. Por Adwo

O Castelo de Almourol reflete-se há séculos no rio, vendo a história passar. Pela sua localização, teve uma importância estratégica no controlo do comércio de trigo e óleo da região. Declarado Monumento Nacional, a sua estrutura é claramente templária e destaca-se a torre da homenagem e as suas muralhas, desde as quais se podia manter uma vigilância perfeita de qualquer tipo de movimento sobre o rio.

Como escudeiro e amigo pessoal do rei português, Gualdim Pais recebeu uma missão importante: levantar uma faixa defensiva na ribeira do Tejo que travasse os ataques castelhano-leoneses e as invasões mouriscas. Nessa defesa, o castelo de Tomar desempenhou um papel de destaque.

Castelo de Tomar

Castelo de Tomar. Por ©felinda

O castelo de Tomar apresenta-se majestoso ao chegar. Não é em vão que foi declarado Património da Humanidade pela Unesco, juntamente com o Convento de Cristo. A sua construção, tal como datado numa singular inscrição, é de 1160. Tal como fez com o castelo de Almourol, Gualdim Pais também se decidiu por esta localização para erigir a fortaleza porque antes, segundo alguns vestígios, já houve no lugar outra romana.

Castelo de Tomar

Castelo de Tomar. Por Benedetta Barbanti.

Entrando pela Porta de Santiago, se continuarmos até à Porta do Sol, à direita, a Alcáçova e a Torre da homenagem, damos com um pátio onde se destaca a forma da Charola, elemento arquitetónico singular.

Os templários construíram a Charola por volta de 1250 em jeito de igreja dentro de outra. O seu interior maravilhosamente decorado é impressionante. Talvez recorde algo ao viajante, e não está enganado, pois esta construção baseia-se na Rotunda do Santo Sepulcro (a Igreja do Santo Sepulcro) de Jerusalém.

Oito arcos em circunferência, estreitos, mas tão altos para que se pudessem passar sem que os templários tivessem de desmontar dos cavalos. O espaço transporta-nos para um mundo misterioso que bem podia ser o do Nome da rosa de Umberto Eco. O resto do convento é uma maravilha arquitetónica, um belo exemplo dos contributos artísticos que o estilo manuelino alcança.

Ao sair, no centro da praça principal de Tomar, há uma estátua em honra de Gualdim Pais. O viajante gostaria que ganhasse vida e descesse para que nos pudesse contar todos os segredos daquilo que vimos na nossa viagem.

Casas rurais na Rota Templária de Portugal



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