Livraria Lello. Por Michał Huniewicz

livros que nos levam a viajar e descobrir mundos para além do que os nossos olhos podem alcançar. Mas e se, antes mesmo de abrir um livro, a biblioteca ou a livraria seja também um ponto de partida para explorar histórias e deixar-se encantar? De norte a sul de Portugal existem inúmeras bibliotecas e livrarias que já ganharam o seu merecido lugar na História do país, algumas até conhecidas no mundo inteiro. Fizemos uma seleção de 10 bibliotecas e livrarias que tem mesmo que visitar.

1. Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra

Por Rosino

O Palácio Nacional de Mafra possui uma das mais belas bibliotecas do mundo, onde pode encontrar alguns dos livros mais raros e únicos produzidos no ocidente entre os séculos XV a XIX. Esta biblioteca foi mandada construir por D. João V, o rei que privilegiava a cultura e o saber, e contém um valioso acervo de cerca de 30 mil volumes.

A biblioteca é da autoria do arquiteto Manuel Clemente de Sousa e tem 85 metros de comprimento e uma planta em cruz. As estantes em estilo rococó guardam livros raros como uma coleção de obras impressas até 1500 ou a famosa “Crónica de Nuremberga” de 1493, bem como diversas Bíblias ou a primeira Enciclopédia. A biblioteca é também conhecida pelos pequenos morcegos que aí habitam e que servem para a preservação destas obras centenárias, caçando os insetos que comem papel, tinta e a cola dos livros.

2. Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra

Por Benny Marty

Considerada em 2013 pelo jornal britânico “The Telegraph” como a biblioteca mais espetacular do mundo, a Biblioteca Joanina fica situada no Palácio das Escolas da Universidade de Coimbra. Num estilo marcadamente barroco, também foi mandada construir por D. João V, no século XVIII.

Exteriormente, destaca-se o portal nobre encimado por um grande escudo nacional. No interior, há três salas que comunicam entre si através de arcos idênticos ao portal e integralmente revestidos de estantes, decorados a motivos chineses. A nave central da biblioteca faz com que a sua estrutura se assemelhe à de uma capela, em que o retrato de D. João V ocupa o lugar do altar.

A Joanina reúne cerca de 70 mil volumes, a maior parte dos quais no andar nobre. O espaço é ainda frequentemente utilizado para concertos, exposições e outras manifestações culturais.

3. Biblioteca da Cruz Vermelha Portuguesa

Por Vânia Sobreiro

A Biblioteca da Cruz Vermelha Portuguesa fica situada na Sede Nacional da Instituição, no Palácio da Rocha do Conde d’Óbidos, em Lisboa. O edifício tem uma vista deslumbrante sobre o rio Tejo e foi classificado como imóvel de interesse público em 1993. Inaugurada em 1935, a sala é uma réplica do Salão Nobre da Academia de Ciências de Lisboa.

Vai ser difícil tirar os olhos do teto apainelado com pinturas ornamentais alegóricas às Artes Liberais e um painel central pintado em 1938 por Gabriel Constante, que reproduz a Paz de Alvalade e no qual figuram a Rainha Santa Isabel, o Rei D. Dinis e seu filho D. Afonso. Um grande lustre de cristal, produzido pela fábrica da Marinha Grande, está suspenso no centro desta pintura.

Já nas prateleiras, poderá encontrar mais de 20 mil registos bibliográficos, com a maior parte das obras a incidirem sobre o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e o Direito Internacional Humanitário. A Biblioteca da Cruz Vermelha Portuguesa está aberta ao público, mas para a visitar terá que fazer uma marcação prévia.

4. Biblioteca da Academia de Ciências de Lisboa

Por Web Summit

Outra das bibliotecas mais importantes e bonitas de Portugal é a da Academia das Ciências de Lisboa, onde estão reunidos o seu próprio espólio e o da Livraria do Convento de Jesus, entregue pelo Estado à Academia, após a extinção das ordens religiosas em 1834, juntamente com o edifício do convento.

A biblioteca guarda obras de carácter científico de autores como Johannes Kepler, Isaac Newton, Carlos Lineu, Georges-Louis Leclerc, conde de Buffon e muitos outros autores de renome, bem como de filosofia, teologia, literatura e arte. Uma das peças mais antigas é um pergaminho do início do século XII com uma doação da rainha D. Teresa ao seu filho, D. Afonso Henriques.

Parte da biblioteca está instalada num imponente salão, em tempos conhecido por “Salão de Pedro Alexandrino”, autor dos frescos do teto, e hoje o Salão Nobre da Academia, que faz parte de um edifício construído após o terramoto de 1755 e acrescentado ao Convento.

5. Livraria Lello

Por Ivo Rainha

É raro haver uma lista de livrarias mais bonitas do mundo onde a Livraria Lello, no centro histórico da cidade do Porto, não se insira. O atual edifício em que se encontra instalada foi inaugurado em 1906 e foi construído pelo engenheiro Francisco Xavier Esteves. Na época, o evento causou um grande impacto no meio cultural e teve a presença de ilustres figuras da literatura portuguesa.

Classificada como Monumento de Interesse Público em 2013, o edifício distingue-se pela sua fachada Arte Nova, com apontamentos neogóticos. No interior, para além dos livros, considerados verdadeiras preciosidades, pode admirar-se um ambiente único, onde sobressai a impressionante escadaria para o piso superior mas também as decorações em gesso pintado, a imitar madeira, e um belo vitral no teto.

As escadarias da Lello também são conhecidas por ser a inspiração da livraria onde Harry Potter conheceu Gilderoy Lockhart no livro “Harry Potter e a Câmara dos Segredos”, já que J.K. Rowling chegou a morar na cidade do Porto.

Em 1995, o interior da livraria foi restaurado, tendo também sido criado um espaço de galeria de arte e de tertúlia que se afirmou como um importante polo cultural do Porto.

O elevado número de turistas, levou a que em 2015 a entrada na livraria passasse a estar sujeita a um pagamento inicial de 5 euros, que poderá ser descontado na compra de um livro.

6. Ler Devagar

Por Frances Ellen

Fundada em 1999 no Bairro Alto, em Lisboa, a livraria Ler Devagar instalou-se, em 2008, no pólo de indústrias culturais de AlcântaraLX Factory. A Ler Devagar introduziu um novo conceito de livrarias que, para além do comércio de livros, são locais de encontro e de debate de ideias, de leitura e de manifestações artísticas.

Na época, a Ler Devagar do Bairro Alto foi considerada pela imprensa portuguesa e mundial como uma das mais completas e melhores livrarias do mundo. Hoje em dia, a livraria do LX Factory continua a ter um grande peso no meio cultural de Lisboa e contribuiu muito para colocar a zona no roteiro turístico da cidade.

Com um acervo de mais de 40 mil títulos de livros novos e de cerca de 10 mil livros usados, aqui pode também assistir a concertos, exposições e eventos. O espaço amplo, unido por uma enorme escadaria e preenchido com antigas máquinas de impressão, tem dois bares, esculturas como a famosa bicicleta voadora, e milhares de livros distribuídos por todas as paredes e espaços.

7. Livraria Santiago

Por Bosc d'Anjou

Foi pelas mãos da Ler Devagar que nasceu em 2013 a “cidade do livro” na Vila de Óbidos. Aqui, foram inauguradas no mesmo ano oito livrarias, entre as quais a Livraria Santiago, que fica situada na antiga Igreja de Santiago, templo iniciado no século XII e um dos edifícios mais emblemáticos da vila.

Situada dentro das muralhas da vila, junto à entrada do castelo, neste espaço pode encontrar além de uma grande variedade de livros, projeção de filmes, debates, lançamento de livros e exposições ou fazer uma pausa para um chá ou um café.

8. Livraria Bertrand Chiado

Por E P

Um lugar de paragem obrigatória no Chiado, em Lisboa, é a Livraria Bertrand, considerada pelo Livro do Guinness, em 2011, a livraria mais antiga do mundo ainda em funcionamento. Desde 1732 que este lugar foi testemunha de diversos acontecimentos marcantes da história além de ter tido o privilégio de receber frequentadores importantes como Eça de Queiroz, Antero de Quental, Alexandre Herculano, entre muitos outros.

Durante estes anos a Bertrand Chiado acolheu importantes discussões literárias e políticas com muitos pensadores e escritores famosos que frequentavam a livraria, não só para lerem e conviverem, mas também para participar das tertúlias que tinham lugar ali.

9. Livraria Ferin

Por Mário Correia

O nome desta livraria tem origem no apelido de uma família belga que se fixou em Portugal por ocasião das guerras napoleónicas, por volta de 1800. Maria Teresa e Gertrudes Ferin abriram um Gabinete de Leitura, onde hoje fica localizada a livraria, que funcionava mais como uma biblioteca.

Até meados do século XX, a livraria funcionava também como uma oficina de encadernação. O próprio rei D. Pedro V mandava encadernar aí todos os seus livros e chegou mesmo a nomeá-la Encadernadora Oficial da Casa Real Portuguesa.

Por ali passaram Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, e os muitos condes, marqueses e duques cujos nomes constavam no Almanaque da Casa Real que ali mesmo se imprimia. Ao longo de décadas de trabalho, muitos foram os lançamentos de livros que tiveram lugar na Livraria Ferin.

A par dos livros, a livraria vendia instrumentos de precisão e o barómetro, que ainda hoje lá está pendurado na parede e que levava muita gente a entrar apenas para saber como ia estar o tempo no dia seguinte.

10. Centésima Página

Por Rui Costa

Mesmo no centro da cidade de Braga, num edifício barroco do século XVIII, fica a livraria Centésima Página. A Casa Rolão terá sido construída entre 1759 e 1765 e foi classificada como um edifício de interesse público em 1977.

Apesar de estar localizada num edifício centenário, o espaço é amplo e o ambiente moderno. A cafetaria da livraria convida a mergulhar nos livros e deixar-se ficar aí durante horas. Mas o segredo mais bem guardado é mesmo o encantador jardim traseiro.

A pensar nas crianças, a livraria Centésima Página criou ainda o espaço infantil “100topeia”, onde livros com personagens cativantes estimulam a criatividade dos mais pequenos. A livraria tem um papel fundamental no incentivo à leitura e cultura da cidade, promovendo exposições de fotografia, ilustração, pintura e instalações, e oferecendo regularmente um calendário de atividades, que conta com apresentações de livros e workshops.

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