Ângela Coelho

Ângela Coelho

Já visitei mais de 60 países, mas é neste cantinho à beira-mar plantado ao qual deram o nome de Portugal que me sinto em casa. Sonho ir para sempre poder voltar. A inquietude e a ânsia de explorar o mundo foi o que me fez conhecer mais o meu país e as minhas raízes. Nasci no Porto em 1990, mas considero-me uma eterna nómada. Estudei Jornalismo, mas foi na escrita de viagens que encontrei a minha paixão.

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Com uma extensa costa de 943 quilómetros em Portugal continental, 667 quilómetros nos Açores e 250 quilómetros na Madeira, não é de admirar que o nosso país tenha uma notável história marítima.

“Se you falar debagarico cun bós, bós cumprendereis todo, ora si?”, atira Alcides Meirinhos, membro da Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa e um dos grandes impulsionadores do mirandês. E a verdade é que sim, conseguimos compreender tudo, ainda que nunca tenhamos tido contacto com a língua mirandesa. “Porque a língua mirandesa é principalmente uma fala”, explica o também escritor e tradutor.

Dizem que no arquipélago dos Açores há três vacas por cada habitante, mas na ilha Graciosa o burro é o rei. Raul Brandão chamou-lhe “ilha Branca” na sua obra As Ilhas Desconhecidas, de 1926, pelo casario branco e por chover pouco, o que torna a ilha seca e lhe dá uma tonalidade esbranquiçada no fim do verão.

Caretos há muitos. Mas os caretos de Podence são os únicos que têm chocalhos e que, desde dezembro de 2019, integram a lista da UNESCO de Património Cultural Imaterial da Humanidade. Todos os anos, durante o Entrudo, que este ano decorre de 22 a 25 de fevereiro, a paz que habitualmente reina nesta aldeia de cerca de 200 habitantes do concelho de Macedo de Cavaleiros é interrompida por estas personagens endiabradas que saem à rua para chocalhar as raparigas.

Muito antes da tecnologia ter tomado conta das nossas vidas facilitando (ou complicando?) as relações amorosas e conectando pessoas de todo o mundo, as declarações de amor das mulheres minhotas era feita com bordados.

Os invernos na vila de Soajo, no concelho de Arcos de Valdevez, são habitualmente longos e frios. Mas há algo que quebra a solidão e a obscuridade destes meses mais duros: os fiadeiros.

Os lugares abandonados têm um encanto especial e atraem cada vez mais turistas fascinados pela aura quase mística destes edifícios. Cada uma dessas construções enigmáticas e abandonadas no tempo carregam uma história própria e surpreendente. Apesar de vandalizados e engolidos pela natureza, continuam deslumbrantes.

Há histórias de amor que são eternas e que marcam lugares, épocas, literatura, música. Romeu e Julieta, Cleópatra e Marco António, Dom Quixote e Dulcineia são personagens que nos levam a viajar pelas histórias do seu amor e da sua tragédia e continuam a inspirar-nos. Em Portugal, a história de amor de D. Pedro e Inês de Castro marcou sem dúvida a História do país e inspirou grandes escritores como Luís de Camões, que dedicou um episódio de Os Lusíadas à “linda Inês”.

A aldeia do Chão do Brejo, na serra do Bando dos Santos, no concelho de Mação, nunca foi uma aldeia de vivência permanente. O povoado de mais de uma dezena de casas era ocupado sazonalmente pelos habitantes da aldeia do Castelo que subiam à serra nos meses de verão.

Da Guerra dos Montes ou Guerra dos Alares não rezam os livros de História. Mas quem passa pelas ruínas da antiga aldeia dos Alares, que emergem no meio da terra xistosa e seca na zona do Tejo Internacional, no concelho de Idanha-a-Nova, perguntar-se-á que estórias contarão aquelas pedras silenciosas, vestígios de um passado longínquo.