Marta Neves

Marta Neves

Castelo de Vide e Marvão são duas faces do Alto Alentejo. Se o Parque Natural da Serra de S. Mamede ampara estas vilas, quase coladas a Espanha, o que se descobre numa pouco ou nada se repete na outra. Ambas são discretos tesouros, de personalidade vincada pela História e histórias a que assistiram.

Bem no centro de Portugal, já envolta no ambiente do região do Oeste, fica Óbidos. Basta olhar esta vila de longe para se sentir o seu encanto. Mais de perto, ao entrarmos na povoação pela chamada porta da vila, que é mais do que uma simples entrada, somos de imediato recebidos por um relato de eras, o primeiro de muitos episódios protagonizados ligados a esta terra.

Alcácer do Sal é uma cidade do distrito de Setúbal, já com o pé no Alentejo e o estuário do Sado a noroeste, mostrando o caminho para o Atlântico. É um ponto elevado com o rio Sado a ligar mar e interior. Quem conduza na autoestrada A2 ali ao lado, vislumbra apenas um rasgo da sua beleza. Avisado será abrandar a velocidade e deixar-se levar, sem pressas em direção à próxima saída.

Os romanos chamavam-lhe Mírtilis Júlia. Mais tarde, os muçulmanos mudaram-lhe a designação para Martulá. Mértola sempre foi apetecível. A geografia do lugar favorecia esta atração. O Guadiana, ao passar ali tranquilamente assegurava comunicações e uma via de comércio única.

Castro Marim é uma mão cheia de cores e formas: o castanho seco dos montes, pontuado pela sombra da vegetação mediterrânica, é suavizado pelo Guadiana, quando o rio chega perto da foz, pronto a juntar-se ao Atlântico. Do lado do sapal, a alvura dos montes de sal é tingida por bandos garridos de flamingos nas lagoas da Reserva Natural de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

EN 2, ou apenas N 2, são as siglas de Estrada Nacional 2. Quem pegar no mapa de Portugal e traçar uma linha entre a Régua e Faro fica com uma ideia do passeio que este itinerário propõe, por um país longe de portagens, áreas metropolitanas ou pressas consumidoras.

Ir em busca do Vale do Varosa implica poisar os olhos a norte de Portugal, entre Tarouca e Lamego. Este é um dos muitos recantos silenciosos, de paisagens magníficas, pontuadas por uma fauna e flora exuberantes. É também uma área denominada “território histórico”, marcada pela herança monástica. Os monges das ordens de Cister e dos Franciscanos criaram aqui raízes desde o início do reino.

Situada no sudoeste algarvio, Lagos é daquelas cidades de personalidade forte. O passado histórico e os dias de hoje casam facilmente, talvez por o denominador comum ser o mar. Lagos sempre abraçou o oceano em frente, com o norte de África num horizonte não muito distante de resto, o motivo para ter sido estratégico logo no início dos Descobrimentos, pela mão do Infante Dom Henrique que a engrandeceu.

Esta é uma vila singular: cresceu debruçada sobre o mar, embora ligada à Serra de Sintra. A uma distância conveniente de Lisboa, mistura o perto e o longe que se quebra rapidamente, num passeio de comboio junto à costa. Com vida própria, Cascais mantém o seu encanto sereno, pontuado por entusiasmos maiores. Procurámos captar essa essência através de oito sugestões percorrendo mar, serra, História, património, cultura e lazer.
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