Lisboa

Lisboa. Por mlehmann78

Não é de estranhar que um país como Portugal, com 840 anos de história, tenha tido várias capitais. É provável que pense imediatamente em Guimarães como capital do então Condado Portucalense. Mas a História conta que houve mais três, para além de Guimarães e da atual Lisboa. Não acredita? Então descubra connosco as cinco cidades que já foram capital de Portugal.

1. Guimarães

Castelo de Guimaraes

Castelo de Guimarães. Por Marco Aldeia

A cidade que é apelidada de “berço de Portugal” e que exclama bem alto que “aqui nasceu Portugal” tinha que ser a primeira capital do então Condado Portucalense e depois do país. Guimarães é uma das mais importantes memórias vivas da afirmação e independência de Portugal. Acredita-se que D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, terá nascido em Guimarães em 1109.

Guimarães guarda os vestígios dos primeiros passos dos portugueses que ainda hoje se mantêm vivos na cidade, conferindo-lhe uma essência e singularidade especial tão procuradas e apreciadas pela população e pelos turistas.

2. Coimbra

Túmulo de D. Afonso Henriques, Coimbra. Por Vitor Oliveira

A partir de 1131, D. Afonso Henriques instalou-se em Coimbra, onde poderia mais facilmente desencadear operações de ataque contra os mouros, estender os territórios do condado e reivindicar um reino. Desta forma, Coimbra renasce e torna-se a cidade mais importante abaixo do rio Douro, tornando-se assim capital de Portugal.

Esta mudança trouxe grandes benefícios para a independência do país, quer a nível económico, como político e social. Até 1255, Coimbra manteve-se capital de Portugal. Foi ainda nesta cidade que faleceu D. Afonso Henriques, em 1185.

3. Lisboa

Terreiro do Paço, Lisboa. Por Nan Palmero

A atual capital de Portugal começou por ser capital com a mudança da família real para esta cidade, que se tornava cada vez mais próspera. Com o desenvolvimento notório do estuário, D. Afonso III conseguiu ver oportunidades para fazer o condado crescer, nomeadamente a facilidade em receber navios de mercadorias.

Apesar de não ter sido oficializado por escrito, Lisboa era considerada capital uma vez que a corte vivia permanentemente aí.

4. Rio de Janeiro

Rio de Janeiro. Por Breogan67

No início do século XIX as invasões napoleónicas assolaram a Europa. Depois do bloqueio de todas as trocas comerciais com Inglaterra, o Príncipe regente D. João, a família real e a sua corte não tiveram outra alternativa que escapar para uma das suas colónias, o Brasil.

Assim sendo, a frota constituída pelo príncipe, a sua mãe D. Maria I, a princesa Carlota Joaquina e as crianças, incluindo D. Pedro que viria a ser o futuro Imperador do Brasil, e mais cerca de 15 mil pessoas, desembarcam no porto de Salvador na Baía a 22 de Janeiro de 1808.

No entanto, o principal destino da corte portuguesa seria chegar à capital da colónia, o Rio de Janeiro, onde desembarcaram em março do mesmo ano, instalando-se aí a então capital de Portugal. Foi nesta época que o Rio de Janeiro sofreu as mais profundas alterações, e pela primeira vez na história, uma colónia tornou-se a sede governamental de um Reino.

5. Angra do Heroísmo

Angra do Heroísmo. Por David Stanley

A riqueza do solo e a relativa segurança oferecida pela sua baía fizeram de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, o porto militar dos Açores, onde as armadas da Índia se reabasteciam e navios de outras proveniências demandavam com intuitos comerciais. Nestas condições, foi notável o rápido desenvolvimento de Angra do Heroísmo que foi capital do reino de Portugal em circunstâncias críticas, por duas vezes.

A primeira, entre 5 de agosto de 1580 e 5 de agosto de 1582, quando D. António, Prior do Crato, ali estabeleceu o seu governo. A segunda deu-se uns anos mais tarde, em 1830, devido ao facto da cidade açoriana se ter tornado o centro do movimento liberal português, abraçando a causa institucional aqui estabelecida em nome de Maria II de Portugal, a Junta Provisória, em 1828.

3 Comentários publicados

  1. João Pedro
    Publicado 25 Fevereiro 2020 em 15:43

    Coimbra foi Capital de Portugal até 1772 por decreto de D. José I Rei de Portugal.

    D. Afonso III no tempo deste não existe carta alguma que Lisboa passou a Capital.

    Agora provas: Neste registo não diz que é capital.

    ELREY D. AFFONSO III.

    XIX. Efte Sello he de cera vermelha, pendente de hum cordão de leda vermelha, com efta letra: Sigillum Domini Alphonli Regis Portugalia O* Algarbii, o qual fe coníèrva na fórma, que fica gravado.

    Eftá em huma tranfacçaõ feita na Cidade de Lisboa de huma tenda à Magdalena: foy celebrada em Lisboa a 13 de Julho da Era de 1514 , que he Anno de Chrifto de 1266. Eftá na Cafa da Coroa na gaveta 3, maço

    XX. Efte Sello he de cera vermelha, pendente de íêda da mefma cor, com efta letra: Sigillum Al’fonfi Regis Portugalis: O*: Comitis: Bolonia.

    Eftá em huma doaçaõ, que o dito Rey fez a D. Martim Fernandes, Meftre de Aviz , e ao íèu Convento , e a todos feus fucceílòres do Padroado de todas as Igrejas, que elle havia, e de direito devia haver em a Villa deEftremoz, edificadas, epor edificar. Foy feita em Lisboa aos 28 de Mayo, Era de 1268 , que he Anno de 1230. Eftá na dita Cafa, gaveta 4, maço 2.

    Agora relativo a D. José I

    ESTATUTOS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA.

    DOM JOSÉ POR GRAÇA DE Deos Rei de Portugal, e dos Algarves, d’aquém, e d’além mar, em África Senhor de Guiné , e daConquiíla, Navegação, Commercio da Ethiopia, Arábia, Períia , e da índia , &c. Aos fieis VaíTallos de todos os Eílados dos Meus Reinos, e Senhorios, Saúde. Havendo verificado na Minha Real Prefença a Junta de Providencia Literária (creada pela Minha Carta de vinte e três de Dezembro de mil fetecentos e fetenta) em Confulta de vinte e oito de Agoílo do anno proximo paíTado pelo Compendio Hijlorico do Eftado da Univerfidade de Coimbra, que com ella íubio; não fó os deploraveis eílragos, com que foram inteiramente deftruidos os Sinco Primeiros Corpos de Eílatutos Academicos , que em Portugal, e no Algarve regeram os Eíludos das Artes Liberaes, e das Sciencias, em que os Súbditos

    tos da Minha Coroa fe fizeram tão famofos em todas as Partes do Mundo; mas tambem as façanhofas maquinações , com que nos lugares das fobreditas Legislações fecundas , e frucluofas fé introduziram, e fizeram valer nos tempos de calamidades , e de perturbações, outras Leis tão eftereis, e tão perniciofas; como foram a dos Sextos Eftatutos promulgados no anno de mil quinhentos noventa e oito; e a da apparente Réformação delles publicada no anno de mil feiscentos e doze; ao mefmo tempo, em que aílim os fobreditos Sextos Eftatutos, como a íbbredita apparente Reforma fe demonílrou na Minha Real Prefença pelos mais circumfpeótos, e concludentes exames , que conílituíram hum notorio Syílema de ignorância artificial \ e hum Aggregado de impedimentos dirigidos a impoíTibilitarem o progrefíb dosmefmosEfludos, que com inaudito dolo fe íimulou , que fe procuravam promover: E Tendo claramente vifto, e ponderado tudo o referido: Por me pertencer como Rei, e Senhor Soberano, que na Temporalidade não reconhece na Terra Superior; como Protector da fobredita Univerfidade ; e como Supremo Magiflrado; remover dos Meus fieis Vaffallos a intoleravel opprefsão de huma tão injuriofa , e prejudicial ignorância; e facilitar-lhes (quanto poíTivel for) os meios de ferem reftitui dos dos á quaíi poíTe das Artes Liberaes, e das Sciencias , de que foram tão temerariamente esbulhados pela fobredita intolerável opprefsão: Fui fervido ordenar á mefma Junta em Refolução de dous de Setembro do anno proximo paíTado de mil fetecentos fetenta e hum, que, applicando-fe com o mefmo zelo, com que fe tinha empregado neíle importante negocio , até o completar inteiramente j fizeíTe fubir as Minutas dos Eítatutos, e dos Curfos Scientificos, que deviam reger a fobredita Univeríidade; para Eu fobre elles determinar o que me pare ceife mais conveniente ao ferviço cie Deos , e Meu, e ao Bem Commum dos Meus Vaflallos. E porque havendo-me fido aprefentados os referidos Eítatutos, e Curfos Scientificos; primeiro nas Minutas , e depois no Original delles; e havendo íido muitas vezes por Mim reviílos, conferidos, e examinados, com o concurfo de hum maior numero de Miniílros, muito doutos, muito tementes a Deos, e muito da Minha confiança; fe achou, que eftavam conformes em tudo com aquella Minha Refolução j muito accommodados ao bem , e augmento da fobredita Univeríidade; e muito úteis para os progreíTos das Sciencias , e Artes, que nella fe devem enfinar: Com todas eftas, e outras caufas de ordem fuperior: Hei por bem, e Me praz: Que os referidos Eítatutos, que vão

    divididos nos três Livros, que nelles fé contém, os qnaes tem as folhas declaradas no Termo de Encerramento , que vai no fim delles , efcritas de ambas as partes; e aíTinadas na Primeira Pagina de cada huma delias pelo Marquez de Pombal, que no Meu Real Nome Mando adita Univerfidade reítituir, e eftablecer os fobreditos Eíludos; tenham toda a força , e vigor de Leis, e de Eílatutos perpetuos , por que a dita Univerfidade de Coimbra fe reja , e governe: Que comecem a ter força, e vigor, e a obrigar defde a hora, em que eíla Minha Carta for aprefentada, e publicada em plena AíTembléa da Congregação Geral de todas as Faculdades: E que depois deita publicação, os Reitores , Cancellarios, Lentes, Deputados das Congregações das fobreditas Faculdades, Confelheiros , Confervadores, Ouvidores, Eíludantes, Officiaes, e mais PeíToas delia, os cumprem, e guardem; fem poderem ufar de quaefquer outros, que em contrario haja; para o que os Hei por caíTados, revogados, e por de nenhum effeito, como fe nunca houvefíem exiílido. E outro íim Hei tambem por revogados de Meu Motu Proprio, Certa Sciencia, Poder Real, Pleno, e Supremo; não fó todos, e quaefquer Privilegios concedidos a quaefquer Pefíbas, ou Communidades; e não fó todas as Provisões, Cartas Minhas, ou dos Senhores res Reis Meus Anteceflbres, poílo que tenham Claufulas, de que fe haja de fazer exprefla menção; mas tambem quaefquer Sentenças, que em contrario fe déíTem , no que forem contrarias a eíles Eílatutos, para o plenário eíFeito delles fomente. Outro fim Hei por bem , por juílos refpeitos, que a iflb me movem, que eíles Eílatutos em geral, ou em particular, não poíTam em tempo algum fer revogados , ou alterados com os motivos de quaefquer Leis, Privilegios, Provisões , Cartas Minhas, ou de Meus Succeílbres, com quaefquer Claufulas derogatorias, por efpeciaes que fejam , fem delles fe fazer exprefla, e efpecifica menção de verbo ad verhim. Ê Mando á Meza do Defembargo do Paço; Regedor da Gafa da Supplicacao; Meza da Confciencia , e Ordens; Real Meza Cenforia; Governador da Relação, e Gafa do Porto ; Confelheiros, Deputados, Defembargadores dos fobreditos Tribunaes, e Relações; e a todas as mais Juíliças de Meus Reinos, e Senhorios, Officiaes de Minha Fazenda; e todos, e quaefquer outros, que em tudo cumpram , e façam inteiramente cumprir, e guardar tudo o conteúdo neíles Eílatutos em Juízo, e fora delle; fem embargo de quaefquer Leis, Eílylos, Ufos, Coílumes, poílo que antigos , e immemoriaes , de qualquer maneira approvados , que em contrario haja , cujo theor aqui Hei por exprefíb com as Claufulas de Certa Sciencia, e as mais aíTima referidas. E eíla Quero que valha , e tenha força , e vigor , como Carta paíTada pela Chancellaria , fellada com o Meu Sello , poílo que o não feja, e que o feu effeito haja de durar hum, e muitos annos; fem embargo das Ordenações do Livro Segundo , Títulos Trinta e nove, e Quarenta; e de quaefquer outras , que haja em contrario , que todas Derogo , e Hei por expreffas , e efpecialmente derogadas para eíle eífeito fomente. E Ordeno, e Alando , que eíle Original fe ponha no Cartorio da Univerfidade; e aos Traslados, ou Exemplares ImpreíTos aífinados pelo Reitor da dita Univerfidade, em que for trasladada eíla Minha Carta, fe dê tanta fé, e credito, como ao dito Original. E por quanto eíla Minha Carta ha de fer incorporada no Livro dos Eílatutos , Hei por bem , que pelos ditos Traslados aíTinados pelo Reitor , íê regiíle nos Livros da Meza da Confciencia , e Real Meza Cenforia , em que fe regiílam femelhantes Cartas , e Alvarás. E .Mando outro fim á Meza do Defembargo do Paço, Regedor da Cafa da Supplicação, e Governador da Relação , e Caía do Porto , que pelos ditos Traslados façam regiílar eíla Minha Carta nos refpeótivos Livros , a que pertence , para que em todo o tempo fe faiba, que que Hei por bem , e Meu Serviço tudo o conteúdo nella. Dada no Palacio de NoíTa Senhora da Ajuda aos vinte e oito dias do mez de Agofto do Anno do Nafcimento de NoíTo Senhor Jefus Ghriílo de mil fetecentos fetenta e dous.

    EL R E Y.Com Guarda

    Marquez âe Pombal

    cArta de Coloração dos Eftatutos , que Vojfa Mageflade he fervido eflaUecer para a nova creação da Vniverfidade de Coimbra; na forma ajflma declarada.

  2. João Pedro
    Publicado 25 Fevereiro 2020 em 15:53

    Cara Senhora um Reino aonde tivesse uma universidade era a capital de Portugal e em todos os registos da Realeza Portuguesa, falam de Lisboa Capital depois de 1834

    CASA REAL PORTUGUEZA.

    LIVRO V.

    CONTÉM A SERIE CHRONOLOGICA

    dos Reys,

    Formada dos próprios Se lios %eaes,

    Principiando em EIRey D.Affonfo I. até EIRey Dom Joaó V. noílò Senhor, e alguns de pefíbas Reaes, eas moedas antigas, e modernas deite Reyno.

    H IS T O R I Á GENEALÓGICA DA CASA REAL PORTUGUEZA.
    CAPITULO L

    Em que fe moRra quaes fardo osSetios Reaes nefic Reyno.

    ENTRE os venerados monumentos da antiguidade, íàõ os Sellos huma das provas , em que fe funda a Hiftoria , e a Genealogia, como em verdadeiros, e indubitaveis documentos coetanos , que mudamente reprefentaõ a foberania, e a nobreza , aflim nos Principes, como nos grandes VaíMos; dando Tom. IV. A ii a coa conhecer em huns o illuftre, e o antigo das famílias , e em os outros a elevaçao, e a magnificencia da Mageftade.

    Mais um registo, as pessoas inventam muito, crêem em coisas que não existem, supuseram que fosse assim determinado que Portugal tivesse X capitais, mas não existem provas das 5, só para três, Guimaranes, Coimbra e Lisboa.

  3. Ângela Coelho url url'>Ângela Coelho
    Publicado 27 Fevereiro 2020 em 12:00

    Olá João Pedro! Muito obrigada pelo seu contributo.

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