Interior da mina de sal-gema de Loulé. Fonte: Tech Salt

Diz a sabedoria popular que depois da tempestade vem a bonança. Foi mais ou menos isso que aconteceu nos anos 50 na então pequena vila de Loulé, no sul de Portugal. Na década de 50, a região foi assolada por uma seca extrema que obrigou os habitantes, cujo principal sustento era a agricultura e a criação de gado, a afundar os poços que já tinham em busca de água.

Contudo, o que aconteceu foi que à medida que afundavam esses poços, a água começava a sair cada vez mais salgada. Até que as pessoas acabaram por desistir, porque por muito que afundassem os poços, a água continuava a sair imprópria para consumo. A população decidiu então que o melhor seria chamar especialistas à região para perceber o que se passava.

Quando os geólogos atingiram os 100 metros de profundidade descobriram a primeira camada de sal e aí perceberam que havia ali um depósito de sal. Mas foi só quando chegaram aos 230 metros de profundidade que os especialistas perceberam que não era apenas uma fina camada de sal, mas sim um depósito maior do que se pensava na altura.

A mina de sal-gema de Loulé foi assim descoberta por acaso. “As pessoas estavam à procura de água, encontraram água salgada e depois sim, chegámos até ao sal”, explica Adriana Pedro, guia da Tech Salt, empresa que explora atualmente a mina, que só começou a ser construída em 1964.

Era uma vez há 230 milhões de anos

Interior da mina de sal-gema de Loulé. Fonte: Tech Salt

O nosso sal tem cerca de 230 milhões de anos porque foi nessa altura que tudo isto se começou a formar.”, começa por dizer a guia da Tech Salt. E é precisamente a origem da mina que a torna tão única e especial.

Há cerca de 230 milhões de anos, nesta região existia o mar de Tétis, numa altura em que havia um só continente, a Pangeia, que a partir de determinada altura se fraturou e ficou subdividida em dois: a Laurásia e a Gondwana. Quando isso aconteceu, surgiu então este mar no meio a separar esses dois continentes que ficava exatamente onde agora existe a mina.

O mar de Tétis era muito calmo e pouco profundo. À medida que os continentes se iam movimentando e se começaram a afastar toda essa água que existia no mar de Tétis começou a evaporar. Portanto, este mar acabou por secar e ao longo dos vários milhões de anos, não só o sal como vários outros minerais que estão presentes na mina começaram a sedimentar-se e foram ficando ali depositados camada após camada.

Portanto, há cerca de 230 milhões de anos, todo o sal que hoje em dia encontramos apenas a partir dos 100 metros de profundidade costumava estar na superfície. “Nós temos realmente do sal mais antigo de Portugal”, remata Adriana Pedro.

O local turístico mais profundo do país

Interior da mina de sal-gema de Loulé. Fonte: Tech Salt

Desde outubro de 2019 que quem quiser pode descer até 230 metros de profundidade e visitar esta mina que é considerada o local turístico mais profundo de Portugal. Num percurso de cerca de 1.3 quilómetros, os visitantes conseguem perceber o que é que a mina já foi em tempos e como é que tudo funciona agora.

Numa visita guiada de cerca de duas horas irá poder descobrir o que se esconde debaixo da cidade de Loulé naquela que é a única mina portuguesa visitável abaixo do nível do mar.

Interior da mina de sal-gema de Loulé. Fonte: Tech Salt

Mas desengane-se se pensa que vai descer e ver tudo branco. “O nosso sal-gema tem um tom acastanhado porque nós não temos só sal”, afirma Adriana Pedro. Na verdade, o sal que irá encontrar nesta mina é constituído por 93% de cloreto de sódio e 7% de outros minerais, tais como argila, cloreto de potássio, cloreto de magnésio, ferro e gesso.

Esta mistura faz com que este sal não possa ser usado para consumo humano, uma vez que não atinge o nível de pureza exigido por lei (cerca de 97%). Portanto, o sal-gema da mina de Loulé é essencialmente usado na segurança rodoviária, para derreter o gelo e a neve que ficam nas estradas, e também em ração de animais.

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2 Comentários publicados

  1. José Marques
    Publicado 10 Dezembro 2020 em 22:20

    O link está errado pois a empresa que explora a mina é a Tech Salt que tem um site dedicado à mina, ao minério e ao turismo mineiro.
    http://www.TechSalt.pt

    • Ângela Coelho url url'>Ângela Coelho
      Publicado 14 Dezembro 2020 em 8:47

      Olá José Marques! Muito obrigada pelo seu comentário e esclarecimento. O link já foi atualizado.

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