Ingreja Nossa Senhora da Piedade, Loulé, Portugal

Ingreja Nossa Senhora da Piedade. Por Tim HvW

Loulé é a capital do maior concelho do Algarve, que vai do litoral à fronteira com o Alentejo. Esta foi uma área ocupada desde sempre pelo Homem. A história de Loulé é expressão do cruzamento e sobreposição de culturas ao longo dos tempos.

Há presença humana nestas paragens desde o Paleolítico. Mais tarde, na Era dos Metais, o território é procurado por civilizações mediterrânicas, entre elas a fenícia e a cartaginesa. A partir do século II a C. é a vez de os romanos deixarem uma marca significativa, em especial através da exploração mineira de metais, como o cobre e o ferro, do desenvolvimento da indústria das conservas e da agricultura.

Seguem-se os muçulmanos, que conquistam Loulé no século VIII. Os cronistas árabes Ibne Saíde e Abd Aluhaid escrevem sobre Al-‘Ulya’ (Loulé). Descrevem-na como como sendo uma pequena povoação (Almedina) fortificada, rodeada por uma terra rica em recursos. Em 1249, no reinado de Afonso, III, com o movimento da reconquista, D. Paio Peres Correia toma o castelo de Loulé aos muçulmanos. E em 1266 o rei concede o foral à vila.

Com uma grande vitalidade económica, Loulé revela vida e ritmos próprios: a cidade tem-se reinventado e crescido, mas sempre preservando a identidade.

A sugestão é começar este reconhecimento pelo centro histórico. O ponto de partida pode muito bem ser o Mercado Municipal. O edifício foi construído há mais de um século, entre 1904 e 1907. Mais próximo de nós, em 2007, foi restaurado e apetece conhecê-lo. Dele evidencia-se o estilo neo-árabe, com os seus arcos em forma de ferradura e vários minaretes. No interior vive-se a azáfama dos mercados típicos algarvios: o peixe vindo do mar aqui perto, os legumes e frutas daas terras em volta e da região encontram-se em abundância. Os produtos tradicionais enchem as bancas: das azeitonas aos frutos secos. Cores, aromas, vozes; gentes da terra, os estrangeiros convertidos à terra e turistas, tudo e todos confluem aqui.

Por Episousa

Saindo do mercado, mesmo ao lado, iniciam-se as ruelas da cidade antiga. Estas vão da Igreja Matriz às muralhas do castelo. São um emaranhado de vielas estreitas, cujo desenho ainda vem do período medieval. Numa primeira visita é fácil perdermo-nos. O conselho é para se ir à descoberta sem plano prévio; as saídas rapidamente vão surgir. Passamos por pequenas lojas ligadas ao artesanato, com artesãos ali a trabalhar, mantendo vivas as suas artes. Este é também o cenário escolhido para o Festival MED, que acontece no início de cada Verão e que encontra aqui o ambiente perfeito para espalhar os palcos com músicas e músicos do Mediterrâneo que atuam durante três dias e noites.

Ao chegar a um largo mais amplo vemos a Igreja de S. Clemente ou Igreja Matriz, um edifício gótico do século XIII, construído sobre o espaço outrora reservado a uma mesquita. Vale a pena reparar num detalhe curioso relacionado com a torre do sino: esta era originariamente o minarete da mesquita que ali existia. À frente do adro da Igreja fica o Jardim dos Amuados, antigo cemitério, hoje um local com uma vista maravilhosa sobre Loulé e arredores.

Se se seguir por instinto por um dos muitos caminhos, iremos desaguar numa praça, onde. Numa das suas paredes se lê: “Banhos Islâmicos”. Esta é uma das preciosas descobertas arqueológicas que veio acrescentar mais uma linha de história em Al-‘Ulya. Nesta Loulé moura, os banhos foram construídos na porta de entrada de Loulé, funcionando entre os séculos XII e XIII.

Continuando a caminhada, um pouco mais adiante fica O Museu Municipal de Loulé, a funcionar na antiga alcaidaria do castelo de Loulé. Nas três salas que o compõem apresenta uma exposição de achados arqueológicos que confirmam a presença do Homem ao longo de várias épocas, desde a pré-história passando pelo período Romano e Muçulmano a seguir, continuando pela Idade Média, até à Idade Moderna.

Nas proximidades do Museu Municipal iremos cruzar-nos com uma construção do século XVII, a Ermida da Nossa Senhora da Conceição. Devido ao aspeto discreto do seu exterior, esta capela passa bastante despercebida. Contudo, o seu interior contrasta pela sua beleza imensa, em que se destacam as paredes ornamentadas com painéis de azulejos, cujo colorido alterna com a talha dourada do altar mor.

Loulé, Algarve, Portugal

Mercado de Loulé. Por blende40

Se se descer a rua e se continuar em direção ao Largo Afonso III, podemos apreciar uma parte das muralhas do castelo. As suas origens são muçulmanas. De resto a muralha, apresenta ainda hoje uma torre albarrã, chamada torre da Vela, que corresponde a uma parte saliente da muralha. No entanto, tudo o resto que hoje se pode apreciar é já obra do reinado de D. Afonso III.

Subimos agora a Avenida de José Mealha, a principal artéria da cidade atual. Ainda se há de avistar o Arco do Pinto e, muito próximo, o Edifício da Câmara com a torre do relógio. Nesta enfiada são vários os cafés de portas abertas para oferecer o melhor da pastelaria regional feita de bolos de amêndoa e gila, mel ou alfarroba. Vale a pena passar pelo centenário Café Calcinha, renovado há relativamente pouco tempo.

Em relação ao calendário de festividades, importa reter dois momentos:

  • O primeiro, é o Carnaval de Loulé. Este evento tradicional prolonga-se por 5 dias. O seu programa é, de ano para ano, mais rico e variado. O momento alto é o cortejo de carros alegóricos percorre a avenida principal da cidade, acompanhado por foliões e cabeçudos.
  • A época da Páscoa fica marcada pela Festa da Mãe Soberana. Esta é uma procissão feita em nome da Nossa Senhora da Piedade. Todos os domingos de Páscoa é a chamada festa pequena . Nesse dia, a imagem da Nossa Senhora é transportada do seu santuário, situado num cimo do cerro, às portas de Loulé, para a Igreja de São Francisco. 15 dias depois é a Festa Grande: depois de uma missa, a imagem volta a ser levada para o seu santuário. Esse trajeto dá azo a uma grande procissão que atrai crentes e visitantes.

Alta. Por Zoltan

Em redor do Concelho de Loulé há ainda três lugares essenciais a visitar: S. Lourenço, Querença e Alte.

O primeiro, na freguesia de Almancil, guarda um dos maiores tesouros artísticos algarvios do período barroco: a Igreja Matriz de S. Lourenço. É notável a beleza visual que nos chega através dos azulejos figurativos que a ornamentam ao longo das paredes da nave, da cúpula e da abóbada.

Um pouco mais a norte fica a povoação de Alte, na transição entre o Barrocal e a Serra do Caldeirão. Aqui sente-se o Algarve genuíno e antigo, basta passear por entre as ruelas feitas em calçada, passando por casas, com açoteias e as chaminés típicas, onde o branco da cal é a mancha dominante, pontuado pelo ocre e o azul forte. À sua volta corre a Ribeira de Alte. Um pouco mais abaixo ainda a Fonte Grande e a Fonte Pequenas. Estes lugares convidam a agradáveis passeios.

Querença é outra típica aldeia Algarvia, nascida no cimo de um monte, também ela entre o Barrocal e a Serra. As casas descem ao longo da encosta, enquanto no ponto mais alto se avista a Igreja Matriz (Igreja de Nossa Senhora da Assunção). As tradições gastronómicas, o artesanato e a produção de licores mantêm-se aqui intactos. Além disso destaca-se a paisagem protegida da Fonte da Benémola. Esta é atravessada pela Ribeira da Menalva que leva água durante o ano inteiro, algo raro no Algarve. Devido a estas condições a fauna e a flora à volta são abundantes e diversificadas. Os passeios pedonais são por isso uma sugestão imperdível nesta zona.

Casas em Loulé

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