Porto Covo

Porto Covo. Por Nuno Silva

Nas palavras da célebre canção de Rui Veloso, “havia um pessegueiro na ilha”. Mas quem for visitar a ilha do Pessegueiro à procura da famosa árvore de fruto vai ficar desiludido, porque na realidade esta pequena ilha ao largo da freguesia de Porto Covo, na costa alentejana, guarda apenas vestígios de uma velha muralha e de um porto romano.

Não há pessegueiro “plantado por um Vizir de Odemira”, que, como conta a lenda, era um invulgar jovem sábio conselheiro de um poderoso Sultão que se apaixonou pela Costa Vicentina, como canta Rui Veloso. Mas os historiadores acreditam que a ocupação desta costa remonta a navegadores cartagineses, numa época anterior à Segunda Guerra Púnica (218-202 a. C.).

Durante a invasão romana da Península Ibérica, a ilha abrigou um pequeno centro pesqueiro, do qual é ainda possível ver hoje vestígios recentemente descobertos de tanques de salga de peixe, que curiosamente dá o nome à ilha. Pessegueiro viria do termo latino piscatorius ou piscarium que faz referência a peixe.

Ilha do Pessegueiro

Ilha do Pessegueiro. Por Vitor Oliveira

Na época da Dinastia Filipina, projetou-se ampliar aquele ancoradouro natural com o objetivo de evitar que corsários o usassem como ponto de apoio naquele trecho do litoral. Um conjunto de grandes pedras foi ali colocado para ligar a ilha do Pessegueiro à linha costeira.

A partir de 1590, no âmbito desse projeto, foi iniciado, em posição dominante na ilha, a edificação do Forte de Santo Alberto do Pessegueiro, também conhecido como Forte da ilha do Pessegueiro, com a função de cruzar fogos com o Forte de Nossa Senhora da Queimada do Pessegueiro, que lhe era fronteiro, no continente.

Forte de Nossa Senhora da Queimada. Por Vitor Oliveira

A construção do Forte de Santo Alberto foi interrompida em 1598, devido à transferência do seu responsável para as obras do Forte de Vila Nova de Milfontes, e por esse motivo nunca foi concluído.

A ilha do Pessegueiro ganhou fama como refúgio de piratas. Conta uma das lendas locais que chegaram à ilha piratas vindos do norte de África, que ali só encontraram um eremita, decidido a defender a capela à sua guarda e a impedir o seu próprio cativeiro. Os piratas mataram o eremita, saquearam a capela e atiraram para um silvado a arder a imagem da Virgem e depois partiram. Quando os habitantes de Porto Covo chegaram à ilha procuraram a imagem e descobriram-na intacta, colocando-a numa outra ermida, que passaria a ser conhecida por Capela da Nossa Senhora Queimada.

É possível fazer uma visita guiada à ilha do Pessegueiro de junho a setembro em barcos que saem de Porto Covo.

Porto Covo, um postal da Costa Vicentina

Praia da ilha do Pessegueiro

Praia da ilha do Pessegueiro. Por Luís Cardoso

Inserida no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a freguesia de Porto Covo, no concelho de Sines, é uma pitoresca povoação de pescadores, com pequenas casas brancas, que foi recuperada pelo Marquês de Pombal depois do terramoto de 1755.

Vale a pena visitar este postal ilustrado da região pelas bonitas praias escarpadas e escondidas que se encontram ao longo da costa. Uma dessas praias é a praia da ilha do Pessegueiro, que fica mesmo em frente à ilha, tem parque de estacionamento e um restaurante para petiscar a gastronomia local.

Na aldeia de Porto Covo existe ainda a praia Grande, uma das mais procuradas por locais e turistas. Com bons acessos, espaçosa e abrigada pela falésia, é umas das mais concorridas durante o verão. Esta praia tem bandeira azul e é bastante frequentada por surfistas.

Entre outras praias da região encontram-se a praia do Espingardeiro, a praia Pequena, a praia dos Buizinhos e a baía de Porto Covo, estas mais pequenas.

Casas de campo em Sines

Publique um comentário

* Estão marcados os campos obrigatórios.