Catedral de Évora. Por MiguelG

Esta calorosa cidade alentejana tem muitas particularidades inusitadas. Uma capela forrada a ossos? Mas quem se terá lembrado disso? Um templo românico semelhante à Acrópole de Atenas? Um cromeleque mais antigo do que o próprio Stonehenge, mas que pouca gente conhece? Pois é, a história do mundo pode ser visitada em Évora. Do Neolítico aos dias de hoje, passando pelas poderosas influências romanas e católicas, Évora conservou de tudo com delicadeza e mestria nesta longa e demorada linha do tempo. Vamos então fazer uma viagem a Évora… e pela história da humanidade.

Fazemo-nos à estrada em direção a um Alentejo que, já sabemos, estará soalheiro e convidativo à descoberta dos seus tesouros. O primeiro destino é o Cromeleque dos Almendres, localizado na freguesia de Nossa Senhora da Guadalupe, a cerca de 10 km de Évora. Antes de mais, passemos a explicar: um cromeleque é um conjunto de menires em pedra compostos normalmente em círculo e que datam do Neolítico, período da humanidade que vai desde o X milénio a.C. ao III milénio a.C.

Esta pequena freguesia guardava um tesouro histórico que, imagine-se, só foi descoberto em 1964, aquando de uns trabalhos de mapeamento do território. As gentes daquela terra chamavam-lhes ‘pedras talhas’ e não faziam ideia do que ali tinham. Pois bem, são 95 monólitos dispostos em forma circular, com algumas das pedras a terem perto de três metros de altura. Algumas têm até inscrições rupestres. A cerca de um quilometro está um menir isolado, a maior e mais alta pedra, que se relaciona com o cromeleque porque o alinhamento entre ambos coincide com o nascer do sol no solístico de verão. Crê-se que estas edificações estejam relacionadas com práticas culturais agro-pastoris dos povos neolíticos e que eram usadas para celebrações relacionadas com os grandes ciclos da natureza.

A estrutura tem cerca de sete mil anos, sendo mais antiga que o conhecido britânico Stonehenge, que tem cerca de cinco mil anos. Este tesouro do período Neolítico em terras portuguesas é um dos maiores e mais importantes monumentos megalíticos do mundo, não só pela grandeza, como pelo seu excelente estado de conservação. Afinal, passaram sete mil anos… Desde 2015, é classificado como Monumento Nacional.

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Para lá chegar, é preciso ir de carro, ou então pode fazer um tour a partir de Évora, e conhecer não só esta como outras estruturas da época que se encontram nesta região, o que prova que já era uma zona muito apreciada desde os primórdios da humanidade. Para saber mais sobre esta época, visite o Núcleo Interpretativo do Megalitismo de Évora.

Feita a visita, dirigimo-nos a Évora, onde chegamos em poucos minutos. A cidade é murada e tem várias portas que dão entrada à cidade velha. Rapidamente chegamos ao centro, a Praça do Giraldo. Também esta muralha está muito bem conservada, apesar dos seus séculos de edificação. A parte mais antiga foi erigida no século III, no período romano, e fica junto à Catedral de Évora. Esta cidade sabe, de facto, conservar a história.

Já que entrámos no período romano e na parte velha da cidade, vamos ao templo românico mais conhecido de Portugal, o Templo de Diana. Imponente, este exemplar de arquitetura religiosa romana data do século I e tem uma planta retangular (25x15m). Estava enquadrado por tanques, criando um raro efeito de espelho de água. Deve ter sido dedicado ao culto imperial e não à deusa Diana, a da caça, como é designado desde o séc. XVII até aos nossos dias. Foi reutilizado ao longo dos séculos, sobretudo, como açougue municipal. O seu aspeto atual deve-se às obras de libertação das paredes em 1870. É, hoje, o símbolo de Évora e está sempre rodeado de turistas.

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Se é fascinado pelo período áureo romano, Évora tem decididamente de fazer parte do roteiro. Nesta cidade pode ainda visitar umas antigas termas romanas, construídas entre os séculos II e III, e descobertas em 1987, aquando das escavações arqueológicas na parte mais antiga do edifício da Câmara Municipal, no Largo do Sertório.

Terão sido estas as termas públicas da cidade. Possivelmente também o maior edifício público da Évora Romana, com 300 metros quadrados. Quando se fala em termas romanas é importante perceber que estas desempenhavam um papel essencial na vida deste povo. Para além da questão da higiene, as termas eram locais onde os cidadãos podiam conversar, conviver e até negociar.

Vamos deixar a época romana e viajar um pouco mais no tempo. Chegamos à época de dominação católica. E também aqui Évora é rica em monumentos. Para quem gosta de turismo religioso, aqui tem muito o que visitar. Inúmeras capelas, um convento, uma ermida, múltiplas igrejas e uma sé, a chamada Catedral de Évora. Falemos dela, da Sé Catedral de Évora e Museu de Arte Sacra.

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Dedicada a Santa Maria, a Catedral de Évora foi edificada nos séculos XIII e XIV, nos estilos românico e gótico. É a maior de Portugal nestes estilos, destacando-se o pórtico ogival, guarnecido por esculturas do Apostolado e o claustro, este com grandes arcos ogivais nas abóbodas e nas janelas e desenhos de influência árabe. É um mix esta catedral. É um monumento marcado pela transição do estilo românico para o gótico, marcado por três majestosas naves.

A capela-mor é do século XVIII e do estilo barroco. No seu interior, existem muitos elementos arquitetónicos e artísticos de relevância, como o cadeiral do coro, o órgão renascentista ibérico e único em Portugal, as peças do Museu de Arte Sacra (escultura, pintura, paramentaria e ourivesaria), entre outros. Como qualquer sé, é imponente. Tem de subir ao seu terraço e apreciar a vista sobre a cidade e o horizonte longínquo. Divirta-se também a passar pelas escadarias estreitas e em espiral que ligam o claustro a um pátio superior.

Seguimos para outro ex-libris da cidade, a Capela dos Ossos. À porta, uma inscrição recebe os visitantes: «Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos». Que divertidos que eram os três monges franciscanos que tiveram a iniciativa de a construir no século XVII, não acha? Bom, a ideia era transmitir a mensagem da transitoriedade da vida. Toda a capela é revestida a ossos, como fémures, vértebras e caveiras. Estima-se que sejam cerca de 5000 ossos. Há ainda dois esqueletos inteiros pendurados por correntes numa das paredes, sendo um deles o de uma criança. São 18,70 m de comprimento por 11m de largura, com luz a entrar por três pequenas frestas do lado esquerdo, para causar ainda mais penumbra. As abóbadas são pintadas com motivos alegóricos à morte, para que fique bem clara a mensagem. Se a quiser visitar, a capela está inserida na Igreja de São Francisco.

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Este é o momento de voltar à rua e sentir os raios e luz do sol. A vida continua nesta pacata cidade alentejana. Sugerimos para fim de visita um passeio pelo centro histórico da cidade. Não só pode apreciar a vivencia calma e tranquila das gentes alentejanas, como fazer algumas compras no comércio local. Vai encontrar muito material feito em cortiça e também artesanato e cerâmicas, entre as ruas que ligam os principais pontos da cidade.

Não podemos deixar este artigo sem uma palavra dedicada à gastronomia alentejana. A comida alentejana é farta em pão. As açordas, as migas, as sopas de pão… mostram a criatividade das gentes de antigamente que com pouco faziam muito. Não passe, portanto, por esta cidade sem se deliciar com um dos pratos icónicos desta deliciosa gastronomia. Mais abaixo sugerimos-lhe onde comer.

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Casas de campo em Évora

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