Por aciero

“E, na mais rasa das planícies,
[o alentejano] ergueu essa flor de pedra e de luz que é Évora!”
Miguel Torga, 1950, “O Alentejo” in Portugal, Coimbra: 113.

Évora, a cidade-museu, Património da UNESCO desde 1986, possui um conjunto urbano com uma ocupação de mais de 2000 anos, e excepcionalmente bem conservado. Durante o século XVI foi temporalmente residência da Família Real, e a presença da Corte foi um dos motivos para a riqueza arquitetónica da cidade. Isso e ter sido das poucas cidades portuguesas a não ficar destruída no Terremoto de 1755. A influência arquitetónica de Évora terá inclusivamente atravessado o Atlântico, servindo de inspiração para algumas das cidades históricas do Brasil, principalmente São Salvador da Bahía.

Ocupada desde a pré-história e refundada pelos romanos como Ebora Liberalitas Julia, é deste período o Templo Romano de Évora, ex-libris da cidade, também conhecido como Templo de Diana. Datado do século I, em honra do Imperador Augusto, e que foi edificado na principal praça de qualquer cidade romana, o Forum.

Templo de Diana. Por joserpizarro

Atualmente, o Templo está rodeado por uma série de equipamentos que merecem todos eles uma visita: O Museu da Cidade, com mais de 20.000 peças, foi fundado em 1915 e remodelado em 2009, conta-nos a longa e fascinante história da cidade; a Biblioteca Municipal, localizada num magnífico edifício do século XVII, e que é considerada uma das mais ricas e antigas Bibliotecas do país; a Pousada dos Lóios, antigo Mosteiro de S. João Evangelista, fundado em 1485; e a Sé Catedral de Évora, uma das maiores catedrais medievais de Portugal.

Gostaria de destacar a Fundação Eugénio de Almeida, Centro de Arte e Cultura, que incluí o Palácio da Inquisição e as Casas Pintadas (nome derivado do conjunto de frescos quinhentistas que decora a galeria e o oratório anexos ao jardim) e que atualmente é um espaço dedicado à cultura contemporânea, trazendo à cidade exposições temporárias de grande qualidade e atualidade. A Fundação é também a sede dos vinhos da Cartuxa, destacando-se o emblemático Pera Manca, chamado o Barca Velha do Alentejo. Associada à exploração vinícola há também a produção de azeite, sendo possível visitar a Quinta e a Adega da Cartuxa, finalizando o passeio com uma prova de vinhos e azeite.

Por StockPhotosArt

Profundamente culta e cultural, no século XVI, a cidade possuía uma Universidade, a Universidade do Espírito Santo, fundada em 1559, apenas 2 décadas depois da fundação da Universidade de Coimbra. Contudo, com a expulsão dos Jesuítas em 1759, pelo Marquês de Pombal, a Universidade fecha as portas que só voltam a abrir em 1973. Obrigatória é a visita ao Colégio do Espírito Santo, edifício carismático e de extrema beleza, com as aulas decoradas com painéis de azulejos dos séculos XVI e XVII, representando as matérias que aí eram versadas: Matemática, Astronomia, Física e Belas Artes.

Mas, sem dúvida, um dos maiores encantos de Évora é passear pelas estreitas ruas da cidade medieval, com o casario dos séculos XVI, XVII e XVIII, pintado de branco e embelezado com azulejos e varandas de ferro forjado. No interior das suas Muralhas, marcadas pelos diferentes estilos das suas épocas de construção (romano, visigótico, islâmico e medieval), descobrem-se palácios, conventos e igrejas, como a de São Francisco com a famosa Capela dos Ossos construida no século XVII e onde se pode ler a frase: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

Por Carlos Neto

Mesmo indo sem rumo pela cidade, mais cedo ou mais tarde, acabamos por ir ter à Praça do Giraldo, o coração da cidade. A Praça, que recebe o nome do famoso conquistador de Évora aos Mouros, Geraldo Geraldes, o Sem Pavor, é onde os Eborenses se encontram para tomar um café no Arcada, debaixo das arcadas da praça, para pôr a conversa ao dia, junto à fonte da praça. Por último, referir o impressionante Aqueduto da Água de Prata, com 18 km, obra do arquiteto Francisco de Arruda, inaugurado em 1537, e que ainda hoje abastece a cidade.

Saindo de Évora, em direção a Montemor-o-Novo, não podemos deixar de visitar alguns dos monumentos megalíticos da região como por exemplo, os famosos Cromeleque e Menir dos Almendres, que compõem um dos maiores e mais importantes recintos megalíticos da Europa. No Cromeleque, datado entre o 6 e o 3 milénio antes de Cristo, podemos contemplar 95 monólitos, alguns deles decorados, colocados em elipse. O Menir, com 3.50m, encontra-se isolado a aproximadamente 2 km do Cromeleque. Ambos são exemplo de um lugar sagrado, típico das comunidades do Neolítico da região, e a beleza e paz que transmitem valem bem o desvio da estrada principal.

Évora, é sem dúvida uma das cidades mais bonitas do nosso país ou como escreveu Miguel Torga, “E, na mais rasa das planícies, [o alentejano] ergueu essa flor de pedra e de luz que é Évora!”.

Casas de campo em Évora

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