Por Nataraj

Situada no sudoeste algarvio, Lagos é daquelas cidades de personalidade forte. O passado histórico e os dias de hoje casam facilmente, talvez por o denominador comum ser o mar.

Lagos sempre abraçou o oceano em frente, com o norte de África num horizonte não muito distante de resto, o motivo para ter sido estratégico logo no início dos Descobrimentos, pela mão do Infante Dom Henrique que a engrandeceu. Durante parte do Século XV, o centro do mundo foi aqui: a azáfama da chegada e partida das naus e outras embarcações, indo e vindo do continente mais próximos; os mercadores chegados de diferentes pontos da Europa, atraídos pelo comércio próspero de produtos exóticos e de escravos negros. A riqueza de metais preciosos, como a prata e o ouro africanos, eram pedra de toque para os bancos se instalarem por estas paragens.

Atualmente a agitação e o ambiente trepidante mantêm-se, agora através do turismo, associada à diversão em período de férias e à rica gastronomia regional.

As praias em redor são de uma beleza inexplicável, muitas delas areais cercados por rochedos que emergem de águas calmas e claras, a salvo dos ventos e correntes. A Praia de Dona Ana vai ao encontro desta descrição, sendo considerada uma das mais belas do mundo. Em contraste, a Meia Praia espalha-se por um areal de 5 km que se expande desde a marina de Lagos à Ria do Alvor.

Por artem evdokimov

Num registo diferente surge a Ponta da Piedade: as suas falésias e formações rochosas com mais de 20 metros de altura, de formas inesperadas, são um apelo à imaginação. As suas grutas são outro elemento de atração a pedir um passeio de barco.
De resto, a costa, recortada por reentrâncias e saliências, é ideal para a prática das mais variadas atividades. Para além dos passeios de barcos, esta é uma zona de excelência para mergulhos e observação da fauna e flora marinhas. A prática do parasailing, vela windsurf e outros desportos náuticos encontram aqui as melhores condições.

Em terra, a Marina, situada na Baía de Lagos, é um spot muito procurado por viajantes vindos de longe que aqui lançam âncora, de olhos postos no centro histórico da cidade. Se o Infante Dom Henrique, por obra do impossível voltasse à vida, é provável que reconhecesse aí os seus antigos passos. É certo que muito depois dele, em 1755, o terramoto aliado ao maremoto, deixaram a cidade arrasada. Mesmo assim, as ruas estreitas e praças, formando um quadrado rodeado pelas muralhas ali continuam fiéis a outras eras.

Por karnizz

As muralhas, são um testemunho deixado pelos vários povos que passaram por Lagos ou que elegeram este lugar para se estabelecer. As várias camadas, sobrepostas e recompostas, denunciam a presença de cartagineses, romanos, árabes e cristãos da Reconquista. Destacam-se duas torres albarrãs a servir de proteção à entrada da porta de São Gonçalo. Há a indicação de que os resto das muralhas foi erigido durante o século XVI. Destinavam-se a dar proteção aos novos bairros que surgiram à medida que Lagos ganhava com a prosperidade das trocas comerciais realizadas com outros reinos.

Já o Castelo dos Governadores não seria estranho ao Infante. Supõe-se que teria começado por ser um alcácer, alterado consecutivamente. É nos séculos XVI e XVII que se torna a casa dos governadores do Algarve. Conta- se que o rei D. Sebastião teria o ouvido ali missa antes de partir para Alcácer Quibir. Já um nosso contemporâneo, o escultor João Cutileiro, também ele habitante desta terra por algum tempo, fez um painel evocativo daquela batalha, colocado no jardim do Castelo dos Governadores, e ainda uma escultura em homenagem a Gil Eanes, o navegador.

Por Ricardo Furtado

Outro edifício de exceção é o Mercado de Escravos, composto por quatro arcadas, a formar um pátio, construído no local onde se julga ter existido o primeiro mercado de escravos da Europa em quatrocentos.

A Igreja de Santo António, classificada como Monumento Nacional, é um exemplar da arquitetura barroca, a merecer a descoberta de um interior profusamente ornamentado em que se destaca a talha dourada, em contraste com o exterior bastante simples.
Num registo recente destaca-se o Museu de Cera dos Descobrimentos, que apresenta 22 figuras feitas à escala real e reproduz 16 momentos essenciais da História de Portugal. O que pensaria o Infante D. Henrique ao encontrar-se aí representado? Nunca saberemos. Mas podemos imaginar.

Casas em Lagos

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