Livraria Lello. Por bennymarty

Quando ainda se chamava Joanne Rowling e não era uma das mulheres mais ricas do planeta, a criadora de Harry Potter viveu dois anos no Porto. Um facto que é bem conhecido dos fanáticos pela saga literária que, se já visitaram a cidade portuguesa, certamente fizeram um percurso temático para potterheads.

J. K. Rowling soube aproveitar a sua estadia em Portugal e visitou alguns dos locais mais interessantes do Porto. Portanto, seguir o seu rasto é uma boa maneira de conhecer a cidade (uma boa notícia para aqueles que não partilham do mesmo amor por Hogwarts).

Sem dúvida, a referência mais conhecida é a livraria Lello, que já era famosa antes do rapaz de óculos redondos e dos amigos conquistarem o mundo.

Localizado na Rua das Carmelitas, o edifício de estilo neo-gótico em que está inserida a livraria começou a ser construído em 1904. O seu arquiteto foi Xavier Esteves, que teve em mente a ideia de criar um espaço para as artes e a fachada é uma obra do pintor José Bielman.

livraria Lello

Livraria Lello. Por Fotokon

Mas o seu encanto não se fica pelo exterior do edifício. Ao entrar, o visitante descobre uma imponente escadaria vermelha localizada sob um teto que parece feito de madeira talhada (na verdade é gesso). Vitrais com a frase Decus In Labore e estantes cheias de livros completam o pacote de charme. Todos os adjetivos que descrevem a livraria parecem bombásticos ou exagerados, mas são todos merecidos.

No entanto, como acontece com muitos locais de peregrinação turística, o negócio original – ou seja, a venda de livros – começou a sofrer devido à quantidade de pessoas que se concentravam no local. Um paradoxo muito comum: mais gente, menos vendas. Com uma afluência de 3 mil pessoas por dia, é quase impossível passar o tempo calmamente à procura de um livro. Por isso, e correndo o risco de morrer de sucesso, há alguns anos os proprietários optaram por cobrar a entrada: 5 euros que são descontados na compra de um livro.

O que os fãs de Harry Potter também sabem é que, na realidade, a livraria Flourish and Blotts que frequentam as suas personagens não é um reflexo da portuguesa, nem foram filmadas cenas dos filmes no local.

Em maio de 2020, J. K. Rowling revelou mesmo que nunca tinha estado dentro da Livraria Lello. “Nem sabia que ela existia! É linda e quem me dera ter podido visitá-la, mas não tem nada a ver com Hogwarts!”, escreveu a autora no Twitter.

Ainda assim, muitos dos passeios turísticos para potterheads continuam a ter a livraria como ponto de partida. Afinal, o tema não deixa de ser fantasia e a rigidez não é própria de uma invenção.

Café Majestic

Café Majestic. Por Fotokon

Outro ponto de paragem inevitável é o centenário Café Majestic. O seu nome inicial era Elite mas um ano após a sua inauguração, em 1922, já tinha mudado de nome com o intuito de atrair clientes de destaque. Atravessar as suas portas é uma espécie de viagem no tempo de volta ao início do século passado, quando o local acolhia os mais animados encontros intelectuais da cidade.

Continua a manter sua decoração art nouveau e os empregados de mesa continuam a usar uniformes de casaco branco. Para consolar aqueles que ficaram desiludidos relativamente à verdade sobre a Livraria Lello, J. K. Rowling garantiu no seu Twitter que, de facto, frequentava e escreveu dentro do Café Majestic. “Este foi provavelmente o café mais bonito onde alguma vez escrevi”, partilhou a escritora.

De acordo com uma biografia assinada por Sean Smith, Rowling costumava escrever neste café e foi aí que lhe ocorreu a ideia para escrever Harry Potter e a Pedra Filosofal, que, segundo o mesmo autor, foi escrito num guardanapo.

Escovaria de Belomonte

Escovaria de Belomonte. Por Cornelius Kibelka

Um elemento essencial do universo Harry Potter é, além das varinhas mágicas, a vassoura Nimbus. Não é um modelo que se possa encontrar no supermercado ou em lojas de artigos para o lar, mas sim num antiquário, numa feira da ladra com tesouros escondidos ou… numa loja de vassouras. A terceira opção parece a menos viável, porque existem antiquários e feirinhas, mas tradicionais lojas de vassouras? No Porto, sim.

A Escovaria de Belomonte está aberta desde 1927. O seu fundador foi António da Silva e inicialmente situava-se em Massarelos, mas em 1953 mudaram-se para o local onde permanecem até hoje, o número 34 da Rua de Belomonte. Nesse ano, diversificaram o negócio e, além de produzir vassouras e escovas industriais, passaram também a fabricar escovas para uso pessoal.

Trata-se de uma empresa familiar e o seu atual gerente, Sérgio Silva, pertence à quarta geração de descendentes. Cientes do impacto do “mundo de Hogwarts”, fabricaram alguns produtos relacionados à saga, como uma miniatura da vassoura voadora, embora não precisem de muitas estratégias de marketing. Mesmo aqueles que não estão muito interessados ​​nas ficções de Rowling param diante da montra.

O percurso passa também pela Praça Gomes Teixeira, anteriormente conhecida como Praça da Universidade. O seu nome atual deve-se ao matemático que foi o primeiro reitor da instituição. Este ponto de interesse é importante dentro do universo de Harry Potter por duas razões.

Praça Gomes Teixeira

Praça Gomes Teixeira. Por Alfredo

Uma porque está relacionada com a fonte que preside a praça, construída em 1882 pela Compagnie Générale des Eaux pour l’Étranger e decorada com quatro leões alados que jorram água pela boca. De acordo com as especulações dos fãs, as figuras dos animais recordam o brasão da equipa Gryffindor.

A outra tem a ver com os trajes dos universitários portuenses, que se vestem de negro, camisa branca e capa negra. Muito parecidos com os uniformes de Hogwarts. Hoje não é obrigatório usá-lo, mas alguns estudantes continuam a tradição, que começou no século XIV.

Outra referência de Rowling a Portugal na sua ficção não se refere a um lugar específico. É o nome do feiticeiro Salazar Slytherin, que coincide com o do ditador português António Salazar. A autora estabeleceu a relação porque ambos eram obcecados em preservar a pureza do sangue. A própria J. K. Rowling confirmou a informação no seu perfil do Twitter.

Um bom lugar para se visitar no Porto, muito além da sua relação ou não com Harry Potter, mas que está relacionado com a rejeição dos regimes autoritários, é a Praça da Liberdade, em memória do fim da ditadura.

Casas no Porto

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