Por Josep Cano

Partindo de uma lenda milenar e mantendo uma tradição antiga, o magusto é uma festa popular muito celebrada em Portugal. Há rituais específicos de cada região, mas o essencial que não pode faltar são as castanhas, o vinho e muita música.

As festas do magusto acontecem entre os meses de outubro e novembro e normalmente associam-se a datas festivas desta época como o dia de São Simão (28 de outubro), o dia de Todos os Santos (1 de novembro) e o dia de São Martinho (11 de novembro). Mas na verdade, o magusto celebra-se sempre que a família e os amigos se reúnam à volta de uma fogueira onde se assam castanhas regadas por jeropiga, água-pé ou vinho novo.

Por gurb101088

Os mais corajosos mantêm a tradição de saltar a fogueira e não se assuste se alguém tentar enfarruscá-lo com cinza, faz tudo parte da tradição.

Apesar destes meses de outono serem chuvosos, é comum que o sol apareça durante estes dias de festa, um fenómeno que se conhece como “o verão de São Martinho” e que os mais crentes associam à lenda de São Martinho, um santo muito ligado ao magusto.

Conta a lenda que, num dia chuvoso, um soldado romano chamado Martinho ao passar a cavalo por um mendigo quase nu que lhe pediu uma esmola cortou a sua capa ao meio com a sua espada para lhe dar metade. Nesse preciso momento parou de chover e o sol apareceu, daí a expressão associada a temperaturas invulgares em novembro.

Por kab-vision

As celebrações do magusto ocorrem também além-fronteiras na vizinha Galiza, onde se chama magosto, em galego, e até nas Astúrias.

Tradições do Magusto em Portugal

Um pouco já fora dos meses habituais, em Aldeia de Viçosa, na Guarda, há uma tradição local que acontece a 26 de dezembro à qual se dá o nome de “Magusto da Velha”.

O evento realiza-se em homenagem a uma velha muito rica, cujo nome ninguém sabe, mas que no século XVII deixou um grande legado à Igreja da Vila do Porco. Em contrapartida, a velha exigiu que todos os anos a seguir ao Natal se fizesse um magusto com castanhas e vinho e se rezasse um Pai-Nosso pela sua alma.

Igreja Matriz de Aldeia Viçosa. Por Alexa Pinto

Assim, são atirados cerca de 150 quilos de castanhas do cimo do campanário da igreja, enquanto os sinos tocam sem parar. Para além de rezar pela alma da velha, a população presente preocupa-se em encher os bolsos de castanhas que são depois assadas nas brasas do Madeiro do Natal que normalmente ainda aquece quem assiste. A acompanhar, é distribuído vinho tinto que também serve para brindar à velha.

O etnógrafo português Leite de Vasconcelos explica mesmo que há uma ligação entre o magusto e um antigo sacrifício em honra dos mortos. Por exemplo, em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer.

Por zentolos

De Norte a Sul, vai encontrar um pouco por todo o país magustos organizados onde a população se junta e celebra com castanhas e vinho. Em Vila do Conde, roscas de pão de trigo e nozes acompanham um prato de castanhas. Em muitas regiões do Minho, a matança do porco é celebrada com um grande magusto.

Em cidades maiores, como Lisboa, Porto e Braga, é habitual ver vendedores de castanhas assadas pelas ruas. Siga o fumo branco que sai dos assadores a carvão e o famoso pregão “quentes e boas” e compre um cartucho de castanhas e um vinho quente.

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