Mértola

Por alexilena

Os romanos chamavam-lhe Mírtilis Júlia. Mais tarde, os muçulmanos mudaram-lhe a designação para Martulá. Mértola sempre foi apetecível. A geografia do lugar favorecia esta atração. O Guadiana, ao passar ali tranquilamente assegurava comunicações e uma via de comércio única. De resto, é no período marcado pela presença árabe que a povoação mais cresce e atinge maior dinamismo, tendo sido mesmo a capital de um pequeno emirado Taifa.

Aqui situava-se o porto fluvial mais a ocidente do Mar Mediterrâneo. Os diferentes povos que se foram sucedendo perceberam sempre que o melhor posto para se instalarem seria na elevação virada para o rio. É assim que o fórum de origem romana iria ceder à construção de um bairro muçulmano.

Na prática, a cultura, os princípios estéticos, a arquitetura, o modo de estar e viver o quotidiano dos povos do norte de África inscreveram-se de forma, dir-se-ia, definitiva, criando raízes que têm vindo a emergir com os trabalhos arqueológicos das últimas décadas. É certo que a Reconquista Cristã chegou a esta paragem raiana, no reinado de Sancho II, sob o comando de Paio Peres Correia em 1238, mas sem nunca varrer a herança islâmica.

Haverá mais um momento de prosperidade em Mértola, já no século XIX. A descoberta do filão de minas em S. Domingos, e que irá provocar a dinamização do tecido humano em virtude da necessidade intensiva de mão de obra para esta indústria extrativa. Porém, o estado de graça iria desvanecer-se no século seguinte, em finais dos anos 50, com o fim da exploração mineira.

Conhecer Mértola nos nossos dias é conhecermo-nos um pouco mais. Planear uma visita é fácil, os acessos existem, lugares para pernoitar também, e o ideal é escolher a estação da primavera para um roteiro feito na natureza.

Aqui calha indicar o que se pode ver e fazer. A descoberta será o prazer maior do viajante.

O Museu de Mértola

Por Vector99

Para conhecer a história de Mértola é importante procurar o seu museu. Este é composto por vários núcleos dispersos geograficamente, a maioria localizada no Centro Histórico. Nalguns casos é como se o museu levasse o visitante num passeio fora de portas, aos sítios arqueológicos que representam diferentes períodos da história.

É o que se passa com a Casa Romana, a Basílica Paleocristã, a Ermida e Necrópole de S. Sebastião e da Alcáçova. Outros núcleos foram instalados em edifícios recuperados para os receberem, como acontece com os núcleos de Arte Islâmica, Arte Sacra, a Torre de Menagem, a Forja do Ferreiro, a Oficina de Tecelagem e a Casa do Mineiro.

Sugerem-se 3 circuitos: um dedicado ao “Período Islâmico” e que inclui a Oficina de Tecelagem, a Igreja Matriz (Antiga Mesquita), Alcáçova, Castelo, Arte Islâmica.

O “Circuito Período Romano e Antiguidade Tardia” irá levar o visitante pelos seguintes trilhos: a Alcáçova, o Castelo, a Torre do Rio, a Casa Romana e a Basílica Paleocristã.

Já no “Circuito Centro Histórico de Mértola”, a visita foca-se no centro histórico de Mértola e inclui passagem pela Igreja Matriz (Antiga Mesquita), Alcáçova, Castelo, Forja do Ferreiro, Arte Islâmica, Arte Sacra.

Fora de Portas

Por inacio pires

Deixa-se por fim a indicação de quatro lugares que é imprescindível conhecer. Três ficam fora de portas. São eles a Mina de S. Domingos, O Pomarão, porto fluvial, o Castelo de Mértola e o Pulo do Lobo.

A Mina de S. Domingos foi um centro de extrema importância na extração de minério, a ponto de se ter criado uma pequena povoação, composta pela mão de obra trabalhadora na mina e atividades associadas. A dinâmica de uma indústria extrativa mudou para sempre a face desta terra.

Primeiro expandindo-a e depois deixando-a abandonada. Hoje pode-se fazer uma ideia de como se vivia naqueles tempos pela visita à chamada Casa do Mineiro, uma exposição museológica que retrata a vida difícil de uma família no espaço exíguo de 16 metros quadrados que lhes era destinado.

O Pomarão é uma pequena aldeia próximo de Mértola onde existe um porto fluvial, motivo pelo qual hoje é um sítio bastante concorrido por quem navegue pelo rio Guadiana. O Pomarão foi nome posto no mapa devido sua função de porto comercial, durante o período de exploração das minas de S. Domingos; dali partindo os navios carregados de pirites trazidas das entranhas alentejanas.

Castelo de Mértola

Por Miguel Vieira

O Castelo de Mértola, construído já em período cristão, tem uma vista fabulosa sobre a vila e às terras à volta. Na sua Torre de Menagem está instalado um dos núcleo museológicos já mencionados. Este é um monumento nacional desde 1943.

Numa metáfora perfeita o seu nome, Pulo do Lobo, remete para esta maravilha natural, uma garganta escarpada numa zona em que o Guadiana se torna agitado e rápido: aqui as águas precipitam-se de uma altura aproximada de 20 metros de altura, descendo por entre o xistos até alcançarem o lago calmo mais abaixo. Fica situado no Parque Natural do Vale do Guadiana e considera-se a maior queda de água do sul do país.

O Festival Islâmico de Mértola é um evento que convoca a cultura islâmica nas suas várias expressões. Acontece de dois em dois anos, por altura da primavera. Por esses dias o centro histórico da vila regressa atrás no tempo retomando, provavelmente, a ambiência ancestral de Mértola sob poderio mouro.

Comeres

Por MiguelG

O que se come em Mértola é uma forma de exprimir a sua riqueza histórico-cultural e geográfica. Estão lá os sabores da comida alentejana que, na sua singeleza, sempre soube tirou o maior partido do pão e das ervas de cheiro, das hortelãs aos poejos e do que a terra conseguia dar.

Ao mesmo tempo o Guadiana oferece o peixe de rio como a lampreia, a enguia, o muge ou a saboga, feitos em ensopados ou fritos. Além disso a herança islâmica gastronómica também vai sendo recuperada e difundida.

Passeios a Pé

Mértola

Por inacio pires

Esta zona é ideal para realizar passeios pedestres, a natureza “bravia” toma conta do ambiente ao redor da vila. Seja no campo ou junto ao rio são várias as possibilidades de trilhos por onde avançar.

Existe mesmo o chamado conjunto de Pequenas Rotas do Vale do Guadiana das quais se deixam os nomes como pista: “Guadiana, O Grande Rio do Sul”; “Os Canais do Guadiana”; “As Margens do Guadiana”; “À volta do Montado”; “Ao ritmo das Águas do Vascão”; “Entre a Estepe e o Montado”; “Subida à Senhora do Amparo”; “Um Percurso Ribeirinho”; “Entre o Escalda e o Pulo do Lobo”.

Birdwatching

Mertola

Mertola. Por Pyma

A zona à volta do Vale do Guadiana é especialmente atrativa para os amantes de birdwatching. A paisagem, para além de estar intocada, reúne uma grande diversidade de habitats naturais. Logo, é grande a variedade de espécies de aves que se encontram nestas paragens. A primavera é a época certa para quem se queira aventurar.

São mesmo sugeridos quatro itinerários para observar a fauna que povoa os céus por aqui: O primeiro é “Mértola: O Reduto do Peneireiro-Das-Torres”. Esta é uma espécie rara e em vias de extinção que se refugia nas muralhas do castelo. Daí que o passeio proposto passe pelo centro histórico para depois seguir pelas margens do rio.

O segundo itinerário chama-se “Território da Velha Mina” e revela o abandono desta área pelo homem e como o fim da exploração mineira permitiu que a mesma fosse tomada pela fauna. É o caso do andorinhão-cafre, que apenas nidifica nesta área.

Nas Margens do Guadiana” é um percurso pelas escarpas rochosas que acompanham o rio e que são eleitas como reduto da águia-real ou da cegonha-preta. Além disso, é provável que se avistem aves aquáticas. Por fim o périplo “Do Pulo do Lobo à Serra da Alcaria” completa o quarto itinerário. Está-se em pleno Guadiana selvagem, dominado por xistos e escarpas fundas.

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