Pedra da Mua

Pedra da Mua. Por Filipefirix

Normalmente associamos a palavra monumento a um edifício histórico, um museu que guarda as relíquias mais preciosas do país, uma estátua ou até um memorial. Mas nem todos os monumentos são construções do Homem. Existem também monumentos que foram edificados pela natureza e que merecem toda a atenção e cuidado.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) define monumento natural como “uma ocorrência natural contendo um ou mais aspetos que, pela sua singularidade, raridade ou representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais, exigem a sua conservação e a manutenção da sua integridade”.

Em Portugal, são atualmente 7 os monumentos naturais classificados de norte a sul do país, sendo que dessa lista 6 estão relacionados com a passagem dos dinossauros pelo nosso planeta.

Pegadas de Dinossauros da Serra de Aire

Pegadas de Dinossauros

Por Juntas

Criado em 1996, este é o mais antigo monumento natural classificado em Portugal. As Pegadas de Dinossauros fazem parte do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, perto de Fátima, nos municípios de Ourém e de Torres Novas.

Quando no dia 2 de julho de 1994 Ricardo Matos da Silva, João Pedro Falcão e João Carvalho encontraram as pegadas de dinossauro, nesse mesmo local funcionava uma pedreira. O monumento só foi criado quando um grupo de trabalho do Museu Nacional de História Natural conseguiu demonstrar às entidades oficiais e científicas a importância paleontológica do achado.

São 20 trilhos que constituem os maiores e os mais antigos trilhos de dinossauros saurópodes de que há conhecimento, mas também dos mais bem conservados, sendo compostos por mais de mil pegadas. A datação realizada em rochas locais indicam uma idade aproximada de 175 milhões de anos, do Jurássico Médio.

Carenque

Monumento Natural de Carenque

GualdimG

Outro dos monumentos naturais de Portugal que devemos à passagem dos dinossauros por aqui é o monumento natural de Carenque, uma jazida de pegadas de dinossauros situada na freguesia de Belas, no concelho de Sintra.

A jazida foi descoberta em 1996 numa pedreira desativada, situando-se numa delgada camada de calcário do Cretácico Superior, com uma idade estimada de 90 a 95 milhões de anos. Neste local, poderá observar o registo fóssil de mais de uma centena de pegadas de dois quadrúpedes herbívoros e, possivelmente, por carnívoros bípedes.

Cabo Mondego

As pegadas de dinossauro do Cabo Mondego foram as primeiras descobertas em Portugal, em 1884, mas só foram classificadas como monumento natural em 2007. Uma classificação que pecou por ser tardia, dizem muitos especialistas, devido ao interesse científico ao nível da paleoicnologia dos dinossauros. Este é um local com um valor extraordinário para se estudar a evolução geológica da Terra ao longo de 50 milhões de anos.

Na zona litoral do Cabo Mondego, o Jurássico Superior começa num local chamado Pedra da Nau. As primeiras camadas sedimentares foram formadas em ambientes marinhos pouco profundos mas à medida que se caminha de norte para sul, em direção à Figueira da Foz, as camadas sobrepostas e os seus fósseis contam-nos que o mar pouco profundo foi desaparecendo, até a zona se transformar num ambiente lagunar, com vegetação intensa e onde passeavam dinossauros.

A sul da pequena enseada da Pedra da Nau, se olhar com atenção, consegue distinguir uma única pegada que se encontra na parte inferior de um bloco calcário. Uns metros mais à frente encontramos a Laje do Costado, onde as camadas de calcário negro repletas de fendas de retração apresentam uma grande quantidade de pegadas distribuídas por três camadas sucessivas.

No Cabo Mondego é ainda possível observar fósseis de bivalves, plantas, peixes, corais e amonóides. Foi também aqui que se descobriu um fóssil de planta que deu origem a uma nova espécie vegetal – a Baiera Vianna.

Pedreira do Avelino

Pedreira do Avelino

Por Visit Sesimbra

A freguesia do Castelo, em Sesimbra, perto do cabo Espichel, é palco de outro monumento natural: a Pedreira do Avelino. Nesta pedreira atualmente desativada foram identificadas pegadas de saurópodes, algumas das quais foram retiradas por molde e depositadas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

As pegadas terão ficado impressas durante o Jurássico Superior, momento em que junto das lagoas prosperava a vegetação, mantendo-se acumulações de água que atraíam dinossauros herbívoros e carnívoros.

Nesse momento os sedimentos encontravam-se ainda dotados de alguma plasticidade mas já suficientemente consolidados, pelo que a pata do dinossauro, ao exercer um peso de 3 a 5 toneladas, deixou a sua marca impressa. Em cada uma delas encontra-se perfeitamente visível o rebordo saliente da lama sob a pressão da pata do animal.

Pedra da Mua

Por Vítor Oliveira

Continuamos em Sesimbra, nas arribas do cabo Espichel, sob o Santuário de Nossa Senhora do Cabo, onde fica o monumento natural da Pedra da Mua, muito provavelmente a mais espetacular das jazidas situadas nesta zona devido ao sítio privilegiado e à excelente conservação das impressões.

Em vastas lajes calcárias inclinadas, datadas do Jurássico Superior, estão inscritas pegadas de terópodes (dinossáurios bípedes carnívoros) e de saurópodes (herbívoros) de grandes e pequenas dimensões que por ali passaram há cerca de 145 milhões de anos.

Conta-se até que um destes trilhos estará na origem da lenda de Nossa Senhora do Cabo, vinda da idade média, que fala das pegadas de uma mula gigante (ou mua, em português arcaico), impressas na arriba, que terá transportado Nossa Senhora, ou a sua imagem, desde o nível do mar até ao cimo do cabo.

Lagosteiros

Lagosteiros

Por Pepolino83

O Parque Natural da Arrábida é uma área fértil em monumentos naturais e vestígios de dinossauros e é também aqui que encontramos a jazida dos Lagosteiros, constituída por trilhos de pegadas de dinossauros bípedes, com cerca de 130 milhões de anos.

A jazida dos Lagosteiros, datada do Cretácico Inferior, é constituída por dois trilhos de animais bípedes, um carnívoro e outro herbívoro, dispostos em diferentes orientações. Naquele período da história, os terrenos da região eram planos, alagadiços e pantanosos, que depois se transformaram em rocha calcária, preservando os trilhos das pegadas.

Portas de Ródão

As Portas de Ródão é o mais recente monumento natural classificado em Portugal, em 2009, e é também o único que não está associado à passagem dos dinossauros pelo planeta Terra. As Portas de Ródão constituem uma ocorrência geológica e geomorfológica localizada nas duas margens do rio Tejo, nos concelhos de Vila Velha de Ródão e de Nisa. Este conjunto natural sobressai pela imponente garganta escavada pelo rio nas cristas quartzíticas da serra do Perdigão, com 45 metros de largura.

Esta área caracteriza-se pela existência de um relevante património natural de grande valor geológico, biológico e paisagístico. E também pela existência de um importante património cultural, constituído por sítios arqueológicos que documentam a presença humana desde o Paleolítico Inferior. As Portas de Ródão são igualmente um local privilegiado de observação da avifauna, servindo de habitat à maior colónia de grifos de Portugal, assim como à cegonha-preta ou ao milhafre-real.

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