Tavira

Por Lux Blue

Conhece Tavira? É das cidades algarvias onde o tempo flui com calma. A cidade é atravessada pelo Rio Gilão, está virada para o mar, sob a proteção da Ria Formosa. A norte, estende-se por entre hortas até chegar ao barrocal e tocar a Serra do Caldeirão. Mar, cidade com identidade, terra, serra; aqui há um pouco de tudo.

Como começa…

Pego do inferno, Tavira

Pego do inferno, Tavira . Por F8studio

Historicamente existem vestígios arqueológicos que confirmam a presença do Homem, desde o Neolítico, na zona de Tavira. Os romanos, no século I a. C., também aqui se instalam e fazem deste lugar sua casa, desenvolvendo o comércio com o Mediterrâneo, a pesca e a salga de pescado.

Mais tarde, entre os séculos VIII e XIII, sob domínio árabe, esta é uma povoação de grande importância. Tal deve-se ao seu porto e ao castelo que, estrategicamente, permite controlar terra e mar. Em 1242, já no reinado de D. Sancho II, Tavira é tomada aos mouros e torna-se cristã.

Tavira

Por Gilao

Mas é no século XV que ganha especial importância ao tornar-se o porto de apoio às guarnições portuguesas, estacionadas em Ceuta e outras praças marroquinas, com o início do período dos Descobrimentos.

D. João II chega a instalar-se aqui durante algum tempo, aumentando a sua projeção política e social. Não é pois de surpreender que D. Manuel, em 1520, eleve a vila à condição de cidade.

Mas a povoação irá perder preponderância económica no século XVIII. A recuperação virá no século seguinte, ligada à pesca do atum e à indústria das conservas. Hoje, o turismo, as salinas a indústria em torno do pescado asseguram-lhe um ritmo própria e qualidades únicas.

Um passeio a pé

Tavira

Por e55evu

Os sinais da história passada misturam-se aos ritmos da vida quotidiana. Passear a pé é a melhor forma de descobrir o que há de especial em Tavira, desde as portas de reixas, que coam o calor, o sol e permitem ver sem se ser visto aos telhados em tesoura (ou de quatro águas).

Esta designação refere-se à forma como as traves dos telhados assentam umas nas outras, dando um formato particular aos remates das casas. Vale a pena descobri-las. A ponte romana que nos leva de uma margem para a outra do Rio Gilão merece uma paragem a meio caminho. O vagar das águas que passam por baixo dos pés colam-se ao espírito suave de Tavira e à beleza de um lugar ainda algarvio.

Para se ter uma vista panorâmica, nesse caso, é subir ao Castelo. Esta fortificação era originalmente era árabe. Mais tarde, D. Dinis ordenou a sua reconstrução. Do cima da sua torre o olhar espalha-se pelos telhados, as chaminés algarvias, misturadas com as cúpulas das muitas igrejas que salpicam a cidade, até se chegar à Ria e ao mar, com as salinas pelo meio.

Para conhecer um pouco mais as histórias desta povoação vale a pena ir até ao Núcleo Islâmico, situado num edifício em Frente à Câmara Municipal e visitar também o Museu Municipal, instalado no magnífico Palácio da Galeria.

Depois é obrigatório rumar por entre as muitas igrejas, para cima de 20. A Igreja da Misericórdia é um exemplo esplêndido da arquitetura renascentistas do século XVI, da qual se destaca o seu portal. A Igreja de Santa Maria do Castelo, do século XIII, erigida sobre uma mesquita, segue o estilo gótico.

Destaca-se a sua torre do relógio e o túmulo dos cavaleiros de Santiago que lutaram para conquistar a cidade aos mouros em 1242. A Igreja de Santiago surge no século XVI, mais uma vez no local onde outrora estivera a chamada mesquita menor. No seu interior encontram-se imagens e pinturas vindas de conventos que entretanto foram extintos.

Do lado de lá do rio há mais templos, como a Igreja de S. Paulo, do século XVII, pertencente a um convento, bastante simples, ao contrário da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, do século XVIII com uma extraordinárias decoração barroca, a começar com o seu retábulo de talha dourada na capela-mor.

Sabores da dieta mediterrânica

A comida tradicional é a expressão fiel da história e do modo de estar dos tavirenses. O peixe, marisco, moluscos, são os protagonistas à mesa, com especial atenção para o polvo e o atum.

Estas especialidades podem provar-se, entre outros sítios, nos restaurantes que funcionam no mercado da Ribeira e (antigo mercado central) ou à volta deste edifício de ferro forjado do século XIX. Mas Tavira também é campo que toca na serra. E daí vêm outras influências, como as açordas, o cabrito no forno, os enchidos e os queijos.

Esta mescla de sabores vai ao encontro daquilo que se entende por dieta mediterrânica. Estes princípios no modo de estar, viver e da alimentação inspiraram Tavira, como comunidade representativa de Portugal, a juntar-se a mais países (Espanha, Itália, Grécia e Marrocos, Chipre e Croácia) e em conjunto realizarem a candidatura à Unesco, em 2013 da Dieta Mediterrânica como Património Cultural Imaterial da Humanidade junto da UNESCO.

A Ria, as Ilhas e as lagoas

Tavira

Por digitalsignal

Areias claras, nenhuma rocha e temperatura média do mar a rondar os 22º graus centígrados, aguardam o visitante. Numa linha de costa de 18 km de extensão encontra-se a Ilha de Tavira, Praia da Terra Estreita, Praia do Barril e Praia do Homem Nu.

Estas maravilhas estão à distância de um passeio de barco, já que o Parque Natural da Ria Formosa separa a costa destes cordões de areia. E felizmente, porque os passeios são a oportunidade para apreciar a beleza da Ria, que nesta zona de Tavira, é dominada por sapais e salinas naturais.

Deixa-se uma nota sobre para a praia do Barril: o seu acesso faz-se a pé ou de comboio… só a viagem já é uma pequena aventura. Já no areal vale a pena reparar num conjunto de âncoras gigantescas, alinhadas, o chamado “cemitério de âncoras”.

Mais para o Interior fica a Cascata do Pego do Inferno, na freguesia de Santo Estevão, a pouco mais de 7 km de Tavira. Aqui descobre-se uma queda de água que se derrama sobre uma lagoa onde verde da vegetação natural domina ao redor.

E termina-se recuperando o fio à meada começada a desfiar no título:
Tavira tem alma algarvia.

Casas de campo em Tavira

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