Serra da Freita, Arouca. Por Ricardo Oliveira

Em plena Serra da Freita, no concelho de Arouca, encontra um fenómeno único em Portugal e muito raro no mundo inteiro, que ocupa uma área que se estende por cerca de 1 km2. Damos-lhe a conhecer as pedras parideiras, que desde os tempos antigos aos modernos sempre foi uma rocha importante para as gentes da aldeia da Castanheira. Por isso convidamo-lo a conhecer connosco esta geologia ímpar de Portugal.

Um fenómeno geológico

Pedras parideiras

Do ponto de vista geológico, esta pedra chama-se “granito nodular da Castanheira”. Constitui-se essencialmente por rocha granítica, de cor clara, e uma quantidade invulgar de nódulos biotíticos, um mineral de cor negra que se acumula em pequenos aglomerados.

São estes nódulos que por ação da erosão e oscilações térmicas se libertam e acumulam no solo, deixando uma cavidade de cor escura na rocha mãe. Este é um processo bastante demorado, podendo decorrer cerca de 300 milhões de anos até à libertação dos nódulos.

Onde encontrar as pedras parideiras

Arouca Geopark. Por Ricardo Oliveira

Dividida entre o concelho de Arouca e Vale de Cambra, encontra a maravilhosa Serra da Freita. Rica em beleza natural, aqui existem paisagens incríveis como a que pode observar desde o miradouro da Frecha da Mizarela, ou o São Pedro Velho, o ponto mais alto da serra.

Foi, portanto, na Serra da Freita e seus arredores que se instalou o Arouca Geopark, uma área reconhecida pelo seu Património Geológico de relevância internacional. Tal projeto conta com 41 geossítios, aliados a uma estratégia de desenvolvimento territorial que asseguram a sua proteção, dinamização e utilização, entre os quais as pedras parideiras.

A Associação Geopark Arouca (AGA) é a entidade responsável pelo Arouca Geopark, distinguido em 2009 pelas Redes Europeia e Global de Geoparks com o apoio da UNESCO.

Casa das Pedras Parideiras

Arouca Geopark. Por Ricardo Oliveira

Com o intuito de contribuir para a conservação, compreensão e valorização deste geossítio de relevância internacional, foi aberta em 2012 a Casa das Pedras Parideiras – Centro de Interpretação. O espaço está aberto diariamente e proporciona diversas atividades turísticas e educativas, assim como várias zonas de atividade.

Na receção e loja poderá encontrar todas as informações necessárias às suas visitas, tanto à Casa das Pedras Parideiras e Piso Panorâmico do Radar Meteorológico de Arouca, como a todo o território do Arouca Geopark. De forma suplementar, poderá comprar aqui diferentes produtos da região, como compotas, mel, licores e artesanato.

No auditório, com capacidade para 30 lugares sentados, os visitantes podem visualizar um documentário em 3D intitulado “Pedras Parideiras: um tesouro geológico”, que ajuda na compreensão deste importante património geológico.

Pedras parideiras. Por Cssantos

O centro oferece ainda dois espaços para a observação do afloramento rochoso. A amostra de afloramento rochoso coberto é ideal para quem procura uma visão mais detalhada do fenómeno. Enquanto que na amostra de afloramento rochoso a céu aberto pode observar a formação rochosa principal das pedras parideiras, assim como a envolvente da aldeia da Castanheira.

Direcionadas aos que não querem perder nem um detalhe, o Centro de Interpretação promove visitas guiadas, educativas ou turísticas. Pode agendar uma visita guiada à Casa das Pedras Parideiras ou a todo o planalto da Serra da Freita, sempre com o apoio de um guia local.

O impacto na aldeia da Castanheira

Por Espírito

Na aldeia da Castanheira “a pedra que pare pedra”, como lhe chama a gente da terra, sempre teve um grande impacto na vida cultural e social da população.

Segundo a tradição ancestral da região, as pedras parideiras eram um símbolo de fertilidade. Ainda hoje, acredita-se que dormir com umas destas pedras debaixo da almofada melhora a fertilidade.

Mas nem sempre foi positiva a presença destas rochas para a população. Quanto maior era o conhecimento da existência deste fenómeno, mais pessoas vinham de todo o país para conhecer a pedra e vê-la “parir”. Além de perturbar a pacatez da aldeia, com as excursões que chegavam de todo o lado, os visitantes não se contentavam com ver esta preciosidade.

Todos queriam ter uma pedra parideira e por vezes uma só também não era suficiente. Levavam os carros com as malas cheias de um objetivo que não podiam alcançar, pois este fenómeno apenas decorre nas suas condições originais, no local onde foram descobertas.

Após alguns esforços, por parte da Câmara Municipal, foi colocada uma vedação para impedir, pelo menos, o vandalismo e explorações excessivas. Foi no mesmo sentido que todo o espaço se encontra agora protegido e preparado para receber os visitantes sem que se degrade este fenómeno raro em todo o mundo.

Casas de campo em Arouca

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