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Piódão, a “aldeia presépio” que parece saída de um conto de fadas

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Piódão
Piódão. Por alexilena

Não é Natal, mas Piódão, a “aldeia presépio”, como é conhecida, merece uma visita em qualquer altura do ano. Em plena Serra do Açor, no concelho de Arganil, as suas casas de xisto descem de socalco em socalco ao sabor da geografia da encosta. É uma das 12 Aldeias Históricas de Portugal que sobreviveu à erosão dos invernos rigorosos e ao desgaste do tempo.

A aldeia do Piódão é conhecida pela sua disposição em anfiteatro, com as tradicionais casas feitas de xisto, teto coberto com lajes e portas e janelas de madeira pintadas de azul. O casario ocupa as ruelas estreitas, íngremes e tortuosas, e a sua disposição irregular recorda uma típica povoação medieval.

Piódão
Piódão. Por Nikolai Sorokin

A maioria das casas guarda a estrutura de antigamente: dois pisos, sendo o térreo destinado à arrecadação das alfaias agrícolas, arcas de cereais e salgadeiras – onde se guardava a carne de porco – e o primeiro andar, a habitação das famílias.

As atividades agrícolas e a pastorícia continuam agora, como no passado, a ser dominantes no modo de vida dos habitantes do Piódão, encaradas essencialmente como forma de subsistência e sobrevivência.

Piódão
Piódão. Por Antonio da Silva Martins

Durante a noite, as luzes que saem das janelas das casas e desenham a escarpa fazem com que a aldeia pareça saída diretamente das páginas de um conto de fadas. Aí, o silêncio é quase total e a sensação é que, pelo menos durante algumas horas, está a viver noutro mundo.

O que visitar no Piódão?

Piódão
Piódão. Por nborges

É impossível não ficar surpreendido e deixar-se levar pela beleza e traça do Piódão. Uma das melhores formas de visitar a aldeia é perder-se pelas suas ruas, um labirinto estreito e sinuoso de ruelas e escadinhas, travessas e esquinas.

Há levadas de água – rede de canais em xisto que levam a água às leiras para a rega das culturas – a correr pela aldeia, fontanários e canteiros de flores coloridas que enchem as ruas de cor.

Sugerimos que comece a sua visita no Largo Cónego Manuel Fernandes Nogueira, onde se concentram o Museu do Piódão e o Posto de Turismo da aldeia.

Igreja Matriz de Piódão
Igreja Matriz de Piódão. Por Concierge.2C

igreja matriz do Piódão, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, chama a atenção, porque contrasta na cor e na forma com os outros edifícios da aldeia. Ao subir a larga escadaria em xisto que dá acesso ao templo, deparamo-nos com a fachada neobarroca branca, as suas quatro torres cilíndricas rematadas em cone e arcos redondos na porta e janelas. Por oposição, o casario da aldeia é uma sequência de linhas retas de cor escura. Une-as apenas o azul que dá cor tanto à fachada da igreja como às portas e janelas das casas.

Fonte dos Algares é paragem obrigatória. Toda construída em xisto, como não podia deixar de ser, trata-se de um pequeno chafariz com um arco ogival.

Capela de São Pedro, padroeiro do Piódão, e a Capela das Almas são dois dos edifícios mais emblemáticos da aldeia, pois são dos poucos edifícios rebocados e pintados de branco.

No cimo da povoação, vale também a pena visitar a eira comunitária, um espaço utilizado para secar e malhar as colheitas de cereais e leguminosas. Em aldeias pequenas e isoladas, como o Piódão, o comunitarismo era um modelo de trabalho, uma prática de utilização de infra-estruturas ou de espaços, essencial para a sobrevivência das respetivas comunidades.

Foz d'Égua
Foz d’Égua. Por Rolf E. Staerk

Se visitar a aldeia no verão, é imprescindível um mergulho na praia fluvial de Foz d’Égua. Na ribeira do Piódão irá encontrar uma zona fluvial que reúne as condições perfeitas para a prática da atividade balnear. Com água fresca, límpida e inserida num local bastante arborizado, esta praia fluvial foi reconhecida com o galardão Bandeira Azul. As árvores das encostas asseguram as sombras nos dias mais quentes.

Apesar de pertencer à freguesia do Piódão, a aldeia de Chãs d’Égua merece destaque próprio. Aqui, irá encontrar dezenas de gravuras rupestres que atestam que a região teve ocupação humana desde tempos remotos, provavelmente há mais de três mil anos. Para descobrir mais, é essencial uma visita ao Centro Interpretativo de Arte Rupestre de Chãs d’Égua.

Chãs d´Égua
Chãs d´Égua. Por Luis Caprichoso

Se gosta de caminhadas, sugerimos o trilho “Os Povos das Ribeiras de Piodam”, um percurso circular de 10 quilómetros que liga as aldeias de Piódão, Chãs d’Égua e Foz d’Égua. Esta é uma das melhores maneiras de conhecer a região e a Serra do Açor.

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