Magazine Natureza Galapinhos, a praia paradisíaca onde até os javalis querem mergulhar

Galapinhos, a praia paradisíaca onde até os javalis querem mergulhar

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Praia de Galapinhos
Praia de Galapinhos. Por Pemanuelp

Quando, em 2017, a praia de Galapinhos foi eleita a “praia mais bonita da Europa” pela European Best Destinations, a notícia não surpreendeu quem ali vivia e frequentava há anos aquele paraíso do Parque Natural da Arrábida. Contudo, a praia do município de Setúbal passou a receber turistas de todo o país e do mundo que queriam mergulhar naquela paisagem digna de um postal.

Quem também se quis juntar às inúmeras pessoas que queriam descobrir “a praia mais bonita da Europa” foram os javalis da Serra da Arrábida. Em agosto de 2017, uma fotografia de três javalis a refrescarem-se nas águas cristalinas da praia de Galapinhos correram as redes sociais e os meios de comunicação. A mesma história repetiu-se em 2019, mas quem vive nesta zona não ficou surpreendido com a situação.

Em 2017, era comum ver javalis nas praias da Arrábida

Há cinco anos, não eram raras as vezes em que os banhistas se deparavam com famílias de javalis a entrarem na água, refrescarem-se durante uns minutos e depois voltarem à sua rotina normal, por entre a vegetação do parque natural.

Mas além de perturbar quem apenas quer aproveitar um dia de praia relaxado, os javalis também “causam vários danos nas culturas dos pequenos agricultores, dos pequenos produtores, nos jardins das casas”, conta Pedro Vieira, presidente da associação Clube da Arrábida, em entrevista à EscapadaRural.

No entanto, “a situação neste momento já não tem a dimensão que tinha em 2017, quando apareceram os primeiros alertas de avistamentos de javalis na praia durante o dia”, conta Pedro Vieira. “Esses avistamentos hoje em dia são muito raros. Continua a haver javalis na serra, porque é completamente impossível controlar o problema na sua totalidade. Os javalis fazem parte da fauna da serra”, continua.

De acordo com Pedro Vieira, o que aconteceu há uns anos foi “um descontrolo na população” de javalis na Serra da Arrábida. “Continua a haver uma população em excesso, mas tem-se conseguido fazer um controlo dessa população”, explica.

Serra da Arrábida
Serra da Arrábida. Por Marco Verch Professional

Há uns anos, o Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) fez um protocolo com a Câmara Municipal de Setúbal, com a Associação Nacional de Produtores Florestais (ANPC) e com o Clube da Arrábida de forma a serem implementadas medidas de controlo.

Essas medidas passam essencialmente pela emissão de credenciais para fazer o controlo da densidade populacional dos javalis. Apesar de a caça ter sido interdita na serra há 40 anos, têm sido emitidas licenças de controlo de densidade. São os proprietários que têm danos nos seus terrenos que podem solicitá-las (apenas na parte norte da serra) e, em termos práticos, permite-lhes caçar os animais.

Outra das medidas foi instalar, nas praias do parque natural, caixotes do lixo de plástico mais resistentes, em vez dos anteriores sacos de plástico que os javalis rasgavam à procura de restos de comida.

Atualmente a situação está controlada

Serra da Arrábida
Serra da Arrábida. Por Jcunha123

Não é apenas a Serra da Arrábida que se debate com o descontrolo da população de javalis. Segundo Pedro Vieira, este é um problema que também atinge o norte da Europa e a baía mediterrânica. Há vários fatores que contribuem para este problema. O presidente da associação Clube da Arrábida destaca o acesso dos javalis a alimentação muito energética, o que faz com que se reproduzam mais facilmente, e ainda o declínio da caça ao javali. 

Apesar de haver pessoas que visitam a praia de Galapinhos à procura de ver javalis, Pedro Vieira alerta para o perigo que estes animais podem constituir. “O javali é um animal perigoso, porque é um animal selvagem. Nós nunca podemos saber quando o animal ataca em defesa própria, ou porque está ferido, ou porque se sente encurralado”, avisa.

Contudo, hoje em dia, a situação está controlada e é raro serem vistos javalis na praia durante o dia. “O que não significa que não seja visto um ou outro javali, sobretudo durante a noite”, confirma Pedro Vieira.

Por isso, pode visitar a praia de Galapinhos – e as outras praias do Parque Natural da Arrábida – à vontade que não terá que partilhar o seu espaço com javalis. Terá, sim, que partilhar o espaço com as centenas de banhistas que todos os verões invadem a zona para terem um pedacinho deste paraíso.

Como chegar até à praia de Galapinhos?

Praia de Galapinhos
Praia de Galapinhos. Por Carla Marques da Silva

Os acessos à praia são difíceis, mas isso não demove quem quer banhar-se nestas águas calmas e translúcidas. Os visitantes têm que seguir por um caminho tortuoso entre a vegetação selvagem, pelo que não é fácil subir e descer sem alguma destreza física. O esforço é definitivamente recompensado pela paisagem magnífica. 

Uma opção mais fácil é passar pelas rochas que separam a praia de Galapinhos da praia de Galapos ou caminhando pela areia durante a maré baixa.

Nos últimos anos, durante a época balnear, tem sido implementado um conjunto de regras de acesso às praias da Arrábida, uma vez que esta é uma área protegida. Uma delas é a proibição diária da circulação de automóveis. A medida de prevenção está em vigor de 10 de junho até 18 de setembro.

Através do programa “Arrábida Sem Carros e em Segurança 2022”, que proíbe a circulação de automóveis nos dois sentidos, das 7h às 20h, entre os parques de estacionamento das praias da Figueirinha e do Creiro, há um reforço significativo de transportes públicos para garantir segurança e maior comodidade aos utentes.

Praia de Galapinhos
Praia de Galapinhos. Por Aabasch

Assim, quem quiser ir a banhos nas praias da Arrábida tem duas opções: ir de transportes públicos ou deixar o carro estacionado nos parques de estacionamentos existentes na Figueirinha e Creiro. A lotação é bastante limitada, por isso convém ir cedo.

Nos meses de junho e setembro, o estacionamento na praia da Figueirinha durante o dia inteiro custa 3€ (dias úteis) e 5€ (fim de semana). Já em julho e agosto, os valores sobem para 6,50€ (dias úteis) e 8€ (dia inteiro).

No Parque do Creiro aplica-se a tarifa de ocupação diária de 4€. Quanto ao parqueamento automóvel do Portinho da Arrábida, o estacionamento é exclusivo a residentes e operadores de atividades económicas permanentes.

Arrábida: natureza, mar e contemplação

O Parque Natural da Serra da Arrábida é dos mais belos de Portugal. Abrangendo território pertencente aos concelhos de Palmela, Sesimbra e Setúbal, junta o verde da vegetação e o azul do mar por cerca de 17 mil hectares, dos quais mais de 5 mil são de superfície marinha.

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