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Quatro famílias procuram “liberdade para recomeçar” em Bragança

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Quando Ivo Neto, jornalista a viver no Porto, se candidatou ao programa “Bragança. Liberdade para Recomeçar” não pensou que um mês depois estaria de facto a viver nesta cidade do Nordeste Transmontano e a acordar ao som do rio Fervença. Ivo e a mulher, Rita Vilaça, copywriter, e o gato Sebastião são uma das quatro famílias selecionadas para um projeto piloto inédito promovido pelo Município de Bragança.

Bragança. Por Dolores Giraldez Alonso

Ao todo, a organização recebeu 1879 candidaturas de diferentes pontos do mundo, países tão distintos como Brasil, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Polónia, Rússia ou Noruega. Contudo, as quatro famílias escolhidas vivem todas atualmente em Portugal.

A juntar-se a Rita Vilaça e Ivo Neto, já estão também instalados em Bragança Mário Cunha, fotógrafo de natureza, Diana Carneiro, instrutora de yoga online, juntamente com a filha, o cão e o gato, vindos da Póvoa de Varzim. De Lisboa, vieram Hugo Carosa, produtor audiovisual, e Chiara Pussetti, antropóloga; e os produtores criativos de vídeo e fotografia, Maria Freitas e Frederick Flade.

Estas quatro famílias mudaram-se para Bragança no dia 1 de maio e durante um mês vão viver no concelho de Trás-os-Montes, num alojamento oferecido pelo município, com ligação gratuita à Internet e ainda um cabaz de boas-vindas com produtos regionais.

Rita Vilaça e o gato Sebastião em Bragança com o cabaz de boas-vindas oferecido pela autarquia. Por Ivo Neto

O que os une a todos é o facto de poderem trabalhar de forma remota e uma enorme vontade de viajar e de conhecer melhor Portugal. “Gostamos muito de viajar e de facto o que a pandemia nos tem impedido de fazer é essa parte importante da nossa vida que é viajar e descobrir coisas novas”, explica Ivo Neto.

O projeto tem como objetivo “dar a conhecer todo o potencial do território e, através da partilha da experiência, inspirar quem tiver possibilidade de manter o trabalho remoto mesmo depois da pandemia, a viver em Bragança”, afirmou Hernâni Dias, presidente da Câmara Municipal de Bragança, durante a sessão de boas-vindas, citado no comunicado de imprensa. O presidente sublinhou ainda que “é possível estar ligado e trabalhar em qualquer parte do mundo, ao mesmo tempo que se usufrui de um território ímpar, ideal para se refugiar do ritmo frenético do dia-a-dia, mantendo todas as ferramentas de trabalho necessárias”.

A iniciativa, financiada pela União Europeia, insere-se no Programa de Cooperação URBACT – Find Your Greatness, que junta várias cidades europeias em ações que visam a sua promoção e desenvolvimento sustentável.

“Um detox da cidade”

Rita Vilaça e Ivo Neto com os caretos

Estes novos brigantinos garantem que foram muito bem acolhidos pelos habitantes da cidade de Trás-os-Montes e destacam o seu caráter familiar e acolhedor. “As pessoas são todas muito simpáticas, têm muita curiosidade por causa do programa. É um ambiente muito familiar, muito diferente do Porto”, conta Rita Vilaça à Escapada Rural. “Nota-se que as pessoas estão sedentas de gente nova, de gente jovem”, acrescenta o marido, Ivo Neto.

É a primeira vez que este jovem casal do Porto visita Bragança, apesar de estarem a pouco mais de duas horas de distância. Rita aponta como “uma das coisas positivas da pandemia” o facto de poder conhecer melhor “o que temos cá dentro” e considera que “este tipo de iniciativas é bom também para isso”. “A pandemia também nos veio ‘obrigar’ a fazermos férias cá dentro”, conclui.

Para Ivo, o projeto “é uma excelente maneira de promover a cidade, porque a ideia não é tanto direcionar para o turismo de massas, mas sim para o turismo familiar”.

Ivo Neto junto ao rio Fervença, em Bragança. Por Rita Vilaça

Desde que chegaram a Bragança, o casal já teve a oportunidade de se deliciar com as iguarias da cozinha brigantina, da qual destacam o naco de vitela e os enchidos. Mas também já visitaram o castelo, algumas igrejas, o Parque Natural de Montesinho e até já tiveram um encontro inesperado com os famosos caretos.

Ivo Neto admite que será impossível visitarem tudo o que a região tem para oferecer, uma vez que mantêm os compromissos laborais durante a semana, mas garante que ficarão certamente com o “bichinho” para repetirem a experiência e voltarem a Bragança mais vezes. 

Rita Vilaça e Ivo Neto ainda não pensam em deixar a agitação do Porto, mas admitem que gostavam de no futuro poderem comprar uma casa nesta zona. “Não vir para cá viver, porque por questões profissionais não é possível neste momento, mas ter aqui uma casa e vir cá passar férias ou o Natal. Ter aqui um cantinho para fazer um detox da cidade”, explica Rita.

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