Medieval Sephardic Synagogue (13th / 14th century) in the left i

Por StockPhotosArt

Os judeus praticaram em segredo a sua religião na Península Ibérica. Aí viveram séculos de prosperidade. Centraram-se em áreas como as finanças, medicina e na expansão da sua cultura durante o domínio muçulmano até 1942, altura em que os Reis Católicos e mais tarde em 1497 o rei de Portugal D. Manuel declararam a sua expulsão da Península.

Os filhos de Sião que negaram a converter-se ao catolicismo e decidiram permanecer na Península Ibérica, tiveram que praticar o judaísmo por detrás de muros, entre ruas estreitas, entre sussurros, na obscuridade como sombras. Desse modo, foram os criptojudeus de Portugal que mantiveram a sua religião e a cultura em silêncio durante 500 anos.

Porquê visitar as judiarias em Portugal

Castelo de Vide

Castelo de Vide. Por ahau1969

Na Beira portuguesa, concretamente nos bairros históricos de localidades como a Guarda, Castelo Branco, Trancoso ou Belmonte, poderá encontrar algumas memórias criptojudaicas gravadas entre pedras. Uma visita pelas judiarias dar-lhe-á a conhecer um pouco da cultura hebraica e também os modos de vida que mantiveram o povo judeu que decidiu não renunciar às suas crenças.

Ao longo desta época, o património judaico foi considerado um testemunho bastante importante, assim, ao percorrer esta zona fronteiriça poderá descobrir a existência de uma comunidade surpreendente. Passará por povoações medievais e poderá ver marcas e sinais antigos, sinagogas e homenagens a grandes personagens como Pedro Nunes, um grande matemático e cosmógrafo do século XVI.

As povoações filhas de Sião

Belmonte

Belmonte, Portugal

Por Rui Vale Sousa

A rua que inicia Belmonte tem o mesmo nome que o seu filho mais célebre, Pedro Álvares Cabral, militar considerado o descobridor do Brasil, desta forma já tem uma pista de que está a entrar numa das aldeias históricas de Portugal.

Ao chegar a esta povoação poderá ver o Museu dos Descobrimentos e se subir em direção ao castelo encontrará a zona histórica. Como em outras povoações da zona, em Belmonte iremos sentir que entramos diretamente na Idade Média.

Para explicar o topónimo desta região existem duas teorias. Alguns dizem que pode ser pela beleza deste lugar, que contém um belo monte, outros defendem que o seu nome deriva de belli monte, o que significa monte de guerra. Ambas podem estar corretas.

Em Belmonte podemos visitar a sinagoga e o Museu Judeu que recebeu mais de 16 000 visitantes desde a sua renovação. Este museu conseguiu atingir o seu objetivo: mostrar a todos que o visitam como foi possível que a sociedade judaica sobrevivera durante tantos anos nesta zona mantendo uma relação de harmonia com as restantes comunidades.

Guarda

Guarda, Portugal

Guarda. Por LianeM

Se questionar a alguém por Guarda, irão dizer-lhe que é a cidade mais alta de Portugal e que aí se respira o ar puro da montanha. Também dirão que é conhecida como “a cidade dos cinco F’s”- Farta, Forte, Fria, Fiel e Formosa.

É possível que também digam que as suas ruas medievais são de grande beleza e que poderá subir até ao Castelo da Guarda, declarado Monumento Nacional, e que a Catedral da Guarda na Praça Luís de Camões é um fantástico exemplo gótico. Além disso é ainda provável que lhe transmitam o quão importante foi a judiaria nesta cidade.

A muito poucos quilómetros da antiga fronteira, a Judiaria da Guarda está integrada na Rota das Judiarias, juntamente com a de Belmonte e Trancoso. Ao chegar à praça Luís de Camões terá a sensação de estar em outra época. Na zona antiga, onde possui casas baixas e a igreja com belos azulejos, é necessário passear lentamente para que possa admirar cada detalhe.

A entrada principal encontra-se em Quatro Quinas, ponto onde convergem três ruas que se cruzam. A comunidade judaica da Guarda era bastante dinâmica e encarregava-se de fornecer importantes serviços na população como por exemplo: sacristias, sapatarias, ferramentas e carpintarias. Porém com a inquisição e a perseguição religiosa a harmonia foi quebrada.

Castelo de Vide

Fonte da Vila en el barrio judío de Castelo de Vide

Fonte da Vila en el barrio judío de Castelo de Vide. Por StockPhotosArt

Acima da encosta, desde o Castelo Medieval terá uma bela vista desta povoação com a igreja em primeiro plano e a paisagem alentejana: conjunto de casinhas brancas e telhados laranjas que formam uma vila antiga em redor. À nossa esquerda está localizada a antiga sinagoga.

É quando passamos pelas ruas estreitas entre o Castelo e a Fonte da Vila (que possuí uma água mineral bastante famosa) que temos a perceção da existência do bairro Judeu de Castelo de Vide, é um dos exemplos mais importantes e bonitos da presença dos Judeus em Portugal.

Ao caminhar pelas ruas de Castelo de Vide poderá verificar que algumas ruas têm nomes de personalidades que por alí passaram. Exemplo disso é a Rua do Arçario, nome do tesoureiro da comunidade e a Rua das Espinhosas que honra um filósofo do Séc. XVII, Spinoza, que segundo o município, foi descendente de um antigo habitante de Castelo de Vide. A Rua Nova tinha este nome pois nela moravam os judeus convertidos, os novos cristãos.

Nas judiarias poderá observar as casas que revelam os segredos dessa mesma comunidade. No Castelo de Vide observará nas ombreiras do lado direito das portas, pequenas perfurações, onde os Judeus colocavam um pequeno pergaminho com o nome de Deus escrito num dos lados e o verso, Shemah (nome dado à primeira frase do Livro do Deuteronómio, que significa “ouve”).

Trancoso

Uma das mais belas aldeias históricas de Portugal, permitir-lhe-á reviver a história num contexto ambientado. Dizem que este município é considerado uma aula de história em pedra e que ao entrar pela antiga porta do rei na muralha irá ser levado à essência da Idade Média.

A sua localização estratégica (o formidável castelo e as quinze torres da muralha que protegiam a zona) fez com que Trancoso fosse essencial na formação da atual fronteira com Espanha. O labirinto das ruas empedradas irá conduzi-lo ao centro da aldeia onde encontrará a Igreja de São Pedro. Nela descansa uma personagem misteriosa, o Bandarra, um sapateiro e poeta que profetizou a perda da independência de Portugal em 1580 e a sua restauração em 1640.

No séc. XV viveu em Trancoso uma importante comunidade judaica que contribuiu em grande medida para o desenvolvimento do comércio. O seu testemunho é visível se analisarmos com detalhe a arquitetura e as casas com duas portas (a mais larga era da entrada da loja e a mais estreita é a entrada da residência). Nas laterais as duas portas, as marcas mostram cruzes, estrelas de David e palavras hebraicas que guardam parte da memória das principais judiarias de Portugal.

Mais informação | Ruta de las Juderías de Turismo de Portugal

Casas de campo em Castelo de Vide

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