S. Brás de Alportel é uma vila que se descobre no coração do Sotavento algarvio. Implantada no barrocal, encostada à Serra do Caldeirão, daqui ainda se avista o oceano na linha do horizonte.

A Oeste os seus caminhos chegam a Loulé; a Norte e Leste encaminham-se para Tavira, Já a Sudeste vai-se em direção a Olhão, e se se descer sempre para Sul, em poucos minutos está-se em Faro.

Com uma localização privilegiada, terras férteis ao redor e um clima que vai buscar frescura à Serra, desde sempre foi território procurado e povoado. A herança romana e islâmica são evidentes, quer pelos vestígios arqueológicos quer na toponímia.

Em finais do século XIX, S. Brás de Alportel ganha importância económica de primeira linha como principal centro de produção corticeira do país. Os sobreiros são, desde então, marca essencial desta povoação.

Hoje S. Brás é um lugar onde apetece estar. A vida é boa e saboreia-se, o que explica a sua integração, desde 2008, na chamada Rede internacional de Cidades Cittaslow, lado a lado com Tavira, Silves e Lagos.
Recentemente o seu nome associa-se à Estrada Nacional 2 que por aqui passa e une Faro a Chaves.

Conhecer S. Brás de Alportel implica ir à descoberta do seu património, das muitas atividades associadas à natureza, das suas festas e gastronomia. Eis um breve roteiro:

Igreja Matriz

A igreja matriz, foi construída no século XVI. A sua estrutura e o seu interior guardam as modificações feitas ao longo dos séculos. O adro da igreja serve ao mesmo tempo de miradouro, com uma vista ampla sobre os matos, com o mar ao fundo. O domingo de Páscoa de manhã é o dia ideal para visitar esta igreja, ponto de partida e chegada da procissão das tochas floridas.

Palácio Episcopal

A partir de finais do século XVI, durante a época de Verão, os Bispos do Algarve deixavam Faro, sede do episcopado, e instalavam-se aqui, devido ao clima suave de S. Brás. O edifício original tinha uma capela interior, uma fonte com em abóbada e com oito bicas, tanques e um pátio interior e um jardim. A partir de 1910 passa a albergar a primeira escola primária do Concelho. Hoje, neste mesmo edifício, funciona o Centro de Artes e Ofícios.

Jardim da Verbena

Antiga dependência do Paço Episcopal, este jardim, hoje aberto ao público, é um dos recantos frescos da vila e um lugar de fruição e festa para a comunidade. Guarda o antigo coreto e conta ainda com as piscinas municipais a céu aberto.

Largo da Praça Velha

Um feixe de ruelas, feitas de curva e contracurvas, por entre casas caiadas, de portas e janelas emolduradas por cantarias, conduzem-nos ao Largo da Praça Velha, o antigo coração da povoação. Aqui descobre-se uma casa, do século XIX, com janelas em formato de ferradura, e lembrar influências islâmicas.

Museu do Trajo

Museu do Trajo

Por Wikemanuel

Um palacete do século XIX, construído por um dos grandes corticeiros da terra, alberga um espólio de roupas associadas aos hábitos quotidianos das gentes do barrocal e da Serra. Os jardins são um espaço polivalente onde acontecem os mais variados eventos culturais: desde o jazz a feiras de plantas autóctones e jardinagem, artes plásticas, etc..

A “Calçadinha”

Ruinas romanas de Milreu, Estoi, Algarve, Portugal

Por puckillustrations

Este é o nome que se dá a uma via que terá feito parte da rede de estradas lançadas pelos romanos. Iniciava-se na antiga Ossónoba, Faro, vinha em direção a norte, passando pela Villa romana de Milreu, ao lado de Estoi, chegando por fim a S. Brás. Os trabalhos arqueológicos têm posto a descoberto a história deste trajeto, que agora pode ser replicado pelos visitantes em dois dos seus troços.

Parque da Fonte Férrea

Serra do Caldeirão

Serra do Caldeirão. Por Geziel Amaral

Escondido em plena Serra do Caldeirão, é um lugar por onde vale a pena passear e descobrir naturalmente a fauna e a flora locais no seu estado puro. Lugar de grande frescura, ares perfumados pela vegetação e com uma fonte de águas férreas. Fica localizado depois da Aldeia do Alportel, seguindo para Norte, junto à Estrada Nacional 2.

Rota da Cortiça

Este roteiro temático revela a relação S. Brás com o sobreiro. É a oportunidade de conhecer histórias antigas enquanto se sobe à Serra do Caldeirão e se percorrem os sobreirais, para depois descobrir as técnicas usadas na preparação e transformação da cortiça. O itinerário inclui seis temas: património, natureza, vida rural, tradição, inovação e conhecimento. Assim se se irá compreender como a vila se tornou num importante centro industrial e comercial corticeiro em finais do Século XIX.

Gastronomia

A gastronomia típica desta terra é feita de sabores e aromas que compõem a dieta mediterrânica, ainda que com algumas particularidades. Por aqui encontram-se os jantares de grão com galinha, os gaspachos, o coelho bravo. Depois, os doces são preparados com o que a terra sempre deu: amêndoa, figo, alfarroba e mel. Uma nota final para a aguardente de medronho.

Festa das Tochas Floridas

Todos os domingos de Páscoa S. Brás vive a sua procissão das tochas floridas. Esta é uma festividade do calendário católico mas que reúne as gentes mais diversas que vêm assistir ao espetáculo que toma conta das ruas, cujo chão é desenhado com flores na madrugada anterior. Depois, durante a manhã, uma longa procissão percorre as vias principais da vila. As pessoas levam consigo tochas decoradas com flores que a Primavera, acabada de chegar, oferece e ouve-se gritar “Aleluia! Ressuscitou como disse!”.

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