Fado Lisboa

By malajscy

A noite lisboeta tem muitos encantos, mas é no Fado e nas suas casas que a tradição e a cultura portuguesa conquistam corações e onde melhor se apregoa a única palavra que não tem tradução para qualquer outra língua do mundo, a palavra Saudade…

Considerado Património Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde Novembro de 2011, o fado é o mais característico estilo musical português. Existem muitas versões no que diz respeito à origem do fado e à sua localização temporal e geográfica, mas o que a história não pode desmentir é que foi a partir da Lisboa oitocentista que o fado começou a fazer parte do dia-a-dia, do convívio e do lazer dos lisboetas ou dos alfacinhas como são carinhosamente tratados.

A palavra fado deriva do latim “fatum”, que significa destino, uma das palavras mais repetida ao longo dos anos nos poemas cantados em forma de fado. O primeiro fado de que há memória foi o do “Marinheiro”, que era –como o nome indica– cantado pelos marinheiros que desembarcavam em Lisboa. Desde logo foi considerada uma música do povo e para o povo, cantada nos becos e vielas, nas tabernas e nos cafés espalhados pela cidade.

Inicialmente, este estilo de música era frequentemente associado a ambientes marginais, frequentados por prostitutas, estivadores, faias, marujos e marialvas e, por isso, rejeitado por parte da população mais intelectual da cidade.

By Alexander

Uma das histórias que o fado mitificou foi o caso amoroso do Conde de Vimioso com Maria Severa Onofriana (1820-1846), meretriz bastante apreciada pelos seus dotes de cantadeira e que acabou por se transformar na primeira voz célebre do fado. O envolvimento de um aristocrata boémio com a meretriz foi o mote para muitos poemas cantados ao longo de toda a história do fado e, anos mais tarde, adaptada ao cinema por Leitão de Barros com Amália Rodrigues como protagonista.

Durante as décadas de 30 e 40, o teatro de revista, o cinema e a rádio tiveram um papel preponderante ao aproximar este estilo musical do grande público e da aristocracia. A figura do fadista “renasce” como artista, do grande interprete que sai da penumbra das ruelas para brilhar nos mais aclamados palcos da cidade e que começa a fazer-se ouvir diariamente nas rádios nacionais. Foi exactamente através do teatro de revista que nasceram muitos dos grandes nomes do fado sendo o caso mais emblemático o de Hermínia Silva, que se consagrou somando os seus dotes de cantadeira com os de uma belíssima actriz de comédia.

Surgem então as Casas de Fado, em bairros típicos como Alfama, Mouraria, Castelo e Bairro Alto, e com elas o lançamento do artista de fado profissional. Era necessário carteira profissional, um repertório aprovado pela Comissão de Censura, e uma aparência adequada para se poder cantar nestas ditas casas.

O fado começa então a despertar o interesse de letristas, compositores e poetas que se cruzam no agora ambiente de convívio e tertúlia das casas de fado.

A primeira voz célebre do fado foi Severa, mas foi com a inigualável voz de Amália Rodrigues que o fado ultrapassou fronteiras e se tornou célebre no Mundo. Amália Rodrigues cruza definitivamente o fado com a poesia erudita e torna populares vários fados cujas letras vinham de nomes ilustres como Luís de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, entre outros. Amália foi durante décadas e até à data da sua morte, em 1999, a dona e a grande senhora do Fado.

Se falarmos em vozes masculinas, Carlos do Carmo, filho da também célebre fadista Lucília do Carmo, é a maior referência quer a nível nacional e internacional, tanto mais que venceu o maior prémio da música do mundo, o Grammy Latino de Carreira em 2014.

Mais recentemente, já nos anos 90, o fado consagra-se, definitivamente, nos meandros da World Music Internacional. Surgem novas e grandes vozes do fado com Mariza a assumir o maior protagonismo. Camané é outro dos nomes em destaque e a liderar uma lista enorme de talentosas vozes como são os casos de Carminho, Ana Moura, Raquel Tavares, Ricardo Ribeiro, Marco Rodrigues, António Zambujo, Rodrigo Costa Félix e Katia Guerreiro, entre muitos outros, que certamente contribuíram para a ascensão do Fado a Património Imaterial da Humanidade.

Ora, para descobrir mais e entrar –de corpo e alma– neste mundo do fado, não deixe de visitar o Museu do Fado, situado no coração de Alfama –junto ao Largo do Chafariz de Dentro– onde poderá apreciar os espólios de centenas de intérpretes, autores, compositores, músicos, construtores de instrumentos, artistas profissionais e amadores, de centenas de personalidades que testemunharam e construíram a história do Fado.

Por AntoineJoub

Imperdível também é conhecer a Casa Museu Amália Rodrigues, a casa onde a fadista viveu mais de 50 anos. É a casa que guarda a história de Amália, a mais reputada fadista portuguesa, e em que a Grande Senhora do Fado está presente em cada canto,nas paredes, nos retratos, nas pinturas e na música que se ouve.

No entanto para que conheça o fado que –ainda hoje– se vive nas ruas de Lisboa, vale a pena perder-se pelas ruelas de alguns dos bairros históricos da cidade e conhecer algumas das mais tradicionais casas de fado da cidade onde poderá testemunhar de perto este estilo musical tipicamente português e, quem sabe, cruzar-se com alguns destes artistas que ainda hoje –e apesar das já consagradas carreiras– fazem questão de regressar às casas de fado que os viram nascer.

Casas de fado

Casas de campo em Lisboa

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