Tavira

Por malajscy

Das ruelas que serpenteiam as margens do rio Gilão às muralhas do castelo de onde se tem a melhor vista sobre a cidade, Tavira é uma daquelas cidades mágicas que tem o condão de seduzir tudo e todos quantos por lá passam. Quer pela história, quer pelos inacreditáveis 11 quilómetros de algumas das melhores praias algarvias, a verdade é que é muito difícil resistir-lhe.

História de Tavira

A história de Tavira perde-se no tempo. As escavações indicam a presença de vários povos da antiguidade com especial destaque para os fenícios. O povo fenício terá mantido alguma relevância económica e comercial na região entre os séculos V e IV a.C. Escavações recentes deram conta de vários vestígios de enorme riqueza científica.

Já mais tarde, entre os séculos VIII e XIII, Tavira foi dominada pelos árabes até à sua conquista em 1242, pelos cavaleiros da Ordem de Santiago liderada por seu mestre D. Paio Peres Correia e foi na colina de Santa Maria – cercada pelas muralhas do castelo – que os conquistadores cristãos consolidaram a sua presença civil, militar e religiosa. Aí se instalaram as primeiras igrejas, re-aproveitando – em alguns casos – o que restava das antigas mesquitas árabes.

Já no início do século XVI – em plena época dos Descobrimentos portugueses – depois da concessão de um novo Foral a vila é elevada a cidade em 1520 por D. Manuel I.

No século XVI Tavira era já o principal porto comercial e centro populacional de todo o território algarvio. Depois de um período de declínio económico e estratégico da cidade, seguiram-se anos de estabilidade nos reinados de D. Pedro II e D. João V que parecem ter travado a estagnação da cidade. Foi exactamente nesta altura que a cidade registou o desenvolvimento da atividade das Ordens Terceiras, das confrarias ou irmandades, que favoreceu a proliferação de igrejas e capelas, mandadas construir e decorar pelos confrades.

Por Bert Kaufmann

Quando em 1755, em pleno reinado de D. José e com o Marquês de Pombal a dirigir os desígnios da nação, o terramoto atingiu alguns dos mais antigos edifícios da cidade como a igreja matriz de Santa Maria temeu-se o pior, mas a igreja matriz da cidade viria a ser reconstruída dentro do espírito neoclássico que caracteriza já o fim do século XVIII.

Não é pois de estranhar que Tavira seja conhecida como a “Cidade das igrejas”. Hoje em dia poderá contabilizar vinte e uma igrejas na cidade de Tavira. De todos os templos, a igreja de Santa Maria do Castelo é particularmente interessante, com a sua torre com relógio e portal gótico. Destaque ainda para o Convento de Nossa Senhora da Graça, construído por iniciativa do rei D. Manuel I como agradecimento por os mouros terem levantado o cerco a Arzila, uma velha praça portuguesa no norte de África, e a igreja da Misericórdia de Tavira, cuja decoração apresenta um conjunto de azulejos azuis e brancos do século XVIII.

Rio Gilão e Séqua

Tavira

Por digitalsignal

Tavira é uma bonita cidade localizada em ambas as margens de um rio de apenas 56 quilómetros mas que tem dois nomes: Gilão e Séqua.

Conta a lenda que a ponte romana que divide as duas margens da cidade de Tavira era o local privilegiado de encontros secretos entre a princesa muçulmana Séqua e o cavaleiro cristão Gilão, que viviam um amor proibido. Ao serem descobertos e receando serem acusados de traição por ambas as famílias, o casal atirou-se ao rio, um para cada lado da ponte, dividindo assim o nome do rio.

Assim, numa visita a Tavira é absolutamente imprescindível que atravesse esta histórica ponte romana que presenciou vários eventos cruciais da história da cidade. Foi sobre a ponte, durante a crise dinástica de 1383-1385, depois do reinado de D. Fernando I, que partidários da causa do Mestre de Avis, futuro rei de Portugal, derrotaram os invasores espanhóis.

Lugares a não perder

Tavira

Por e55evu

Como qualquer cidade ribeirinha, é precisamente nas margens deste rio, na zona que dá pelo nome de Gilão, que a cidade de Tavira ganha vida, com muitos recantos e encantos que prometem não defraudar quem a visita. Junto à ponte, na margem do rio, encontram-se alguns dos melhores restaurantes e bares da cidade.

A Praça da República, também localizada junto ao rio, é o centro da cidade. Aqui poderá encontrar o edifício dos Paços do Concelho, que apresenta na fachada o brasão da cidade. Logo ao lado encontrará o Jardim do Coreto onde, durante os meses de Verão, existe sempre animação, alguns concertos, pequenas feiras e mercados de rua.

O Castelo de Tavira, inicialmente construído pelos mouros no século X e localizado no topo da colina de Santa Maria, é outro dos ex-líbris da cidade e que merece certamente uma visita.

Agora é tempo de rumar até ao encantador Mercado da Ribeira. O edifício, que foi construído em 1887, albergou o mercado municipal até 1999 e hoje é palco de várias lojas de artesanato local bem como de alguns cafés e pastelarias onde a doçaria tradicional algarvia dita a quebra de qualquer dieta.

Costa e praias

Por Hendrik Dacquin

Depois de conhecer o centro da cidade, chegou a altura de nos dirigirmos para a costa e as suas praias verdadeiramente paradisíacas.

A caminho do cais das Quatro Águas, onde se apanha o barco para a praia da Ilha de Tavira, passa inevitavelmente pelas maravilhosas salinas da cidade, muito visitadas na primavera por flamingos. É aqui que nasce a tão famosa flor de sal da Ria Formosa procurada pelos mais conceituados chefs de cozinha de todo o Mundo.

Do lado oposto ao cais vai poder ver o Arraial Ferreira Neto, um espaço usado pelos pescadores de atum que – em tempos que já lá vão – ali guardavam as suas armações de pesca e que hoje foi transformado numa unidade hoteleira mas onde poderá, ainda hoje, visitar o Núcleo Museológico da Pesca do Atum.

A ilha de Tavira possui uma extensão de, aproximadamente, 11 quilómetros e nela se inserem as praias da Ilha de Tavira, Terra Estreita, Barril e Homem Nú. No concelho de Tavira, para além da ilha com o mesmo nome da cidade, há uma outra ilha que, com um areal de 7 quilómetros de extensão e águas quentes, não poderá deixar de visitar: a ilha de Cabanas.

Por Jose A.

A praia da Ilha de Tavira é, provavelmente, a mais famosa e mais visitada deste conjunto de praias. Ao sair do barco, percorremos um longo passadiço com muitos e variados bares e restaurantes até chegar à praia de extenso areal fino e branco e onde a temperatura média da água do mar ronda os 22º C.

Se nos decidirmos pelo areal para o lado direito do passadiço, depois de uma caminhada de cerca de 30 minutos, chegamos à Praia da Terra Estreita. Mas o seu principal acesso é feito de barco desde o centro de Santa Luzia, uma localidade piscatória também conhecida por “Capital do Polvo”. Aqui pode assistir à chegada ao cais dos coloridos barcos carregados de polvos e saborear esta iguaria num dos muitos e bons restaurantes na marginal.

No final da marginal de Santa Luzia encontra um pequeno comboio que, numa viagem de apenas cinco minutos, o conduz à Praia do Barril.

Neste areal o destaque vai para o imponente “cemitério de âncoras” e vestígios da antiga armação do atum existente em 1842, e agora reconvertido numa área comercial.

Cabanas de Tavira

Regressando à estrada pela E.R. 125 – a famosa nacional 125 que atravessa o Algarve de lés a lés – em direção a Espanha, vai encontrar Cabanas de Tavira. Por volta de 1734, a armação do atum iniciou a sua atividade e surgiram as primeiras “cabanas”, indispensáveis à guarda dos apetrechos de pesca e alojamento da companhia, cabanas estas que dariam o nome à terra.

Na marginal de Cabanas tem um pequeno cais de embarque, a partir do qual poderá atravessar de barco até à Praia de Cabanas-Mar, outra jóia da natureza.

Pego do Inferno

Pego do inferno, Tavira

Por F8studio

Para o fim deixamos uma das melhores dicas: o Pego do Inferno. Situa-se na freguesia de Santo Estêvão, a cerca de 7 quilómetros de Tavira e vale a sua visita para um mergulho refrescante no final de um dia de calor.

O Pego do Inferno é uma das cascata da ribeira da Asseca, um dos mais importantes cursos de água da região de Tavira. A imponente queda de água forma uma lagoa redonda, de um verde mediterrâneo, rodeada de uma refrescante área arborizada e, sem um mergulho de final de tarde, nas frescas águas do Pego do Inferno, a sua visita a Tavira não estará completa.

Casas rurais em Tavira

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