Sines. Por Terras sem Sombra

Natureza, história e música. Estes são os três elementos chave que dão corpo a mais uma edição do Festival Terras sem Sombra, que durante vários meses dá a conhecer o património e a biodiversidade de várias localidades do Alentejo, tendo como mote a música ecoada em espaços patrimoniais destas terras distantes.

A edição de 2019, que arrancou em janeiro e decorre até julho, dá oportunidade de aprender a fazer pão, ouvir vozes femininas numa igreja ou conhecer os segredos do Guadiana. Estes são apenas três exemplos das 50 atividades, entre concertos, conferências, visitas guiadas ao património e ações práticas de salvaguarda da biodiversidade que o Terras sem Sombra propõe nesta 15ª edição.

Ferreira do Alentejo. Por Terras sem Sombra

As várias experiências de imersão cultural decorrem em 13 concelhos do Alentejo e da Extremadura: Vidigueira, Serpa, Monsaraz, Valência de Alcântara, Olivença, Beja, Elvas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira, Barrancos, Santiago do Cacém e Sines.

Este festival visa abrir as portas do património cultural e natural do Alentejo, como palco privilegiado da música europeia e internacional, permitindo a sua fruição por parte de um público alargado. Quer contribuir para tornar acessível a todos a notável tradição artística e cultural da região, presente nos centros históricos, nos monumentos, nas paisagens, cruzando-a com as áreas e espécies protegidas, a gastronomia e os produtos locais de excelência.

Para isso, os programas evidenciam sempre esses aspetos nas 13 iniciativas programadas. Destacamos algumas delas.

Quais as experiências a ter em 2019?

Barragem de Pedrógao. Por Terras sem Sombra

Depois de dar a conhecer o ciclo do Pão da Vidigueira, repositórios de vida selvagem na barragem de Pedrógão e ouvir as Vozes Femininas da Geórgia, na igreja de São Cucufate, matriz de Vila de Frades, famosa pelas condições acústica, a viagem prossegue até Serpa.

Nesta vila alentejana, o programa passa por ter um encontro com o Cante, tradição musical alentejana e Património Cultural Imaterial da Humanidade. A 9 de fevereiro, será possível participar num workshop que mostra toda a sua dimensão cultural. Neste fim de semana, dá-se também destaque às raças autóctones e ao genoma do sobreiro. O Centro de Experimentação do Baixo Alentejo caracteriza, conserva e valoriza os recursos genéticos autóctones, animais e vegetais. Será uma boa oportunidade para conhecer esta realidade.

Ainda em fevereiro, a viagem prossegue até Monsaraz. No dia 23 será possível ouvir música portuguesa e espanhola dos finais do século XIX na Igreja de Nossa Senhora da Lagoa. No campo da biodiversidade, é hora de descobrir a paisagem desta localidade alentejana, que expressa traços característicos da agricultura mediterrânica em mosaico. Em Reguengos de Monsaraz também será possível saber que, em 1958, foi descoberta no antigo tribunal de Monsaraz uma invulgar pintura a fresco, de finais do século XV, obra-prima da arte tardo-gótica que evoca, alegoricamente, as justiças divina e humana. Esta peça é o ponto de partida para uma conversa sobre o bom governo dos povos.

Odemira. Por Terras sem Sombra

Em março, destaque para a visita a Olivença e conhecer as raízes portuguesas desta terra. Cedida a Portugal pelo Tratado de Alcanizes (1297), Olivença foi elevada a vila por D. Dinis. Em 1801, transitou para a administração espanhola. Hoje, é uma cidade que não renunciou à tradição lusa, constituindo um símbolo de convivência e diálogo de culturas. Aqui vai ser possível conhecer a serra de Alor, que atinge 600 m de altitude e possui densas manchas de dehesa (montado) e olivais. Preserva também zonas de mato onde se conservam tesouros botânicos, estando classificada como Lugar de Importância Comunitária.

Há muito para conhecer e descobrir nestes programas. A 27 de abril, por exemplo, Elvas dá a oportunidade de ouvir p organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona. Juan de la Rubia tem tocado nos principais palcos da Europa, da América e da Ásia e vai fazer soar a sua música na Igreja de Nossa Senhora da Assunção (antiga Catedral) de Elvas. No que toca à natureza, por estas terras, o festival destaca este ano o jacinto-de-água.

No troço internacional do Guadiana que fica junto a Elvas, o jacinto-de-água tem vindo a ganhar terreno, prolongando uma invasão que já cobre uma grande área da bacia do mais extenso rio da Península Ibérica. Espanha e Portugal juntam forças, desde 2012, para lhe deter o avanço, mas a situação não é fácil. Nesta visita, pretende-se compreender a problemática decorrente de tão ameaçadora praga, permitindo que os participantes se tornem peças ativas no combate às espécies exóticas invasoras.

Prosseguimos no calendário e verificamos que em maio decorrem três ações do programa. Cuba, Ferreira do Alentejo e Odemira são as terras destacadas. Salientamos o programa de Ferreira, a 11 e 12 de maio. A música é da guitarra de Ferenc Snétberger, conhecido pela arte de improvisar e cruzar fronteiras estilísticas. A sua música inspira-se na tradição cigana da Hungria, nos ritmos do Brasil e do Flamenco e nos repertórios para guitarra clássica e guitarra de Jazz.

Santiago do Cacém. Por Terras sem Sombra

No que toca à biodiversidade, há espaço para mostrar a importância dos insetos para a sustentabilidade nos campos. Os insetos constituem o grupo biológico mais diverso e abundante do nosso planeta. O concelho de Ferreira do Alentejo, onde domina a agroindústria, é um território interessante para o estudo das interações entre os insetos e a atividade humana, permitindo analisar o papel do mosaico agrícola e florestal na conservação dos recursos biodiversos.

Barrancos e Santiago do Cacém, as terras a descobrir em junho. A 23, já no verão, pode visitar as Ermidas do Sado e conhecer a vida deste grande rio. O Sado é o único grande rio português que segue na direção Sul-Norte. Constitui um notável repositório de biodiversidade. Esta ação revela um segmento pouco conhecido do seu curso fluvial, na freguesia de Ermidas, onde a passagem entre as margens era feita numa barca e perduram ruínas de moinhos. Neste fim de semana é a música checa que se dá a conhecer nos palcos alentejanos. O Duo de Câmara Checoslovaco é um agrupamento muito apreciado, pelo público e pela crítica internacionais, graças à sua perfeita harmonia e à sua expressiva musicalidade. Vão atuar a 22 de junho na Igreja Matriz de Santiago Maior.

A edição de 2019 termina em Sines, a 6 e 7 de julho. Palco de inúmeros naufrágios, a costa alentejana ofereceu importantes perigos à navegação enquanto não dispôs de sinais luminosos. O farol do Cabo de Sines entrou em funcionamento em 1880, com uma torre de 22 m de altura e 41 m de altitude (ampliada em 1992-1995). Visível a grande distância, constitui uma das marcas da paisagem e da identidade locais. Tem aqui oportunidade para o conhecer melhor.

Barrancos. Por Terras sem Sombra

O concerto de encerramento dá-se no castelo de Sines, na noite de 6 de julho. No decurso de quase meio século de existência, o americano Kronos Quartet tornou-se num dos agrupamentos mais celebrados e influentes do mundo, tendo realizando milhares de espetáculos, lançado mais de 60 gravações discográficas e colaborado com muitos dos principais compositores e intérpretes contemporâneos.

Por fim, no último dia, fique a saber que no porto de Sines ocorre uma monitorização e avaliação da qualidade dos ambientes marinhos que contribui para a produção de peixes de boa qualidade, promovendo o desenvolvimento de uma indústria ecologicamente sustentável e viável. Esta iniciativa, a decorrer a 7 de julho, dá a conhecer uma forma de valorização dos recursos naturais da zona costeira através de atividades que, não sendo as principais do porto, ajudam a diminuir o impacte da pesca e o declínio de espécies oceânicas.

Casas de campo em Alentejo

Publique um comentário

* Estão marcados os campos obrigatórios.