Torre de Belém

Torre de Belém. Por Moedas1

Belém situa-se na zona mais oeste de Lisboa. A vida neste bairro respira a História de Portugal, seja o período áureo dos Descobrimentos, um pouco de Estado Novo de Salazar ou a Lisboa dos dias de hoje, plena de renovação e vitalidade.

Um passeio a pé

Padrão dos Descobrimentos

Padrão dos Descobrimentos. Por Henner Damke

Belém, debruçada ao longo da margem norte do Tejo, pede um longo passeio a pé. Mas por onde começar? Pelos Jerónimos, é a sugestão que fazemos. Também conhecido como Mosteiro de Santa Maria de Belém, é exemplo perfeito do estilo Manuelino. No início do século XVI, enquanto caravelas partiam de Belém, rumo às terras desconhecidas mundo fora, erguia-se este edifício, por indicação do rei D. Manuel I, tarefa que passou pelas mãos de vários arquitetos ao longo de 100 anos. Para além da sua íntima ligação à saga dos Descobrimentos, em 1986, nos seus claustros, foi assinada a adesão de Portugal à CEE. Os Jerónimos são classificados Monumento Nacional e Património da Humanidade (pela UNESCO).

A Torre de Belém poderá ser a paragem seguinte (uma das 7 Maravilhas de Portugal, e distinguida com as mesmas classificações que os Jerónimos). A estratégia militar em plenas Descobertas pedia uma estrutura que defendesse a barra do Tejo. É assim que a sua construção também é ordenada por D. Manuel I, a partir de 1514. Hoje ao mencionar “Lisboa” associa-se naturalmente a imagem da Torre. Em seu redor estendem-se os jardins da Torre de Belém, procurados para fazer desporto, piqueniques e até concertos durante as estações mais quentes. Nesta área descobre-se também o monumento comemorativo da primeira travessia do Atlântico Norte, por Sacadura Cabral e Gago Coutinho. Estava-se no ano de 1922 e a intenção era a de assinalar os 100 anos da independência do Brasil.

O Padrão dos Descobrimentos, também junto ao rio, poderá ser a paragem seguinte. Monumento com a forma de caravela que transporta os protagonistas das Descobertas, com destaque para o Infante D. Henrique, seu grande dinamizador. Inicialmente fora criada como estrutura provisória: seria uma das atrações da Exposição do Mundo Português, um dos momentos-chave da propaganda política do Estado Novo, obra de Cottinelli Telmo e Leopoldo de Almeida. Mais tarde, em 1960, nas comemorações dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, o Padrão é reconstruído de forma definitiva, para homenagear aquele príncipe. No seu interior vale a pena subir ao miradouro. No exterior, uma gigantesca rosa dos ventos espalha-se à sua volta pela calçada.

Mais atrás, perto dos Jerónimos, ergue-se o Centro Cultural de Belém. Inicialmente foi construído para receber a presidência da União Europeia, que caberia a Portugal em 1992. A escolha da sua localização, em Belém, relaciona-se com a vontade de evocar, mais uma vez, a época dos Descobrimentos. Na atualidade o CCB é um dos mais importantes espaços de dinamização da cultura, ao dar atenção às artes da dança, música, passando pela ópera ou cinema entre outras. Numa das suas alas funciona o Museu Berardo.

De fronte para o CCB e para o Mosteiro dos Jerónimos o espaço abre-se à Praça do Império. No centro ergue-se uma majestosa fonte luminosa. Neste jardim amplo foram dispostos os símbolos de uma nação que se estendia por territórios vários ultramarinos, um desafio para espíritos atentos, se bem que a maioria prefira as selfies em família.

Não muito longe daqui ficam os famosos pastéis de Belém. A sua confeção artesanal, na “Oficina do Segredo”, segue receita secreta, vinda do Mosteiro dos Jerónimos, desde meados século XIX. Prová-los é um prazer possível nos números 84 a 88 da Rua de Belém.

pastéis de Belém

Por Viennetta14

Depois, já com uma caixa de pastéis de Belém ainda quentes na mão, Se se sair da confeitaria, virando à esquerda, uns metros mais á frente passa-se às portas do Palácio de Belém. A construção rosa serve de residência oficial aos Presidentes da República e também pode ser visitado.

Se se continuar na mesma direção, para a zona da Junqueira, surge um edifício fascinante pelas suas dimensões: 400 metros de comprimento para 50 metros de largura apenas, dão forma à Cordoaria Nacional. Serviam estas instalações para fabricar cordas, sisal, velas e bandeiras que equipavam os navios portugueses, muitos deles ancorados no rio Tejo. Foi fundada em 1771 por decreto do Marquês de Pombal, com o nome de Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira. Classificado como Monumento Nacional desde 1996, hoje é um espaço de exposições temporárias que, entre outras, vão da fotografia às antiguidades.

Museus

Mosteiro dos Jerónimos

Mosteiro dos Jerónimos. Por jasckal

Em Belém concentram-se alguns dos mais importantes museus da cidade, destacando-se aqui alguns deles:

MAAT, são as iniciais para designar o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. A arte contemporânea surge aqui nas suas variadas abordagens. Este novo edifício foi inaugurado no Outono de 2016. Agregado a ele está também o Museu da Eletricidade, ocupando o espaço da antiga Central Tejo, central termoelétrica responsável pela iluminação da cidade durante muito tempo. É um magnífico exemplo de arqueologia industrial. O tema das energias é o enfoque das exposições neste museu.

O Museu dos Coches estende-se hoje pelo antigo Picadeiro do Palácio Real de Belém e pelo novo edifício, que abriu portas em 2015. A coleção de coches, caso único no mundo, é a grande atração num dos museus mais visitados em Portugal.

A arte moderna e contemporânea, nacional e internacional é o que oferece o Museu Coleção Berardo, instalado no CCB. A coleção permanente e as exposições temporárias dão uma visão ampla das tendências percorridas pelas artes plásticas ao longo dos séculos XX e XXI, podendo encontrar-se obras de Picasso, Duchamp, Dali, Warhol, Souza Cardozo, Paula Rego ou Helena Almeida.

O Museu Nacional de Arqueologia ocupa a ala oeste do Mosteiro dos Jerónimos. Abriu portas em 1893, com a intenção de representar o “Museu do Homem Português”. Para além do espólio permanente, são várias as exposições temporárias que aqui se sucedem.

O Museu de Arte Popular ganha vida com a Exposição do Mundo Português. Visitar as suas salas corresponde a passear por diferentes regiões do país, neste caso Entre-Douro-e-Minho; Trás-os-Montes; Algarve; Beiras; Alentejo e Estremadura. Para além da exposição permanente, há um programa de exposições rotativas, como a do artista plástico Escher, que aqui esteve durante quase todo o ano de 2018.

Rumo à Ajuda

Palácio Nacional da Ajuda

Palácio Nacional da Ajuda. Por neiezhmakov

Se nos afastarmos da margem do rio e subirmos a encosta pela Rua da Ajuda, podermos visitar o Jardim Botânico da Ajuda e o Palácio Nacional da Ajuda. O primeiro, fundado em 1768, foi concebido por um botânico italiano, a pedido do rei D. José I. Esculturas, plantas, fontes e lagos povoam este jardim que se espalha em dois planos. Encontram-se aqui mais de 1640 plantas e um banco de sementes.

Já a história do Palácio Nacional da Ajuda começa a contar-se após o terramoto de 1755: D. José I ordenou a construção deste palácio, assim tornado residência oficial da família real. Atualmente este monumento nacional é também museu de artes decorativas.

Se entretanto se se sair do Palácio em direção à rua dos Jerónimos, surge-nos o Estádio do Restelo. Situado numa encosta de onde ainda se vê o Tejo. São várias as atividades, que se praticam do futebol, ao basquetebol, andebol e rugby.

Terminar a oeste

Fundação Champalimaud

Fundação Champalimaud. Por MandriaPix

Termine-se este magnífico dia assistindo ao pôr do Sol na Fundação Champalimaud. Para além do trabalho de tremendo valor que se realiza nesta instituição (a investigação científica na área do cancro e das neurociências), vale a pena conhecer o edifício, projetado pelo arquiteto Charles Correa debruçado sobre o rio, de grande elegância e sofisticação.

Haverá muito mais para descobrir em Belém, a beleza dos jacarandás em flor na avenida da torre de Belém que desce até ao monumento com o mesmo nome, a história do Beco do Chão Salgado, paredes meias com os pastéis de Belém, ou o Jardim Tropical, neste momento encerrado, de um exotismo e beleza extasiantes… tudo isto porque os caminhos não se esgotam neste bairro monumental.

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