Estação de São Bento, Porto. Por Ruialbuquerque

estações de comboio que são verdadeiras jóias arquitetónicas e que só por si merecem uma visita. De norte a sul do país, propomos-lhe que embarque connosco numa viagem pelas mais belas estações ferroviárias do país.

Estação do Pinhão, Alijó

Por Feliciano Guimarães

A Estação Ferroviária do Pinhão é a mais bela estação da região do Douro. Construída no século XIX, este é um local de paragem obrigatória para quem visita esta região. As linhas ferroviárias chegaram ao Pinhão em 1880, o que contribuiu para a rápida expansão do que, antes disso, era apenas um pequeno povoado. Em 1937, a estação recebe os painéis de azulejos da autoria de J. Oliveira da Fábrica Aleluia de Aveiro, que lhe deram notoriedade e fama. Tratam-se de 24 painéis – com um total de 3047 azulejos – que cobrem praticamente a totalidade das paredes do edifício principal e que retratam as diversas fases da produção do famoso vinho do Porto, desde as vindimas ao pisar das uvas, passando pelo transporte deste néctar dos deuses em barcos rabelos pelo rio Douro até às caves em Vila Nova de Gaia.

Nesta viagem no tempo, contada por estes magníficos azulejos, pode observar vários aspetos e tradições já desaparecidas do Douro Vinhateiro classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. Hoje, devido ao crescimento constante de turismo da região, a estação acolhe ainda uma loja de vinhos e um núcleo museológico com artefactos e ferramentas locais que fizeram parte da revitalização da estação do Pinhão.

Estação de Barca d’Alva, Figueira de Castelo Rodrigo

Por Alves da Silva

Citada por Eça de Queiroz no livro “A Cidade e as Serras”, a estação de Barca D’Alva – importante apeadeiro do comboio que fazia a ligação entre o Porto e Paris – está desativada desde 1887. No entanto ainda persistem muitas construções que eram utilizadas como apoio à circulação de comboios, como a inscrição “Grande Velocidade” bem por cima da porta central da estação, o velhinho depósito de água que servia de apoio às locomotivas a vapor ou o gabinete do chefe e a plataforma giratória que permitia a inversão de marcha.

Foram muitas as promessas de reativar esta famosa linha mas a verdade é que até aos dias de hoje não voltou a ouvir-se o apito do chefe da estação nem o som dos rodados das carruagens nos trilhos da estação de Barca d’Alva.

Estação de São Bento, Porto

Por Philip Sheldrake

A gare de São Bento é um dos ex-líbris da cidade do Porto e um dos monumentos mais visitados quer por turistas quer por pelos portugueses que visitam a Invicta. A sua localização – entre a Avenida dos Aliados e a Ribeira – é central e permite chegar em poucos minutos às mais movimentadas e bonitas ruas da cidade.

Com o início da construção no século IX, a Estação de São Bento foi edificada já no século XX, exactamente no mesmo local onde existiu o Convento de S. Bento de Avé-Maria.

O edifício, em forma de U, é da autoria do arquiteto Marques da Silva e, embora o seu exterior seja belíssimo, é no seu interior que reside a sua maior obra de arte, um átrio revestido com vinte mil azulejos históricos da autoria do pintor Jorge Colaço. Este painel retrata episódios da história de Portugal, como o casamento de D. João I e D. Filipa de Lencastre realizado na cidade do Porto, o torneio de Arcos de Valdevez e a Conquista de Ceuta, festas, romarias e um resumo da história dos transportes nacionais.

Atualmente, a Estação de São Bento é a estação ferroviária mais movimentada da cidade, garantindo ligações para o centro e arredores do Porto, bem como para as linhas do Norte, do Douro e do Minho e para os ramais de Braga e Guimarães.

Estação de Aveiro, Aveiro

Por Concierge.2C

Na cidade conhecida como a Veneza portuguesa, fica uma das mais belas estações de comboio do país, a “velhinha” estação de Aveiro. O que mais impressiona são, sem dúvida, os painéis de azulejos policromados, azuis e amarelos, que remontam a 1916.

Os azulejos da Fábrica da Fonte Nova, numa intervenção levada a cabo por Licínio Pinto e Francisco Pereira, mostram cenas e personagens tipicamente Aveirenses como o pescador, a peixeira, a tricana ou o Farol da Barra e as marinhas de sal. Também a região é retratada nestes painéis – cerca de trinta – onde podemos ver as margens do rio Vouga, as vindimas na Anadia, a zona da Costa Nova ou o Castelo de Almourol. O antigo edifício da estação ferroviária de Aveiro foi desativado mas continua a ser, até hoje, paragem obrigatória nos itinerários promovidos pela Região de Turismo de Aveiro.

Estação do Rossio, Lisboa

Por Concierge.2C

Projetada pelo arquiteto português José Luís Monteiro, sob encomenda da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, a Estação do Rossio – no coração da cidade de Lisboa e paredes meias com o Teatro Nacional D. Maria – tem um estilo neo-manuelino. O edifício que alberga a Estação do Rossio é considerado um verdadeiro monumento, classificado como Edifício de Interesse Público em 1971. Não é pois de estranhar que diariamente centenas de turistas se concentrem frente à estação para a fotografia da praxe.

A obra, cuja construção foi adjudicada a uma empresa belga, iniciou-se no ano de 1886 e seria inaugurada a 23 de Novembro de 1890 com o nome de estação da Avenida (uma vez que se situa no final da Avenida da Liberdade). Na fachada principal, o grande destaque o conjunto arquitetónico da entrada, para as 8 portas e 18 janelas e – obviamente – para o magnífico relógio, um exemplar do estilo do romantismo português. No interior, não pode deixar de admirar a cobertura do cais de embarque, um excelente exemplo da arquitetura do ferro, muito em voga no século XIX.

Nos azulejos que decoram as paredes encontrará uma sequência de medalhões – Lucian Donnat e Amaral – alusivos às principais exportações portuguesas. Na parede oposta estão representadas 14 figuras históricas portuguesas – datadas de 1995, da autoria de Lima de Freitas e que mesclam o neo-realismo e algum messianismo – que incluem o magnífico poeta Luiz Vaz de Camões, Padre António Vieira e D. Sebastião, não deixando de fora vultos da literatura nacional tão proeminentes como Almeida Garrett e Alexandre Herculano.

A Estação Ferroviária do Rossio foi, durante muito tempo, a principal estação de comboios da cidade de Lisboa devido à sua proximidade com o centro e com a baixa. Hoje está integrada na infra-estrutura de apoio à linha de Sintra da rede de comboios suburbanos da capital portuguesa.

Gare do Oriente, Lisboa

Por Bert K.

A Estação do Oriente, também conhecida por Gare do Oriente, foi concluída em 1998, com projeto de arquitetura do espanhol Santiago Calatrava como apoio de acessos à Grande Exposição dos Oceanos, a Expo’98, que decorreu na então renascida zona do Parque das Nações. O grande destaque vai sem sombra de dúvida para a sua cobertura em vidro com arcos e colunas, que mais remetem para as cúpulas de uma catedral gótica.

Completamente diferente de todas as outras que aqui destacamos, esta moderna Estação do Oriente – considerada uma das mais bonitas estações do Mundo e que também inclui linha de metropolitano no piso inferior – é hoje símbolo de uma nova cidade, mais cosmopolita, mais internacional e mais moderna mas que descansa no conforto dos séculos de história que lhe servem de berço e que atrai cada vez mais turistas.

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