Por Luismiguelrodrigues

Contam os relatos que em 1419, quando os portugueses chegaram à Madeira, descobriram uma ilha coberta de um extenso e denso arvoredo. Esses navegadores decidiram atribuir então o nome de “Madeira” à ilha. A floresta Laurissilva já preenchia a extensão da ilha e aí permaneceu até aos nossos dias, resistindo a quase 600 anos de humanização.

A Laurissilva é um tipo de floresta húmida subtropical que existe desde há 20 milhões de anos. Endémica da Macaronésia, a floresta ocupava toda a área da agora bacia do Mediterrâneo, sul da Europa e norte de África.

No entanto, em consequência das alterações climáticas determinadas pela formação do Mediterrâneo, esta floresta acabou por ter como último refúgio as regiões insulares. Aqui, conseguiu sobreviver e até mesmo prosperar devido à menor flutuação climática proporcionada pelo efeito amenizador do oceano Atlântico.

Por Mário Baião

Hoje em dia, é possível encontrar a Laurissilva nos arquipélagos portugueses da Madeira e dos Açores, no arquipélago espanhol das Canárias, no arquipélago estado de Cabo Verde e em pequenos e raros enclaves na costa da Mauritânia.

Na Madeira, a Laurissilva ocupa cerca de 20% do total da ilha, nas encostas viradas a Norte, revestindo as íngremes vertentes e os vales do interior, representando atualmente a mais extensa e a mais bem conservada Laurissilva das ilhas atlânticas. Por isso, em 1999, a floresta Laurissilva da Madeira foi considerada pela UNESCO como Património da Humanidade.

Por Ricardo Martins

Toda a floresta Laurissilva integra o Parque Natural da Madeira, conferindo-lhe assim um forte estatuto de proteção. Em 1992 foi incorporada na rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa e constitui Zona de Proteção Especial (ZPE), no âmbito da Diretiva Aves.

A floresta Laurissilva apresenta um aspecto uniforme, sempre verde, ao longo de todo o ano, dado que a quase totalidade das árvores e dos arbustos que a compõem, nunca perdem a folha. As plantas mais comuns que se podem encontrar são as lauráceas como o loureiro, o vinhático, o til e o barbusano.

A humidade, trazida pelos ventos dominantes de Nordeste, é retida e condensada pela Laurissilva fazendo com que a água seja abundante na floresta. Estes caudais são essenciais para a irrigação dos campos agrícolas e para o abastecimento de água nos centros urbanos.

Descobrir a Laurissilva

Por Luismiguelrodrigues

Uma das melhores formas de explorar e descobrir a floresta é caminhando pelas veredas e levadas que cruzam a Laurissilva e permitem um contacto direto com as espécies endémicas da flora e fauna da Madeira.

atividades de educação e sensibilização ambiental no Parque Natural da Madeira que são visitas guiadas por técnicos ou vigilantes da natureza à floresta Laurissilva. O objetivo é dar a conhecer a floresta, a sua composição biológica, as espécies endémicas, a sua conservação, o seu uso e as suas ameaças.

Por Luismiguelrodrigues

Nas zonas mais interiores da floresta são observadas, regularmente, cerca de sete espécies de aves. As duas únicas espécies endémicas deste ecossistema são o pombo-trocaz e o bis-bis.

Aqui poderá também ver o tentilhão da Madeira, uma ave de pequeno porte muito abundante na Laurissilva. Para além das aves, fique atento às mais de 500 espécies endémicas de invertebrados nomeadamente os moluscos terrestres, os aracnídeos e os insetos.

Se preferir uma experiência mais radical e com adrenalina, experimente descobrir a floresta através de atividades como canyoning, escalada, rappel ou downhill.

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