Capela dos Ossos Évora

Capela dos Ossos de Évora. Por PESP/ Wikimedia

“Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. É com esta frase que a Capela dos Ossos de Évora nos dá as boas-vindas a um universo curioso, mas ao mesmo tempo um pouco macabro. A frase é uma mensagem para os vivos, uma lembrança de que a vida é efémera e que um dia também eles serão apenas ossos.

As capelas de ossos e ossuários são comuns na Europa e existem há centenas de anos, sendo que as mais antigas remontam ao século VI a.C.. Os ossos humanos sempre foram alvo de uma grande obsessão, sendo-lhes associada uma componente mística.

Capela dos Ossos de Faro

Capela dos Ossos de Faro. Por Leonardo Barichello

Antigamente, os cemitérios eram muito mais pequenos que os de hoje em dia e portanto era prática comum fazer a exumação dos corpos, alguns anos depois do enterro, para que outros pudessem lá ser enterrados. Os ossos e esqueletos que eram retirados das sepulturas eram guardados em áreas geralmente próximas a cemitérios ou mosteiros.

Ao longo do tempo, e por razões muito relacionadas com superstições e misticismos, tornou-se prática comum colocar os ossos e crânios em exposição. O objetivo era transmitir, de forma simbólica, a ideia de que a vida não termina na Terra mas continua no paraíso prometido por Deus na bíblia. Por isso, eram utilizados ossos humanos para que quem entrasse na capela pudesse sentir que há mais vida para além da morte.

A Capela dos Ossos de Évora é a mais conhecida e a maior das capelas de ossos existentes em Portugal, mas existem mais cinco na região do Algarve e Alentejo.

1. Capela dos Ossos de Évora

Capela dos ossos de Évora

Capela dos Ossos de Évora. Por Alonso de Mendoza

A Capela dos Ossos é um dos mais conhecidos monumentos da cidade de Évora e fica situada na Igreja de São Francisco. Foi construída no século XVII por iniciativa de três monges franciscanos, para que as pessoas refletissem sobre a transitoriedade da vida e para representar uma alegoria à morte.

Mais de cinco mil ossos e crânios adornam as paredes, teto e colunas, e até o exterior desta capela, provenientes dos cemitérios da cidade. Há ainda dois esqueletos inteiros pendurados, sendo um deles o de uma criança.

A arte barroca predomina na capela, cujo teto abobadado está decorado com frescos que representam passagens bíblicas, símbolos cristãos e os instrumentos da Paixão de Cristo. As pinturas datam de 1810. À entrada existe também um painel de azulejos, da autoria de Siza Vieira, acerca do milagre da vida e a sua contraposição ao tema da morte.

2. Capela dos Ossos de Alcantarilha

Capela dos ossos em Alcantarilha

Capela dos Ossos de Alcantarilha. Por Marco Santos

A Capela dos Ossos de Alcantarilha situa-se anexada no lado sul da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, construída no século XVI, no centro histórico da freguesia de Alcantarilha, em Silves.

O seu interior está praticamente todo revestido e ornamentado por mais de 1500 ossadas humanas. Destacam-se os crânios à volta do centro do altar, onde uma imagem de Jesus Cristo crucificado contrasta com o cenário envolvente.

Existe um mito de que as ossadas da capela seriam de frades Jesuítas que outrora surgiram nesta região, no entanto, não há provas concretas que confirmem isso.

3. Capela dos Ossos de Faro

Capela dos Ossos de Faro

Capela dos Ossos de Faro. Por Miguel Vieira

A Capela dos Ossos de Faro localiza-se junto ao exterior da Igreja de Nossa Senhora do Carmo de Faro. A igreja principal é uma majestosa construção barroca, com decorações interiores de ouro, proveniente do Brasil. A sua construção foi terminada em 1719, sob o reinado de D. João V.

Apesar da imponente igreja construída pela Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, é a pequena Capela dos Ossos que atrai todas as atenções. O solo está repleto de sepulturas, uma vez que o local foi um cemitério. Ao entrar na capela encontramos mais de mil ossadas humanas, sobretudo crânios e tíbias, cuja disposição culmina num altar com uma imagem de Cristo.

Diz-se que os restos que por ali repousam pertencem aos antigos monges carmelitas, expostos para lembrar o povo da efemeridade da vida humana.

4. Capela dos Ossos de Lagos

Capela dos Ossos de Lagos

Igreja de São Sebastião. Por Gomera-b

A Capela dos Ossos de Lagos encontra-se anexada à Igreja de São Sebastião, um belo exemplar do estilo barroco, construída no século XV. A igreja é composta por três naves, separadas através de arcos de volta perfeita.

Numa das laterais do templo está a Capela dos Ossos. Apesar de o espaço ser pequeno, a capela é bastante rica do ponto de vista arquitetónico. As ossadas preenchem todo o teto, este é curvo e de dupla arcada, assente em colunas retangulares.

As paredes à volta das colunas estão também ladeadas por ossos humanos, com destaque para os crânios colocados frontalmente. No altar destaca-se um retábulo em barroco joanino, com uma tela pintada no centro de motivos religiosos.

5. Capela dos Ossos de Campo Maior

Capela dos Ossos de Campo Maior, el Alentejo, Portugal

Capela dos Ossos de Campo Maior. Por Juan Aunión

Anexada à Igreja Matriz de Campo Maior, a Capela dos Ossos de Campo Maior é a segunda maior do país, a seguir à de Évora. A capela foi construída em 1766 após a destruição da cidadela, devido à explosão num paiol de pólvora que matou mais de dois terços da população, em 1732.

O seu interior está totalmente revestido com as ossadas das vítimas desta tragédia, sendo o pavimento datado já do século XX. A arquitetura é tipicamente barroca à semelhança das outras capelas de ossos. Encontram-se ainda expostos dois esqueletos completos nas laterais.

6. Capela dos Ossos de Monforte

Monforte

Igreja Matriz de Monforte. Por Júlio Reis

Com uma área de pouco mais de quatro metros quadrados, a Capela dos Ossos de Monforte é a mais pequena capela de ossos que existe em Portugal e fica anexada à Igreja Matriz de Monforte que foi construída no século XVIII.

O seu interior encontra-se repleto de crânios humanos, intercalados por ossadas. No centro sobressai um pequeno altar mais convencional decorado com velas e imagens católicas. Por cima da porta de acesso à capela, existe um crânio humano sobreposto a dois ossos humanos.

2 Comentários publicados

  1. Avelino
    Publicado 4 Novembro 2020 em 21:39

    Não seria descabido e talvez tivesse algum interesse se os ossos, talvez apenas os crânios, estivessem identificados com o nome dos defuntos!

    • Ângela Coelho url url'>Ângela Coelho
      Publicado 6 Novembro 2020 em 10:45

      Olá Avelino. Obrigada pelo seu comentário e por acompanhar o nosso blogue. As fotografias são da autoria dos fotógrafos identificados e, portanto, nós não temos nenhuma responsabilidade sobre as mesmas. Continue a acompanhar o nosso trabalho!

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