Cromeleque dos Almendres. Por MiguelG

Frequentemente apelidado de ‘Stonehenge Português’, este conjunto de menires em pedra dispostos em círculo, localizado a 10 quilómetros de Évora, leva mais dois mil anos do que o seu ‘homólogo’ britânico. Não tem é a sua fama. Com cerca de sete mil anos, o Cromeleque dos Almendres é um dos maiores e mais importantes monumentos megalíticos do mundo, não só pela grandeza, como pelo seu excelente estado de conservação.

Ao todo, o conjunto inclui 95 monólitos de pedra e um menir mais afastado, que datam do período Neolítico. Porém, só em 1964 foram descobertos e revelados ao mundo. O menir e o cromeleque são classificados pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico como Imóvel de Interesse Público desde 1974 e elevados a Monumento Nacional em 2015.

O conjunto foi descoberto pelo investigador Henrique Leonor Pina, durante os trabalhos de mapeamento para a Carta Geológica de Portugal, em 1964, como dissemos. Na altura, fizeram a limpeza da vegetação e foram descobertas mais algumas peças de cerâmica e um machado de pedra polida, que incrivelmente sobreviveram ao passar dos tempos e dos povos pelo local.

Quando ‘descobertos’, grande parte dos monólitos encontravam-se caídos e eram chamados pelas gentes da região como ‘pedras talhas’. Na realidade, não tinham conhecimento da origem daquelas estranhas pedras. Os monólitos foram então recolocados nas suas posições originais nas últimas décadas. Em alguns destes menires subsistem ainda vestígios de gravuras rupestres. Duas delas aparentam ser formas antropomórficas.

Por MiguelG

E como lá chegar? Para visitar, pode ir de carro ou fazer um tour a partir de Évora. Apesar de acesso livre, não pode ser visitado à noite. O conjunto está concretamente na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, localizada a 10 km de Évora.

Poucos minutos após deixar a freguesia, por uma estrada de terra batida, encontra-se o menir de Almendres. O menir está localizado em propriedade privada, mas existe um corredor de acesso livre até ao local. É um percurso para se fazer a pé, sendo necessário calçado adequado, pois o caminho está por vezes um pouco desnivelado. De forma ovoide alongada, o menir é um exemplar característico dos menires da região de Évora, datável do Neolítico Antigo/Médio.

A sua localização parece relacionar-se com o cromeleque que encontramos mais à frente, uma vez que o alinhamento entre ambos coincide com o nascer do sol no solístico de verão. Crê-se que estas edificações estejam relacionadas com práticas culturais agro-pastoris dos povos neolíticos.

De volta à estrada de terra batida, siga para o cromeleque que se encontra mais à frente. Este tem 95 monólitos dispostos em círculo numa encosta voltada a leste, com 413 metros de altitude. Datam de algures entre o 6º e o 5º milénio antes de Cristo, sendo que alguns chegam a ter 2,5 a 3 metros de altura.

Por MiguelG

A sua localização dominante sobre o horizonte a nascente e a orientação equinocial parecem confirmar uma relação intencional com a movimentação cíclica do sol e da lua, ganhando força a tese de que se trata de um local sagrado onde as comunidades celebravam os ciclos da natureza.

De facto, há ainda muito para descobrir sobre uma época primitiva do ser humano. De qualquer forma, para saber mais sobre esta época, visite o Núcleo Interpretativo do Megalitismo de Évora. Brevemente, na freguesia de Guadalupe, um posto de turismo irá dar a conhecer melhor esta preciosidade histórica aos seus visitantes.

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