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Vila Nova de Foz Côa, uma riqueza arqueológica portuguesa

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Vila Nova de Foz Côa
Vila Nova de Foz Côa. Por Tobias Weber

Vila Nova de Foz Côa carrega orgulhosamente três títulos: Terra Quente, Capital da Arte Rupestre e Capital da Amendoeira. E não desilude em nenhuma destas designações.

Visitar Vila Nova de Foz Côa e a região do Vale do Côa é viajar por milénios de história, é assistir à transformação das amendoeiras na primavera, mas também é sentir o calor intenso no verão. É um destino completo que nos faz querer voltar sempre em qualquer estação do ano. 

Situada no distrito da Guarda, a região é maioritariamente agrícola devido a um microclima especial mediterrânico proporcionado pela grande quantidade de árvores. Na primavera, as amendoeiras proporcionam um cenário de rara beleza, deixando a paisagem coberta de flores brancas e rosadas. As vinhas e olivais completam a paisagem da região.

O Vale do Côa foi reconhecido mundialmente após a descoberta de artefatos arqueológicos e gravuras rupestres paleolíticas e foi classificado como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Hoje, a região é um dos maiores centros arqueológicos de arte rupestre da Europa.

Além do acervo arqueológico, Vila Nova de Foz Côa conta com um imponente património que inclui castelos, igrejas, pontes e estradas, que remontam ao império romano e demonstram o marco das populações que aqui habitaram.

Descubra 7 razões porque tem mesmo que visitar Vila Nova de Foz Côa e toda a região do Vale do Côa.

1. Parque Arqueológico do Vale do Côa

Parque Arqueológico do Vale do Côa
Parque Arqueológico do Vale do Côa. Por Takashi Images

A principal atração de Vila Nova de Foz Côa é sem dúvida o Parque Arqueológico do Vale do Côa, o maior museu arqueológico do mundo ao ar livre. É uma imensa galeria de arte em que o homem usou continuamente as rochas de xisto como painéis para a sua arte de gravura e pintura. 

Quando em meados da última década do século XX se descobriram as primeiras gravuras rupestres no Vale do Côa, não se imaginava a dimensão do achado. Até à data já foram identificadas mais de mil rochas com manifestações rupestres, identificadas em mais de 80 sítios distintos, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há cerca de 30 mil anos. 

O Vale do rio Côa constitui um local único no mundo por apresentar manifestações artísticas de diversos momentos da Pré-História, Proto-história e da História, nomeadamente o mais importante conjunto de figurações paleolíticas ao ar livre até hoje conhecido. A arte do Côa foi classificada Património da Humanidade em 1998 pela UNESCO.

2. Museu do Côa

Museu do Côa
Museu do Côa. Por Vitor Oliveira

O Museu do Côa não substitui a visita aos sítios de arte rupestre do Parque Arqueológico do Vale do Côa, mas é um bom ponto de partida para descobrir a arte rupestre dos vales do Côa e do Douro. Com recurso a tecnologia moderna, toda a informação está muito bem estruturada, oferecendo uma experiência imersiva aos visitantes.

Perfeitamente integrado na paisagem, no topo de uma colina sobranceira à margem do rio Côa, existe ainda um miradouro com vistas privilegiadas sobre a paisagem resultante da união dos dois Patrimónios Mundiais da região: o Parque Arqueológico do Vale do Côa e o Alto Douro Vinhateiro. Do Miradouro do Museu do Côa poderá ter uma perspetiva única da paisagem da foz do Côa onde este abraça o Douro.

3. Centro histórico de Vila Nova de Foz Côa

Igreja Matriz de Vila Nova de Foz Côa
Igreja Matriz de Vila Nova de Foz Côa. Por João Carapeto

É no centro histórico que irá encontrar a Igreja Matriz, classificada monumento nacional e dedicada a Nossa Senhora do Pranto. A sua fachada manuelina é bastante decorada, rasgada por um pórtico com figuras renascentistas e elementos manuelinos e encimada pela torre sineira de origem barroca.

Ao lado da igreja fica um dos pelourinhos mais ornamentados que conhecemos em Portugal. Data do século XVI e é de estilo manuelino.

A Torre do Relógio, construída no reinado de D. Afonso V, assim como os dois lados da antiga muralha, vestígios do castelo de Vila Nova de Foz Côa, também se podem ver no centro da cidade. 

Pode ainda visitar a Capela de Santa Quitéria, que passa um pouco despercebida no meio das casas que a rodeiam. Acredita-se que esta capela tenha sido construída no lugar de uma antiga sinagoga, local de culto da significativa comunidade judaica que aqui viveu durante séculos.

4. Castelo Melhor

Castelo Melhor
Castelo Melhor. Por David Perez

É na aldeia de Castelo Melhor que se situa este castelo, que se acredita ter sido erguido entre os séculos IX e X, no denominado “período Leonês”. Visto de longe, parece uma coroa de rei plantada num cabeço de terra. 

A planta é quase circular, rodeando o cabeço onde se encontra implantado. Testemunha silenciosa de um passado milenar, a sua porta é em arco quebrado. No interior do castelo pode ser vista uma cisterna.

5. Castelo Velho de Freixo de Numão

Castelo Velho de Freixo de Numão
Castelo Velho de Freixo de Numão. Por Vitor Oliveira

Este é um lugar a visitar não apenas por ser um importante sítio arqueológico, mas também pelas vistas do miradouro. O Castelo Velho da freguesia de Freixo de Numão caracteriza-se pelos vestígios do que se acredita que possa ter sido um castro pré-histórico. 

Implantado no alto de um esporão de xisto, aproveitando as condições naturais de defesa, é atualmente considerado um dos mais importantes povoados do Noroeste da Península Ibérica.

As campanhas arqueológicas realizadas até ao momento permitem acreditar tratar-se de um sítio com ocupação datada entre 3000 a.C. e 2000 a.C., entre a Idade do Cobre e a Idade do Bronze.

6. Castelo de Numão

Castelo de Numão
Castelo de Numão. Vitor Oliveira

Localizado na freguesia de Numão, na vertente este da serra da Lapa, este castelo fica dentro do Parque Arqueológico do Vale do Côa e está classificado como monumento nacional desde 1910.

A primitiva ocupação humana deste sítio remonta à pré-história, ao período Neolítico. Acredita-se que um castro dos Lusitanos tenha sido erguido aqui e, posteriormente, romanizado. Aquando da invasão muçulmana da Península Ibérica, estes ergueram aqui uma fortificação.

A sua planta é de configuração irregular e quase não apresenta ameias. Possui três portas (a do Poente, a do Arco e a de São Pedro), torre de menagem e mais quatro torres.

A Igreja de Santa Maria, construída dentro do castelo e hoje em ruínas, apesar de tantas adulterações sofridas ao longo dos tempos, mostra bem a sua traça românica. Extra-muros existe uma Necrópole com sepulturas cavadas na rocha, junto às ruínas da antiga Capela (ou igreja) de São Pedro.

7. Alto Douro Vinhateiro

Vila Nova de Foz Côa
Vila Nova de Foz Côa. Por Turismo En Portugal

Vila Nova de Foz Côa é um dos concelhos que integra a Região Demarcada do Douro, a primeira região vitivinícola demarcada do mundo. O concelho ocupa o extremo oriental do Alto Douro Vinhateiro numa zona designada por Douro Superior, sendo as outras o Baixo Corgo (Peso da Régua) e Cima Corgo (Pinhão).

O vale profundamente encaixado do rio Douro e seus afluentes, que sulcam montes de xisto e granito, é embelezado pela geometria dos vinhedos e dos socalcos rasgados nas íngremes encostas. Neste vale fértil produz-se vinho há mais de dois mil anos e foi classificado pela UNESCO como Património da Humanidade em 2001.

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