Montalegre. Por Victor Cardoso

Desde 2002 que a sexta-feira 13 significa festa em Montalegre. Neste município do distrito de Vila Real não há azar. Aqui a população convive em perfeita harmonia com bruxarias, poções mágicas, mezinhas e curas.

Este ano o dia 13 coincidiu a uma sexta-feira no mês de setembro e vai voltar a acontecer em dezembro, mas esta tradição já se alargou ao dia das bruxas por excelência. Por isso, no dia 31 de outubro as bruxas vão andar à solta desta vez na aldeia de Vilar de Perdizes, que pertence ao concelho de Montalegre.

Nestes dias mais místicos, esta aldeia de cerca de 400 habitantes é invadida por curiosos que procuram ver bruxas, diabos e mafarricos e a queimada e esconjuro do padre António Fontes.

Por Câmara Municipal de Montalegre

O sacerdote da aldeia é a figura central da festa pois foi ele que iniciou a tradição dos jantares todas as sextas-feiras 13. De banquetes privados entre amigos a um evento público que atrai mais de 40.000 pessoas todos os anos foi um pequeno passo.

Mas o misticismo característico de Vilar de Perdizes já data de 1983 quando se organizou o I Congresso de Medicina Popular, que se realiza todos os anos no primeiro fim de semana de setembro. Nesta conferência são abordados temas ligados à ervanária, terapia mental, parapsicologia e exorcismo.

Por Câmara Municipal de Montalegre

No próximo dia de Halloween a aldeia vai voltar a vestir-se a rigor para receber os milhares de visitantes que querem entrar no verdadeiro espírito do dia das bruxas. Não vai faltar a habitual decoração pelas ruas de Vilar de Perdizes, desfile, ações teatrais espalhadas pela aldeia e espetáculo de palco com animação e fogo.

As casas e as lojas da aldeia são decoradas com abóboras iluminadas, vassouras de bruxa, panos pretos e teias de aranhas. Os restaurantes preparam um menu especial para o jantar “embruxado” onde não faltam pratos com nomes insólitos como orelha de porco com grão de bico, ovos de morto e rins de bruxas.

Por Câmara Municipal de Montalegre

Mas o auge da noite é sem dúvida o esconjuro e a queimada. O padre António Fontes prepara a queimada, um licor feito à base de aguardente, açúcar, maçã, limão e canela, capaz de afastar os maus espíritos e as bruxas. “Mochos, corujas, sapos e bruxas, demónios, trasgos e diabos, espíritos das enevoadas veigas”, assim começa a ladainha do esconjuro proferida pelo padre também conhecido como “Dom Bruxo” que promete livrar a bebida de maus-olhados, feitiços, invejas e bruxedos.

Não se preocupe se não tiver tempo para se mascarar, haverá um atelier de caracterização para que o comum dos mortais se transforme numa criatura do diabólica.

Por Câmara Municipal de Montalegre

A Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes, organizadora do evento com a colaboração da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Montalegre, quer atrair pessoas de todo o país e até estrangeiros para este Halloween transmontano. O objetivo é potenciar a economia local, divulgar os produtos tradicionais e a cultura da região.

De acordo com o presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, a sexta-feira 13 e a noite das bruxas tornaram-se assim numa das “maiores festas de rua do país”, atraindo milhares de pessoas à “capital do misticismo”.

Casas de campo em Montalegre

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