Magazine Planos 10 vilas e aldeias medievais para viajar no tempo

10 vilas e aldeias medievais para viajar no tempo

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Lindoso
Lindoso. Por Rossana Ferreira

Portugal tem muitas vilas e aldeias bonitas e especiais, rodeadas de paisagens deslumbrantes, à espera de serem exploradas por aqueles que gostam de se aventurar pelos lugares mais recônditos. Mas há vilas e aldeias únicas que sobreviveram a diferentes períodos da história e algumas até são anteriores à formação da nação portuguesa.

Guardadas durante séculos por muralhas inabaláveis, vigiadas por torres e castelos ancestrais, as suas ruas de granito foram calcorreadas por diversos povos e as suas casas viram nascer personalidades marcantes da história do país. 

Hoje em dia, percorrer as ruelas sinuosas destas vilas e aldeias medievais é um autêntico regresso ao passado. Podermos sentar-nos nas suas praças principais a admirar estes museus a céu aberto, enquanto ouvimos a água fresca que cai das fontes de pedra, é uma experiência incrível.

Existem várias vilas e aldeias medievais portuguesas, umas mais bem conservadas do que outras, mas todas merecem a pena uma visita. Por isso, selecionamos 10 vilas e aldeias medievais que não pode deixar de descobrir.

1. Óbidos

Óbidos
Óbidos. Por Waugsberg

A vila medieval de Óbidos é uma das mais pitorescas e bem preservadas de Portugal. A cerca de uma hora de Lisboa, este é um lugar muito visitado pelos turistas, principalmente durante eventos especiais como o Festival Internacional do Chocolate, o Festival Literário Internacional de Óbidos, o Mercado Medieval e o Natal, em que se decora a vila com motivos alusivos à época.

Situada num ponto alto, próximo da costa atlântica, Óbidos teve uma importância estratégica no território. Ocupada antes dos romanos chegarem à Península Ibérica, a vila tornou-se mais próspera a partir do momento em que foi escolhida pela família real como uma das suas residências.

Dentro das muralhas, encontramos um castelo bem conservado e um labirinto de ruas e casas caiadas de branco que encantam quem visita a vila. Entre pórticos manuelinos, janelas floridas e pequenos largos, encontram-se vários motivos de visita, bons exemplos da arquitetura religiosa e civil dos tempos áureos da vila.

A Igreja Matriz de Santa Maria, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de São Pedro, o pelourinho e, fora de muralhas, o aqueduto e o Santuário do Senhor Jesus da Pedra, de planta redonda, são alguns dos monumentos que justificam uma passagem por Óbidos.

Não deixe de provar a famosa ginjinha de Óbidos em copo de chocolate e a caldeirada de peixe. Suba até ao castelo, percorra as muralhas e aprecie as vistas.

2. Monsaraz

Castelo de Monsaraz
Castelo de Monsaraz. Por aroxopt

Monsaraz é uma vila medieval cercada por uma muralha, guardada por um imponente castelo, localizado no seu ponto mais alto. É a povoação mais antiga do concelho de Reguengos de Monsaraz e uma das mais antigas de Portugal, uma vez que existem indícios de povoamento pré-histórico, tendo sido nos seus primórdios um castro fortificado.

Em 1157, foi reconquistada aos mouros por Geraldo Geraldes, conhecido como “O Sem Pavor”. Em 1167, foi doada aos templários e, mais tarde, em 1319, à Ordem de Cristo. Durante séculos, Monsaraz foi um importante posto de defesa do Guadiana, vigiando a fronteira com Espanha.

Para além de poder visitar o vasto património arquitetónico, social e histórico de Monsaraz, a paisagem que rodeia a vila é a cereja no topo do bolo. Um dos melhores lugares para contemplar a imensa paisagem é o alto do castelo. Vale também a pena uma visita à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lagoa, à  Ermida de São Bento, à Torre de São Gens do Xarez e à Ermida de Santa Catarina de Monsaraz.

Monsaraz, a povoação mais bela do Alentejo

Começaremos pelo fim e diremos que Monsaraz é daqueles lugares onde não sabemos como vamos desfrutar mais, se ao observá-los ou observando desde eles. Seja por que ângulo for que o observe, há beleza. Daí que poucos hesitam em qualificá-la como a povoação mais bela do Alentejo.

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3. Marvão

Castelo de Marvão
Castelo de Marvão. Por Eran Yardeni

Continuamos no Alentejo, desta vez no Alto Alentejo, no distrito de Portalegre. É aí que encontramos a vila histórica de Marvão. Situada no topo da Serra do Sapoio e cercada por muralhas, a uma altitude de 860 metros, é difícil não se encantar com este lugar especial. A rainha D. Maria II concedeu-lhe o título de Mui Nobre e Sempre Leal vila.

Há muito para visitar e descobrir nas ruas medievais de Marvão. Aprecie os vestígios góticos e manuelinos das suas construções, vagueie pelas muralhas e deslumbre-se com a paisagem circundante. Localizado no ponto mais alto da vila, o castelo é uma visita obrigatória.

É em Marvão que encontra uma das maiores cisternas dos castelos portugueses, com cerca de 10 metros de altura e 46 metros de comprimento, que também pode visitar. Uma subida à torre de menagem irá oferecer-lhe uma vista de 360 graus sobre o Parque Natural da Serra de São Mamede.

Marvão, história e tradições

A fronteira de Portugal-Espanha, conhecida pelo epíteto de A Raia. É a linha fronteiriça mais antiga da Europa, que divide os territórios portugueses e espanhóis. A Raia é uma região singular luso-espanhola, que merece ser visitada pelo menos uma vez na vida.

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4. Marialva

Marialva
Marialva. Por Vector99

Marialva é uma das 12 Aldeias Históricas de Portugal e fica a poucos minutos da cidade da Mêda. As origens de Marialva parecem remontar ao tempo da antiga Cidade de Aravor, fundada pelos Túrdulos no século VI a.C., tendo sido o principal núcleo da comunidade dos Aravos. 

Posteriormente, foi conquistada pelos romanos, a que se seguiram os árabes, até à vitória final de D. Fernando Magno de Leão, em 1063. Em 1179, recebeu a carta de foral de D. Afonso Henriques, tendo mantido uma intensa atividade, graças às feiras que aí se realizavam, até finais do século XVIII. No ano de 1200 o castelo é mandado reconstruir e restaurar por D. Sancho I, tendo sido posteriormente ampliado por ordem do rei D. Dinis.

Marialva é constituída por três núcleos distintos: a cidadela ou vila no interior do castelo, agora despovoada; o arrabalde que prolonga a vila para além da zona amuralhada; e a devesa, situada a sul da cidadela, que se estende pela planície até à ribeira de Marialva e assenta sobre a antiga cidade romana.

Visitar a cidadela cercada pelas muralhas é como entrar num cenário histórico, que conserva as ruas e edifícios resistentes ao tempo. Aqui, destaca-se o largo da praça, onde se encontra o pelourinho, a antiga Câmara Municipal e a Casa dos Magistrados. A torre de menagem, a Igreja de Santiago e a Capela do Senhor dos Passos também são verdadeiros tesouros a não perder.

5. Castelo Rodrigo

Castelo Rodrigo
Castelo Rodrigo. Por Vitor Oliveira

Outra aldeia histórica que conserva um enorme património medieval é Castelo Rodrigo, que foi vila e sede de concelho durante 600 anos. Quando deixou de o ser, perdeu muita da sua importância, mas ficaram os monumentos que são testemunhas da imponência desta aldeia medieval: as velhas muralhas, as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura, o pelourinho quinhentista, a igreja matriz e a cisterna medieval.

Um passeio pelas ruas empedradas de Castelo Rodrigo revela pormenores importantes da história, como a forte presença de cristãos-novos (judeus convertidos ao cristianismo). Também se encontram casas interessantes, umas manuelinas, outras de construção árabe. Por isso, esteja atento a cada detalhe das ruas e casas.

Estando na rota de peregrinos a Santiago de Compostela, aqui também se ergueu a Igreja de Nossa Senhora de Rocamador, fundada por uma confraria de frades hospitaleiros vindos de França no século XIII.

6. Sortelha

Castelo de Sortelha
Castelo de Sortelha. Por Ken & Nyetta

Sortelha também faz parte da lista de Aldeias Históricas de Portugal e é umas das mais bem conservadas aldeias medievais do país. Por isso, deambular pelas ruas de Sortelha é como uma viagem ao passado, porque a vila mantém a sua fisionomia urbana e arquitetónica inalterada desde o renascimento até aos nossos dias.

A povoação localiza-se dentro das muralhas circulares do castelo, que remonta ao século XIII, e a sua localização estratégica foi crucial na defesa do país. Tanto as casas como as ruas desta aldeia histórica são feitas em granito, assim como as muralhas do castelo que se ergue a 760 metros de altitude. Este foi mandado reconstruir por D. Sancho II e sofreu vários restauros (nos reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. Manuel), depois de alguns terramotos terem afetado a sua estrutura.

Dentro das muralhas circulares que envolvem a aldeia, destaca-se o Largo do Pelourinho, onde podemos encontrar a antiga Casa da Câmara e a cadeia. Ainda dentro do perímetro amuralhado, temos a igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora das Neves, que provavelmente terá sido uma igreja românica fundada no século XIII. 

Na parte mais alta da aldeia é possível ter uma vista que se estende até à Serra da Malcata e à linha final da Serra da Estrela. Nesta região desnudada de árvores e acidentado relevo, abundam as formações graníticas de aspeto curioso, como é o caso da pedra “Beijo Eterno” e “Cabeça da Velha”.

7. Castelo Bom

Castelo Bom
Castelo Bom. Por Ana Santos

As muralhas construídas sobre um antigo castro ocupado desde a Idade do Bronze acolhem hoje Castelo Bom, numa das mais antigas e altaneiras regiões do país. A povoação situa-se num cabeço saliente no vale do rio Côa, cuja altitude máxima é de 725 metros, na zona do castelo.

Castelo Bom terá sido conquistado aos Leoneses por D. Dinis, sendo de destacar o papel de defesa que a muralha representou durante a Idade Média. O castelo foi construído nos séculos XIII e XIV, mas teve maior esplendor no século XVI, em que teve dupla cintura de muralhas, cidadela com torre de menagem e duas torres quadradas, mas depois foi votado ao abandono. 

Hoje, vemos apenas os panos da muralha, a Porta da Vila, em arco quebrado no exterior e arco pleno no interior; o brasão da antiga vila (escudo nacional coroado) e a cisterna, a sul; o paiol, a oeste; o poço de escada, de planta quadrangular e o poço d’el rei.

Junto à fortificação encontram-se duas casas quinhentistas e uma outra junto à igreja matriz, que também contam muito da história de Castelo Bom.

8. Longroiva

Longroiva
Longroiva. Por Vitor Oliveira

As Termas de Longroiva são provavelmente o lugar mais conhecido desta localidade e que atrai mais visitantes. Mas esta aldeia do concelho de Mêda tem muito mais para visitar. Em Longroiva há vestígios da época romana, como a ponte, por exemplo, e acredita-se que esta área terá sido habitada entre os séculos IV e II a.C.. Durante a ocupação romana, a povoação era apelidada de Longóbriga.

Existe até uma lenda que diz que a rainha Santa Isabel, vinda de Aragão para se casar com D. Dinis, em Trancoso, terá passado na antiga estrada romana, perto de Longroiva, e ficou por aqui a banhar-se. Não podemos confirmar a veracidade desta história, mas podemos afirmar com certeza que Longroiva merece uma visita demorada.

No centro da aldeia, no meio do casario, está o pelourinho, de estilo manuelino, que está classificado como imóvel de interesse público, desde 1967. A dominar o monte, está o castelo, que já só tem uma torre e parte das muralhas. Nas traseiras, tem umas escadas que nos levam ao interior da torre. Se não tiver medo das alturas, a vista vale muito a pena.

Junto ao castelo, poderá visitar a igreja matriz, também conhecida como Igreja de Santa Maria, datada do século XVI, em estilo românico. Se tiver oportunidade, entre para admirar a arte sacra, a talha dourada, o trabalho de madeiras, o teto pintado e alguns apontamentos de frescos recuperados nas paredes.

9. Lindoso

Lindoso
Lindoso. Por Cardilio

Localizada em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, no concelho de Ponte da Barca, Lindoso é conhecido pelos 60 espigueiros que fazem parte da tradição comunitária desta aldeia. No alto, o castelo medieval completa a paisagem.

Sobranceiro a Espanha, em posição dominante na Serra Amarela, sobre a margem esquerda do rio Lima, este castelo foi mandado construir por D. Afonso III, na Idade Média, com a função de vigia, defesa e marco de soberania da fronteira. A sua localização estratégica faz dele um dos mais importantes monumentos militares portugueses, mas também pelas novidades técnicas e estilísticas que a sua construção introduziu.

Além das várias construções marcantes da aldeia – da igreja matriz aos antigos lavadouros -, vale a pena o passeio pelos trilhos pedestres que abrem caminho a paisagens deslumbrantes, como por exemplo o trilho dos Moinhos de Parada, um percurso pedestre de sete quilómetros.

10. Linhares da Beira

Castelo de Linhares da Beira
Castelo de Linhares da Beira. Por Alegna13

Localizada na vertente ocidental da Serra da Estrela, Linhares da Beira é uma aldeia medieval do século XII, com uma diversidade arquitetónica e artística ímpar, fruto do legado de várias épocas. Parte do concelho de Celorico da Beira, o seu nome terá tido origem no linho, que foi em tempos uma das mais importantes culturas da região.

Em 1169, recebeu o seu primeiro foral, atribuído por D. Afonso Henriques. Mas só mais tarde, no reinado de D. Dinis, foi erigido o seu imponente castelo, implantado num cabeço rochoso a cerca de 820 metros de altitude, a dominar o vale do Mondego.

Deambulando pelas ruas de Linhares da Beira, é possível apreciar o harmonioso conjunto urbano da povoação, onde casas simples em granito convivem com solares de nobreza antiga. A igreja matriz, de origem românica, reconstruída no século XVII, guarda três pinturas do mestre português Grão Vasco.

Para além da igreja, poderá visitar um exemplar único de um fórum medieval, com uma rústica tribuna elevada sobre um banco em redor de uma mesa de pedra. Aqui eram anunciadas à população as decisões comunitárias. Destaca-se também, ao lado, um pelourinho quinhentista em granito, rematado pela esfera armilar.

12 aldeias históricas de encantar em Portugal

As Aldeias Históricas de Portugal podem parecer lugares salpicados em um mapa, mas o certo é que ajudaram a lutar pela história de um país delimitando a fronteira com Espanha. Estas aldeias cresceram à volta de castelos e refugiaram-se atrás de muralhas, receberam cartas forais e privilegiados foram aqueles que aqui se estabeleceram.

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